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Política
Eleições 2026

João Campos resgata herança familiar e desbrava interior na corrida pelo Governo de PE

Ao longo da campanha, ex-prefeito também ressaltou vinculação com o presidente Lula, que veio a Pernambuco candidatura do aliado

Amauri Lins

Publicado: 03/10/2026 às 05:00

Candidato do PSB, João Campos/Foto: Karol Rodrigues/DP Foto

Candidato do PSB, João Campos (Foto: Karol Rodrigues/DP Foto)

Às vésperas das eleições de 2026, o candidato ao Governo de Pernambuco João Campos (PSB) chega como o principal desafiante contra a governadora Raquel Lyra (PSD), que busca a reeleição. Aos 32 anos, o socialista encara pela primeira vez a corrida pelo Executivo estadual, mas conta no currículo com a experiência de dois mandatos à frente da Prefeitura do Recife, além de ter ocupado uma cadeira na Câmara dos Deputados, em Brasília.

Em meio a uma campanha eleitoral marcada por polêmicas e troca de acusações, que se refletiram em oscilações nas intenções de voto apontadas pelas pesquisas, João apostou na vinculação ao presidente Lula como principal trunfo para a vitória. Ao lado de Marília Arraes (PDT) e Humberto Costa (PT), o líder da Frente Popular de Pernambuco integrou o chamado “time de Lula” no estado, formalizado para reforçar a unidade política em torno do líder petista.

Bisneto de Miguel Arraes e filho de Eduardo Campos, ex-governadores de Pernambuco, João fez questão de ressaltar a herança familiar na política. Antes do início oficial da campanha, um vídeo compartilhado em páginas de apoiadores, gerado a partir de Inteligência Artificial, citou a “passagem de bastão” entre as gerações. A menção ao pai e ao bisavô também foi presença recorrente nos discursos do candidato, sempre enfatizando a ideia de continuidade.

A seu favor, Campos contou com a polêmica em torno da fala de Raquel sugerindo a realização de um procedimento de laqueadura sem o consentimento da paciente. A declaração foi feita durante uma agenda institucional em maio de 2025, mas voltou à tona no dia 20 de setembro deste ano, na reta final da campanha. Com o desgaste provocado pela repercussão, a governadora foi a público se desculpar e afirmou que a fala foi retirada de contexto pelos adversários.

Outro ponto favorável para o impulsionamento da candidatura do socialista foi a visita de Lula ao Recife, realizada no dia 25 de setembro. O ato público reuniu cerca de 80 mil pessoas, de acordo com os números da organização, e foi lido como uma manifestação de força do campo político. Em entrevistas posteriores, João revelou uma conversa por telefone com Lula, em que o presidente teria agradecido pelo evento na capital pernambucana, apontado como o maior público entre os atos de rua desde o início da campanha do petista.

Por outro lado, o principal revés para João veio no início da campanha, no dia 30 de agosto, quando cartazes apócrifos foram espalhados pelo Bairro do Recife com afirmações que responsabilizavam Raquel Lyra pela morte do marido, ocorrida em 2022, sem apresentar qualquer prova. O episódio gerou uma onda de solidariedade em torno da governadora e levantou suspeitas acerca da autoria das agressões. A Polícia Federal instaurou um inquérito para apurar, mas ainda não chegou a uma conclusão e ninguém foi preso no caso.

Outro ponto explorado pelos adversários foi a suposta contradição de João Campos frente às empresas de apostas virtuais, conhecidas como bets. Durante sua gestão como prefeito do Recife, o socialista implementou políticas que favoreceram o segmento, como a redução de 5% para 2% na alíquota do Imposto sobre Serviços (ISS) através de uma alteração no Código Tributário do Recife em abril de 2025. Recentemente, João adotou uma postura mais crítica em relação às bets e chegou a pedir o fim do funcionamento das empresas no país, alinhado ao discurso de Lula.

Carlos Costa como vice

A definição do nome de Carlos Costa como indicado do Republicanos para compor a chapa da Frente Popular de Pernambuco no cargo de vice-governador ocorreu em julho deste ano, após um encontro de lideranças estaduais do partido. Advogado e economista, Carlos não possui histórico na vida pública, mas pertence a uma família tradicional da política brasileira. É filho do ex-deputado federal Silvio Costa (Republicanos) e irmão do ex-ministro Silvio Costa Filho (Republicanos) e do deputado estadual João Paulo Costa (PT).

Ao longo da campanha, Carlos Costa acompanhou João Campos na maioria das agendas em todo o estado, apesar de manter uma presença mais discreta. Nas poucas oportunidades em que discursou, demonstrou alinhamento com o líder socialista e com o “time de Lula”, composto pelos candidatos ao Senado Humberto Costa (PT) e Marília Arraes (PDT). “A gente tem feito grandes carreatas, grandes eventos e, por mais que não tenhamos o mesmo número de prefeitos da atual gestão, a gente tem o povo. Tenho certeza que, do nosso lado, no próximo dia 4 de outubro, teremos uma eleição bonita”, disse Carlos ao Diario de Pernambuco.

Estratégia de campanha

Em abril deste ano, João Campos encerrou o seu segundo mandato como prefeito do Recife para se dedicar à disputa pelo Executivo estadual. Na ocasião, a gestão do socialista contava com uma aprovação de 75% pela população recifense, de acordo com um levantamento do instituto Real Time Big Data.

Neste cenário, a campanha do líder da Frente Popular de Pernambuco optou por priorizar atividades massivas no interior do estado, uma vez que a presença estaria mais consolidada na capital. Em um mesmo dia, João chegou a percorrer até cinco cidades, com atividades como caminhadas, comícios e carreatas, abrangendo as regiões da Zona da Mata, do Agreste e do Sertão.

Para a Região Metropolitana do Recife, a agenda do candidato foi permeada de lançamentos de candidaturas e inauguração de comitês de nomes vinculados à disputa proporcional, seja do próprio partido ou da coligação. Segundo o socialista, as atividades se justificaram pela amplitude da coligação formada no pleito deste ano, composta por PSB, MDB, PDT, Republicanos, PT, PC do B, PV, PRD, Solidariedade e Democracia Cristã.

“A gente tem uma frente ampla, a maior frente política desta eleição, com o maior número de partidos. Então são muitas candidaturas que fazem parte da nossa aliança e a gente está presente na inauguração dos comitês, na agenda com setores específicos. Estamos dialogando com cada candidatura, com cada categoria, porque a nossa frente é uma frente que representa o estado”, afirmou João Campos ao Diario.

As mobilizações massivas no Recife ficaram a cargo dos encontros com segmentos específicos, como mulheres, cultura e educação, que reuniram centenas de pessoas no comitê do Poço da Panela, na Zona Norte do Recife. A plenária com as mulheres, em especial, foi carregada de simbolismo por ter ocorrido logo após a repercussão da declaração de Raquel Lyra sobre a laqueadura sem consentimento. Na ocasião, lideranças políticas femininas ligadas ao candidato teceram duras críticas à fala da governadora.

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