"Estado não é Banco Imobiliário", ironiza João Campos ao criticar aquisições de Raquel
Em encontro com profissionais de saúde, socialista afirmou que prédios desapropriados pelo Estado na capital pernambucana não têm utilidade
Publicado: 01/10/2026 às 17:33
João Campos em encontro com profissionais da saúde (Foto: Karol Rodrigues/DP Foto)
O candidato ao Governo de Pernambuco João Campos (PSB) voltou a criticar, nesta quinta-feira (1º), as aquisições de bens feitas durante a gestão da governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD). Em encontro com profissionais da saúde no bairro do Poço da Panela, na Zona Norte do Recife, o socialista comparou o investimento feito para a construção do Centro de Diagnóstico e Imagem (CDI) do Recife, no bairro de Santo Antônio, área central da capital pernambucana.
“Tem dinheiro, o que falta é prioridade. Sabe quanto é o CDI do Recife todinho? Dá 37 milhões de investimento para fazer milhões de exames. Só um avião que o governo comprou foi R$ 64 milhões. E esse avião teve mais voo levando autoridade do que carregando paciente”, disse.
João mencionou a desapropriação do terreno do antigo Colégio Americano Batista, localizado no bairro da Boa Vista, região central do Recife, feita em fevereiro de 2023. Para assumir o local, a gestão estadual repassou R$ 80 milhões à Convenção Batista de Pernambuco. Em julho deste ano, a Companhia Estadual de Habitação e Obras (Cehab) abriu uma licitação para a construção de uma Escola Técnica de Saúde e Inovação.
O líder da Frente Popular de Pernambuco também criticou a desapropriação do antigo prédio da Celpe (atual Neoenergia) no bairro da Soledade, no centro do Recife, concretizada em setembro de 2025. Na ocasião, a gestão de Raquel Lyra investiu R$ 80 milhões para declarar o imóvel de utilidade pública. Com a transação prevê a migração da Secretaria de Educação e Esportes de Pernambuco (SEE) para o local, o que ainda não foi concretizado.
“O Estado não é Banco Imobiliário para estar comprando imóvel e não fazer nada. Isso podia ser investido em um hospital, um Centro TEA, uma UPA Especialidade. É isso que tem que ser feito. A gente pode vender o prédio da Celpe, pode vender o avião, tem dois, deixa um para carregar paciente e vende o outro. Dá para fazer, mas é preciso ter prioridade”, declarou.
Em outro momento de sua fala, João Campos também mencionou a política de segurança pública adotada pela gestão de Raquel Lyra. Para ele, os “laranjinhas”, nome dado aos policiais recém-formados no estado, em referência ao boné laranja que compõe o uniforme, estariam atuando apenas em áreas nobres, enquanto regiões periféricas da capital estariam desassistidas. “Não adianta laranjinha na Avenida Boa Viagem e o Alto José Bonifácio estar com toque de recolher”, disse.