Influenciador nega vínculo com campanhas após denúncia de posts pagos contra João Campos
Manifestação ocorre após reportagem apontar Renato Neto como integrante de um grupo de WhatsApp no qual participantes receberiam R$ 20 por postagem para realizar ações de engajamento político
Publicado: 23/09/2026 às 22:29
Candidatos Raquel Lyra e João Campos (Fotos: Karol Rodrigues/DP Foto)
Renato Neto, influenciador citado em reportagem sobre supostos pagamentos para impulsionar conteúdos favoráveis à governadora Raquel Lyra (PSD) e críticos a João Campos (PSB), apresentou, nesta quarta-feira (23), uma nova versão sobre o caso. Em nota enviada ao Diario de Pernambuco, ele negou possuir vínculo político, profissional ou contratual com candidatos, partidos ou campanhas e afirmou que foi procurado por uma pessoa interessada em contratar seus serviços de divulgação nas redes sociais.
A manifestação ocorre após reportagem publicada pelo Brasil 247 apontar Renato como integrante de um grupo de WhatsApp no qual participantes receberiam R$ 20 por postagem para realizar ações de engajamento político. Segundo o portal, ele teria confirmado por telefone a existência das chamadas “missões”, que envolveriam comentários, curtidas e compartilhamentos mediante pagamento.
Na nota enviada ao Diario, Renato afirma que trabalha com serviços independentes de divulgação e publicidade nas redes sociais para complementar a renda. Segundo ele, no dia 22 de setembro, uma pessoa entrou em contato dizendo representar um candidato, mas sem informar quem seria.
“Fui procurado por uma pessoa interessada nesses serviços, que afirmou representar um candidato, sem identificá-lo, e propôs trabalhos envolvendo publicações contra João Campos”, afirmou.
De acordo com Renato, a pessoa passou posteriormente a insistir na realização de um encontro presencial e fez propostas financeiras que teriam provocado desconfiança. Ele sustenta que, diante disso, interrompeu a conversa.
“Jamais aceitei realizar qualquer atividade que envolvesse mentira, manipulação, difamação, calúnia ou injúria. Minha participação no grupo mencionado na reportagem não representa vínculo com qualquer candidatura ou campanha”, declarou.
Versões sobre os pagamentos
A versão apresentada por Renato nesta quarta-feira traz diferenças em relação às declarações que o Brasil 247 afirma ter obtido do influenciador.
Na reportagem publicada pelo portal, Renato é citado afirmando que integrantes recebiam conteúdos para realizar ações de engajamento e posteriormente prestavam contas das interações. O Brasil 247 também atribui a ele a informação de que o pagamento atual seria de R$ 20 por postagem e que os valores seriam recebidos antecipadamente para posterior distribuição entre os participantes.
O portal afirma ainda que Renato apontou Maria Eduarda Lucena Freire, conhecida como Duda Lucena, como responsável pelos pagamentos realizados via Pix. Segundo a publicação, ao ser questionado se era ela quem fazia as transferências, Renato respondeu afirmativamente.
Em sua nota ao Diario, porém, o influenciador não menciona Duda Lucena nem detalha essas declarações específicas atribuídas a ele pela reportagem. Também não esclarece se recebeu ou distribuiu pagamentos pelas chamadas “missões”. O posicionamento se concentra em negar vínculo com campanhas e em afirmar que a abordagem para publicações contra João Campos teria ocorrido no dia anterior à divulgação da reportagem.
Renato também afirma que não foi procurado pelo Brasil 247 antes da publicação para apresentar sua versão dos fatos.
O que diz a reportagem
Publicada nesta quarta-feira, a reportagem do Brasil 247 afirma ter identificado pelo menos dois grupos de WhatsApp, denominados “RL55” e “Raquel 2026”, utilizados para organizar interações em publicações nas redes sociais.
Segundo o portal, integrantes receberiam links e orientações sobre comentários, curtidas e compartilhamentos. O grupo “RL55” reúne as iniciais de Raquel Lyra e o número 55, utilizado pelo PSD nas eleições.
O Brasil 247 também relacionou Duda Lucena à administração das atividades. Outro grupo mencionado na apuração, denominado “Raquel 2026”, teria como única administradora uma conta identificada como “Duda Lucena Prospect”.
A própria reportagem ressalva que o relato apresentado não demonstra, isoladamente, que a campanha de Raquel Lyra determine ou financie os pagamentos.
O caso havia sido repercutido pelo Diario de Pernambuco mais cedo. Na ocasião, a reportagem procurou Renato Neto para que ele apresentasse sua versão, mas não obteve retorno até a publicação. O posicionamento enviado posteriormente motivou esta atualização.
O Diario de Pernambuco procurou a equipe da governadora Raquel Lyra para saber o posicionamento do caso, mas não obteve retorno.