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Política
Eleições 2026

Com protagonismo da direita, aliados de Lula devem buscar neutralidade do PSD e ponte com Cury

Projeções para o 2º turno com Flávio Bolsonaro têm movimentado ala petista

Guto Moraes

Publicado: 23/09/2026 às 20:13

Ronaldo Caiado (PSD), Lula (PT) e Augusto Cury (Avante)/Manoella Mello/Globo e Valter Campanato/Agência Brasil

Ronaldo Caiado (PSD), Lula (PT) e Augusto Cury (Avante) (Manoella Mello/Globo e Valter Campanato/Agência Brasil)

A onze dias do primeiro turno das eleições, aliados do presidente Lula (PT), candidato à reeleição, enxergam na neutralidade do PSD e em uma ponte com o candidato Augusto Cury (Avante) uma possibilidade de captar mais votos para o dirigente no provável segundo turno, aponta reportagem da Folha de S. Paulo.

Se anteriormente os petistas vislumbravam a possibilidade de uma vitória de Lula já no próximo dia 4 de outubro, agora, com os cenários apresentados pelas últimas pesquisas de intenção de voto, articuladores políticos do chefe de governo encaram, mais uma vez, a ameaça proveniente do antipetismo.

O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência e principal adversário de Lula, tem apresentado bom desempenho nas projeções para um eventual segundo turno. Segundo a pesquisa AtlasIntel, divulgada nesta quarta-feira (23), ambos aparecem tecnicamente empatados: Lula tem 47,7% das intenções e Flávio, 47,4%.

Na última Quaest, divulgada nesta segunda-feira (21), Flávio contabilizava 42% das intenções ante 41% de Lula. Já na última Datafolha, divulgada na última quinta-feira (17), Lula contabilizou 46% contra os 44% de seu adversário.

O escritor Augusto Cury, o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) e o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) estão todos à direita do espectro. Com efeito, a tendência é de que seu eleitorado apoie o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, preso desde agosto de 2025 pela tentativa de golpe de Estado.

De acordo com os aliados ouvidos pela reportagem da Folha de S. Paulo, Ronaldo Caiado, que apareceu com 4% das intenções de voto na última pesquisa Datafolha, não deve apoiar Lula, mas seus articuladores acreditam ser possível obter uma neutralidade do partido a partir de diálogo com Gilberto Kassab, vice na chapa e presidente do PSD.

Nos cenários em primeiro turno, onde Lula lidera e os votos de direita ou centro-direita estão pulverizados, Augusto Cury tem aparecido na terceira posição. O Datafolha mostrou Cury com 6% das declarações de voto. O escritor tem enfatizado que não deverá apoiar nem Lula nem Flávio Bolsonaro.

O presidente, no entanto, tem em sua aliança política nomes como o presidente do Avante na Bahia, o deputado estadual Ronaldo Carletto, que é primeiro suplente de Rui Costa (PT), que concorre ao Senado Federal. O candidato ao parlamento foi ministro da Casa Civil no atual governo Lula e poderá voltar ao posto diante de uma reeleição, o que viabilizaria que Carletto assumisse o mandato.

Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) contabilizam, segundo o último Datafolha, 3% e 2% das intenções no primeiro turno e tecem sucessivos ataques a Lula. Apesar do baixo percentual, superam os números reunidos pelos concorrentes da esquerda, que não superam 1% das intenções de voto.

Samara Martins (Unidade Popular) e Rui Costa Pimenta (Partido da Causa Operária) reúnem o menor percentual (1%), cada um. Edmilson Costa (PCB) e Hertz Dias (PSTU) sequer contabilizam.

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