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João reage a vídeo de Raquel sobre laqueadura: "É violência. É crime previsto em lei"

Após Raquel pedir desculpas pela declaração, João citou a legislação e endureceu as críticas à adversária

Alexandre Cunha

Publicado: 20/09/2026 às 21:54

Candidato João Campos (PSB) se pronunciou via redes sociais/Rafael Vieira/DP Foto

Candidato João Campos (PSB) se pronunciou via redes sociais (Rafael Vieira/DP Foto)

A repercussão do vídeo em que Raquel Lyra (PSD) sugere a realização de uma laqueadura “sem ela saber” chegou ao confronto direto da campanha pelo Governo de Pernambuco. Principal adversário da governadora na disputa, João Campos (PSB) afirmou, na noite deste domingo (20), ter assistido às imagens com “indignação” e classificou a fala como “violência”.

“‘Faz sem ela saber’. Assisti com indignação ao vídeo em que a candidata usa essa frase pra sugerir a laqueadura de uma gestante, sem ela saber. A lei é clara: esterilização exige manifestação expressa da vontade da mulher”, escreveu João nas redes sociais.

O vídeo foi revelado neste domingo pela coluna de Andreza Matais, do Metrópoles. A gravação é de maio de 2025 e foi feita durante uma agenda de Raquel no Hospital Regional Dom Moura, em Garanhuns, no Agreste. Horas depois da publicação da reportagem, a governadora reconheceu a fala, classificou a declaração como “equivocada” e pediu desculpas.

Ao comentar o episódio, João recorreu à legislação que regulamenta o planejamento familiar no país para endurecer as críticas à adversária. Segundo ele, autoridades e gestores públicos têm o dever de proteger a população e garantir direitos, “jamais de sugerir práticas ilícitas ou violações da integridade física”. “Fazer ‘sem ela saber’ não é cuidado. É violência. É crime previsto em lei”, completou.

A Lei nº 9.263/1996 condiciona a esterilização voluntária à manifestação expressa da vontade da pessoa que será submetida ao procedimento. O texto também estabelece como crime realizar esterilização cirúrgica em desacordo com as condições previstas na legislação.

A repercussão também provocou reação do candidato Ivan Moraes (PSOL), terceiro nome na disputa pelo Governo de Pernambuco. Em publicação nas redes sociais, ele afirmou que “o corpo de uma mulher não deve ser propriedade do Estado” e cobrou explicações da governadora sobre o episódio.

“A governadora se pronunciou reconhecendo o erro, mas são necessárias explicações urgentes. A fala aponta um problema de violação grave dos direitos reprodutivos e da dignidade humana”, escreveu Ivan.

O vídeo

Nas imagens divulgadas pelo Metrópoles, Raquel ouve o relato sobre uma gestante que já teria sete filhos. A conversa ocorre dentro do Hospital Regional Dom Moura, durante uma visita da governadora à unidade. A mulher mencionada no diálogo não aparece na gravação.

“Aí, a gente tem que fazer laqueadura, visse? Aí, a gente bota na fila da laqueadura”, afirma Raquel. Uma interlocutora responde à governadora, mas o trecho não pode ser compreendido com clareza no vídeo. Raquel, então, diz: “Mas faz sem ela saber”.

Não há, nas imagens nem nas informações tornadas públicas até o momento, indicação de que a mulher mencionada na conversa tenha sido submetida a uma laqueadura sem conhecimento ou consentimento. 

Pedido de desculpas

A primeira resposta de Raquel veio por meio de nota enviada ao Metrópoles. Já com o episódio repercutindo ao longo deste domingo, a governadora gravou um vídeo para reconhecer publicamente o erro e pedir desculpas.

“Como mãe e como mulher, eu sei o desafio que é decidir sobre planejamento familiar. Essa fala minha em nada traduz o respeito que eu tenho às mulheres. Por isso, eu peço desculpas, foi uma fala equivocada, eu não tenho compromisso com o erro”, afirmou.

Raquel defendeu que sua atuação no poder público tem sido voltada a garantir informação e acesso ao planejamento familiar pela rede de saúde. Prefeita de Caruaru entre 2017 e 2022, ela está à frente do Governo de Pernambuco desde 2023.

A candidata também deu uma leitura eleitoral à divulgação do episódio. Sem mencionar João ou qualquer outro adversário, afirmou que a repercussão seria “mais uma tentativa de desviar o verdadeiro foco do debate”.

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