João e Marília propõem R$ 100 milhões para Lafepe produzir substância de canetas emagrecedoras
Anúncio ocorre três dias depois de o presidente Lula defender a oferta gratuita desses medicamentos pelo SUS
Publicado: 20/09/2026 às 12:47
Segundo o candidato, a proposta seria direcionada a pessoas com obesidade, diabetes e outras doenças associadas, desde que haja indicação médica (Foto: Marlon Diego)
O candidato ao Governo de Pernambuco João Campos (PSB) e a candidata ao Senado Marília Arraes (PDT) anunciaram, neste domingo (20), uma proposta de investimento de R$ 100 milhões no Lafepe para que o laboratório estadual passe a produzir a substância utilizada nas chamadas canetas emagrecedoras. O plano prevê a construção de uma nova planta e a oferta do tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) a pacientes que atendam aos critérios médicos.
O anúncio ocorre três dias depois de o presidente Lula (PT) defender a oferta gratuita desses medicamentos pelo SUS para pessoas com obesidade. O Ministério da Saúde ainda trabalha na avaliação da incorporação das canetas à rede pública e na elaboração de um protocolo para estabelecer quais pacientes poderão receber o tratamento.
Ao apresentar a proposta em Pernambuco, João afirmou que a intenção é aproveitar a estrutura do Laboratório Farmacêutico do Estado de Pernambuco Governador Miguel Arraes (Lafepe) para produzir localmente a substância e atender, inicialmente, à demanda estadual.
“Vai ter caneta emagrecedora no SUS. Marília já vinha trazendo essa ideia e o presidente Lula apresentou. Qual é a novidade? Nós vamos produzir a substância no Lafepe, aqui em Pernambuco, para garantir essa ação ao povo de Pernambuco que tem essas comorbidades”, afirmou João.
Segundo o candidato, a proposta seria direcionada a pessoas com obesidade, diabetes e outras doenças associadas, desde que haja indicação médica. Com o aumento da capacidade industrial, João também mencionou a possibilidade de o Lafepe fornecer a produção para outros estados.
“Pessoas com diabetes, com obesidade e outras comorbidades, que tenham orientação médica, poderão receber esse medicamento. Nós vamos produzir no Lafepe a substância. Uma nova planta de R$ 100 milhões vai ser construída para isso e, quem sabe, a gente também possa ajudar outros estados fornecendo a partir daqui”, disse.
Marília promete buscar recursos
Ao lado de João durante o anúncio, Marília Arraes afirmou que pretende atuar no Senado para buscar recursos destinados à implantação do projeto. A candidata também defendeu o fortalecimento do Lafepe como produtor público de medicamentos.
“Nosso mandato vai disponibilizar os recursos para isso e Pernambuco vai voltar a ser protagonista na produção desses medicamentos de ponta com o Lafepe, que sempre foi um grande sonho de Arraes: ver o Lafepe forte, servindo ao nosso povo”, declarou.
Marília também relacionou a proposta à redução da dependência externa na produção de medicamentos e tecnologias de saúde.
“É transferência de tecnologia, é soberania nacional, porque o Brasil e Pernambuco não vão ficar dependendo de outros países. E é o povo com acesso a um tratamento de qualidade para viver mais e viver melhor”, afirmou.
João encerrou o anúncio fazendo referência à história do laboratório estadual. “O Lafepe, que já teve a melhor vitamina C, agora vai ter a melhor caneta emagrecedora. Se preparem”, disse.
Anúncio de Lula
Na quinta-feira (17), durante visita ao complexo industrial da Eurofarma, em Montes Claros, Minas Gerais, Lula afirmou que o governo pretende disponibilizar gratuitamente pelo SUS medicamentos conhecidos como canetas emagrecedoras para pacientes com obesidade e indicação médica.
A oferta, porém, ainda não começou de forma ampla. O Ministério da Saúde conduz estudos para avaliar a incorporação dos medicamentos e definir um protocolo clínico para o tratamento. Uma das experiências em andamento acompanha 250 pacientes do SUS com obesidade grave ou associada a outras doenças no Grupo Hospitalar Conceição, em Porto Alegre.
Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o objetivo é estabelecer critérios para que a futura oferta seja destinada a pacientes que necessitem do medicamento e tenham acompanhamento médico. O estudo também avalia, entre outros pontos, pacientes que estão na fila para cirurgia bariátrica.
O governo federal também tem estimulado a produção nacional desse tipo de medicamento. De acordo com o Ministério da Saúde, há atualmente 14 produtos registrados no país para o combate à obesidade, enquanto a pasta avalia os impactos clínicos e econômicos de uma eventual oferta em maior escala pelo SUS.