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Em nova proposta para educação, João Campos promete 10 mil vagas de formação superior

Candidato afirmou que pretende ampliar ensino técnico e profissionalizante, investir em tecnologia e segunda língua e usar experiência do Embarque Digital como modelo para o estado

Adelmo Lucena

Publicado: 02/09/2026 às 18:18

João Campos (PSB) durante sabatina na Fiepe/Foto: Marlon Diego

João Campos (PSB) durante sabatina na Fiepe (Foto: Marlon Diego)

O candidato ao Governo de Pernambuco João Campos (PSB) prometeu, durante sabatina realizada nesta quarta-feira (2) pela Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (FIEPE), criar 10 mil vagas de formação de nível superior em quatro anos.

A proposta faz parte de uma agenda apresentada pelo candidato para ampliar a qualificação profissional, fortalecer a educação técnica e preparar o Estado para os efeitos da reforma tributária e para a disputa por investimentos com outras unidades da região Nordeste.

João afirmou que pretende construir a política de formação em diálogo com os arranjos produtivos e aumentar a participação de mulheres e pessoas pretas nos cursos de tecnologia. Como exemplo, citou o Embarque Digital, programa implantado durante sua gestão na Prefeitura do Recife.

“A média de participação feminina nos cursos de TI é de 15%. No Embarque Digital [programa em parceria com o Porto Digital], a gente tem mais de 35% de mulheres, e a participação de pessoas pretas é de mais de 50%.”

A proposta foi apresentada como parte de uma estratégia de aumento da competitividade de Pernambuco. Para o candidato, a reforma tributária vai simplificar o sistema e reduzir distorções, além de criar uma nova disputa entre os estados pela atração de empresas e investimentos.

Reforma tributária e disputa regional

O candidato avaliou que Pernambuco precisará aproveitar a janela de transição da reforma tributária, especialmente entre 2029 e 2033, para se posicionar diante dos demais estados.

“O desafio, eu enxergo que ele é muito maior para o próprio setor de serviços, mas a gente tem um novo eixo de desafio pela frente, que é garantir a competitividade regional. E a gente vai ter um desafio grande com a própria Zona Franca de Manaus, que passa a ser uma competidora muito maior do Nordeste brasileiro.”

João defendeu que o estado tenha um governo “multifuncional” para aproveitar o período de transição e afirmou que Pernambuco precisará disputar investimentos diretamente com Bahia, Ceará, Alagoas, Paraíba, Maranhão e Piauí.

Na avaliação do candidato, a infraestrutura será um dos principais fatores para determinar quais estados conseguirão aproveitar as mudanças trazidas pela reforma. Ele defendeu a utilização do Fundo de Desenvolvimento Regional (FDR) em conjunto com o setor produtivo e prometeu uma carteira de projetos estruturantes.

Transnordestina como prioridade

Entre os projetos citados por João está a conclusão do trecho pernambucano da Transnordestina. O candidato criticou o atual modelo de execução da ferrovia e defendeu que Pernambuco tenha maior participação na definição do formato de concessão.

Segundo ele, há uma diferença de tratamento entre os modelos adotados para os trechos de Pernambuco e do Ceará. Para João Campos, a solução passa por uma articulação política que permita a participação privada e a integração entre os governos envolvidos.

“O modelo está desenhado hoje e Pernambuco não vai conseguir ter uma abertura. A própria decisão do TCU já mostra o interesse de alguns em combater o trecho de Pernambuco, questionando a viabilidade técnica, econômica e social. Isso é completamente equivocado”, afirmou

“De um lado, tem o Ceará, com uma concessão feita a um operador privado da ferrovia, com fontes de financiamento que passam pelo acesso a crédito subsidiado do Fundo Constitucional do Nordeste e pelo Orçamento Geral da União. Do outro lado, tem o trecho de Pernambuco, que também só está no sonho de ter obra porque o presidente Lula mandou que fosse tocado exclusivamente pela Infra, uma empresa pública federal”, complementou o candidato.

Ele defendeu que o projeto deixe de ser tratado apenas como uma obra federal e seja encarado como uma prioridade de Pernambuco.

João Campos (PSB) durante sabatina na Fiepe - Foto: Marlon Diego
João Campos (PSB) durante sabatina na Fiepe (crédito: Foto: Marlon Diego)

“Essa é a obra do estado de Pernambuco. É por isso que a gente tem que chamar a responsabilidade para fazer com que a obra comece a ser dos três, para viabilizar a concessão. A gente precisa mudar logo a concessão para criar uma concorrência privada entre os dois, entre os três. Isso é decisivo. E, se não utilizar de força política para resolver isso, não vai ser resolvido.”

Para João, a ferrovia também pode funcionar como indutora de novas cadeias produtivas, especialmente na Mata Sul e no Agreste, além de fortalecer a logística de combustíveis e outros produtos. O candidato ainda citou o potencial logístico de Salgueiro e defendeu a criação de estruturas capazes de distribuir combustíveis e integrar diferentes regiões do Estado.

Ao longo da sabatina, João voltou a defender a necessidade de Pernambuco formar um grande portfólio de projetos para captar recursos e transformar financiamentos em obras estruturantes. O candidato alertou para o risco de o estado aumentar o endividamento sem conseguir converter os recursos em crescimento econômico.

Pacto antifacção

Na segurança pública, João defendeu a criação de um pacto antifacção e afirmou que o estado precisa combinar repressão qualificada, prevenção e inteligência financeira para combater o crime organizado.

O candidato também propôs ampliar a participação da Secretaria da Fazenda no programa de segurança, com o objetivo de rastrear recursos provenientes de atividades criminosas e impedir que empresas sejam utilizadas para movimentar dinheiro do crime.

“O Comando Vermelho não pode estar tomando conta de territórios em Pernambuco. Isso é uma realidade. É preciso lançar um grande pacto antifacção, em que a gente cuide dos territórios, onde a população não pague essa conta e onde a gente tenha a capacidade não só de fazer o enfrentamento qualificado no território, com prevenção e ações de fortalecimento da polícia, com papel comunitário, mas que a gente também tenha capacidade de garantir que Pernambuco é uma área onde não se tolera crime organizado.”

João também anunciou a criação da ação “De Olho na Estrada”, voltada ao monitoramento das divisas estaduais, com videomonitoramento, fiscalização e integração entre diferentes instituições. O candidato afirmou ainda que pretende adotar uma política de segurança sem orientação ideológica.

Ensino técnico

A educação técnica também foi colocada como prioridade e João prometeu duplicar a rede de ensino técnico estadual. Ele criticou a redução das matrículas na modalidade.

“Quando a gente fala da educação técnica, é claro que vai ter competitividade. Não se aumentou uma única escola técnica nesse período e, ao mesmo tempo, reduziu as matrículas existentes das escolas técnicas. Então, como é que Pernambuco vai ganhar competitividade com isso? A gente era o segundo do Nordeste e hoje é o penúltimo do em ensino médio técnico integrado. A gente vai duplicar a rede de ensino técnico do nosso estado.”

Além das escolas técnicas, o candidato defendeu o ensino de tecnologia e de uma segunda língua na rede regular de ensino. “A gente fez, na cidade do Recife, o primeiro programa de intercâmbio de uma cidade, e a gente vai incrementar a segunda língua e o ensino de tecnologia também na rede regular de ensino.”

Candidato João Campos (PSB) em sabatina da FIEPE
Candidato João Campos (PSB) em sabatina da FIEPE
Candidato João Campos (PSB) em sabatina da FIEPE
João Campos (PSB) durante sabatina na Fiepe
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