Ivan Moraes critica policiamento ostensivo e defende foco em investigação durante sabatina na FIEPE
Candidato do PSOL ao Governo de Pernambuco também propôs medidas para combater o crime organizado, criticou a guerra fiscal e defendeu investimentos em tecnologia, infraestrutura e conclusão da Transnordestina
Publicado: 02/09/2026 às 17:24
Ivan ainda defendeu mecanismos para aumentar a presença de mulheres e pessoas negras em posições de liderança nas cadeias produtivas (Foto: Reprodução)
O candidato ao Governo de Pernambuco, Ivan Moraes (PSOL), defendeu uma mudança na estratégia de segurança pública de Pernambuco durante sabatina promovida pela Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (FIEPE), nesta quarta-feira (2), no Recife. Ele criticou a concentração de investimentos no policiamento ostensivo e afirmou que, caso eleito, pretende priorizar investigação, inteligência e prevenção para enfrentar a criminalidade, especialmente o crime organizado.
A sabatina ocorreu às 15h, dentro da programação da FIEPE que reuniu os candidatos ao Governo de Pernambuco.
Ao abordar o tema, Ivan afirmou que o estado precisa rever a distribuição dos recursos destinados à segurança. Segundo ele, enquanto policiais militares são empregados em áreas com baixo índice de criminalidade, a Polícia Civil enfrenta dificuldades estruturais que comprometem a capacidade de investigação.
“Eu entendo que o chamado policiamento ostensivo, agora muito fortalecido pelo atual governo, colocando policiais militares recém-formados em lugares das cidades em que há baixo índice de criminalidade, é um uso pouco eficaz do recurso que a gente tem para a segurança pública. Porque, enquanto isso acontece, a Polícia Civil está desfinanciada, está precarizada. Muitas vezes, as delegacias não têm nem gasolina para colocar um carro na rua e fazer uma diligência. E é na investigação que a gente consegue começar a prevenir a violência.”
O candidato também citou o feminicídio entre os problemas que, na avaliação dele, exigem uma política específica de prevenção. Ivan defendeu um plano de enfrentamento à violência contra a mulher que deve começar na educação e incluir mecanismos de geração de renda e formação profissional para mulheres em relacionamentos abusivos.
Ele também propôs o fortalecimento da inteligência policial para atingir as estruturas de comando das organizações criminosas. “Me interessa muito pouco prender a raia miúda do crime. Isso só serve para a gente gastar dinheiro com cadeia. Eu quero prender os donos do crime, eu quero prender o presidente do crime, eu quero prender o diretor da empresa do crime: os cabeças”, afirmou.
Na mesma linha, defendeu ações para atingir o patrimônio das organizações criminosas e combater a lavagem de dinheiro. Ele também relacionou o combate à criminalidade ao enfrentamento da corrupção e defendeu o fortalecimento dos mecanismos de controle interno, a realização de concursos públicos e a atuação de servidores efetivos nas estruturas de fiscalização.
Reforma tributária e investimentos
Ao tratar da reforma tributária, Ivan disse não considerá-la um obstáculo, e sim um desafio para que Pernambuco reveja a forma de atração de empresas e reduza a dependência de incentivos fiscais.
O candidato criticou a chamada guerra fiscal e afirmou que benefícios concedidos de maneira discricionária não seriam, em sua avaliação, a melhor estratégia de desenvolvimento. Como exemplo, citou a redução do ISS para empresas de apostas esportivas no Recife e afirmou que a medida teria representado mais de R$ 100 milhões em renúncia no primeiro ano.
O candidato também defendeu que Pernambuco utilize seu poder de compra para estimular empresas locais e apostou na inovação como instrumento de desenvolvimento. Para ele, investimentos públicos devem ser direcionados a problemas de Pernambuco, como saúde, preservação da Caatinga e gestão de resíduos sólidos.
Expansão tecnológica e Transnordestina
A interiorização da tecnologia também apareceu entre as propostas apresentadas pelo candidato, que defendeu a ampliação da formação técnica e tecnológica para além da Região Metropolitana e citou o Porto Digital como referência para a criação de novas iniciativas voltadas a outros setores da economia.
Ele afirmou que Pernambuco precisa preparar trabalhadores para profissões que ainda não existem e ampliar a conectividade no interior. O candidato do PSOL ainda defendeu mecanismos para aumentar a presença de mulheres e pessoas negras em posições de liderança nas cadeias produtivas.
“Eu acho que esse tipo de indutor pode e deve ser usado pelo Estado no momento de investir nessas cadeias produtivas, porque é imprescindível para a nossa sociedade que haja mais mulheres em posições de comando, seja na política, seja na indústria, seja no comércio, seja na tecnologia.”
Outro tema abordado na sabatina foi a conclusão do trecho pernambucano da Ferrovia Transnordestina. Ivan afirmou que a obra é de responsabilidade do governo federal, mas pontuou que a gestão estadual precisa se antecipar para evitar entraves à execução do projeto.
Ele defendeu que Pernambuco atue junto ao governo federal e à FIEPE e também se prepare para eventuais desapropriações. De acordo com o candidato, qualquer retirada de moradores do traçado da ferrovia deve ocorrer com planejamento e garantia de melhores condições de moradia.
“O desenvolvimento econômico que a gente precisa para o nosso Estado não pode ser à custa da vida nem da moradia das pessoas que estão no caminho. Isso é muito importante, assim como também a gente não pode negligenciar qualquer tipo de impacto ambiental que possa advir da Transnordestina.”
Ivan ainda apresentou a possibilidade de estudar o uso da infraestrutura ferroviária para o transporte de passageiros. A proposta, segundo o candidato, permitiria reduzir distâncias e facilitar deslocamentos para saúde, educação, trabalho e turismo dentro de Pernambuco.
A Transnordestina também foi associada por Ivan à estratégia de desenvolvimento regional e à necessidade de melhorar a infraestrutura para tornar o estado mais atrativo para empresas e trabalhadores.