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Tarifaço: retaliação fica em espera enquanto governo aposta em negociação

Aplicação da Lei de Reciprocidade depende de análise da Camex e consulta pública

Rafaela Gonçalves - Correio Braziliense

Publicado: 17/07/2026 às 16:30

A expectativa é que Brasil e EUA mantenham os canais diplomáticos abertos para evitar uma escalada das tensões comerciais antes das eleições/AFP

A expectativa é que Brasil e EUA mantenham os canais diplomáticos abertos para evitar uma escalada das tensões comerciais antes das eleições (AFP)

Apesar de ter anunciado uma reação à tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, o governo federal decidiu adiar eventual retaliação comercial e priorizar a via diplomática. A aplicação da Lei de Reciprocidade Econômica continua no radar, mas dependerá da conclusão de etapas como análise pela Câmara de Comércio Exterior (Camex) e consulta pública.

 

Logo após o anúncio das tarifas, o Palácio do Planalto informou que recorreria à Organização Mundial do Comércio (OMC) e daria início aos procedimentos previstos na Lei de Reciprocidade Econômica. Em nota, o governo classificou a medida norte-americana como "unilateral", "ilegal" e "arbitrária".

Mais tarde, o vice-presidente, Geraldo Alckmin, indicou que a adoção de medidas de reciprocidade não será imediata. Segundo ele, o instrumento permanece disponível e poderá ser utilizado "no momento adequado".

A Lei de Reciprocidade Econômica autoriza a Camex a suspender concessões comerciais e de investimentos em resposta a medidas adotadas por outros países que prejudiquem a competitividade de produtos brasileiros.

Apesar da pressão por uma resposta imediata, integrantes do governo defendem a manutenção do diálogo com Washington. O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), Márcio Elias Rosa, afirmou que o Brasil permanecerá na mesa de negociações em busca de uma solução para o impasse comercial, enquanto avalia os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade Econômica.

Na avaliação de especialistas em comércio exterior, o espaço para uma negociação tende a ser limitado no curto prazo e pode ganhar tração apenas em 2027, após as eleições. Até lá, a expectativa é de que Brasil e Estados Unidos mantenham os canais diplomáticos abertos para evitar uma escalada das tensões comerciais.

Economistas também alertam que uma eventual adoção de medidas de reciprocidade exige cautela. A imposição de tarifas sobre produtos norte-americanos pode elevar o custo de máquinas, equipamentos, medicamentos, tecnologias e outros insumos importados, pressionando os custos de produção das empresas brasileiras e alimentando a inflação. Na avaliação de analistas, esse cenário reforça a estratégia do governo de esgotar as possibilidades de negociação antes de recorrer a medidas de retaliação.

Confira matéria completa no Correio Braziliense.

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