Jaques Wagner deixa liderança do governo no Senado após ser alvo da PF no caso Master
Decisão foi anunciada após reunião com Lula
Publicado: 24/06/2026 às 18:06
O senador Jaques Wagner. (Saulo Cruz/Agência Senado)
O senador Jaques Wagner (PT-BA) anunciou na tarde desta quarta-feira (24) que está deixando a liderança do governo no Senado Federal. A decisão ocorre após ele ser alvo da Polícia Federal por suspeita de receber pagamentos ligados ao Banco Master, de Daniel Vorcaro.
O comunicado foi realizado depois de reunião com o presidente Lula (PT). Em mensagem publicada nas redes sociais, Jaques Wagner diz que a decisão foi tomada em comum acordo com Lula.
"Neste momento, minha prioridade absoluta é provar minha inocência e me dedicar à reeleição do presidente Lula e do governador Jerônimo Rodrigues, além da minha reeleição junto com Rui Costa para o Senado", escreveu.
O senador acrescenta na publicação: "Juntos, com humildade e muito trabalho, renovaremos nosso compromisso com o projeto coletivo que vem mudando a Bahia e o Brasil".
A saída de Jaques Wagner da liderança era dada como certa nos bastidores.
Segundo a Polícia Federal, o senador teria sido o principal beneficiário de vantagens econômicas atribuídas a integrantes ligados ao banco. Os investigadores apontam uma proximidade entre Wagner e Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro, e levantam suspeitas sobre a atuação do parlamentar em temas de interesse da instituição financeira, como propostas relacionadas ao crédito consignado, ao limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e à fiscalização da compra do Banco Master pelo Banco Regional de Brasília (BRB).
Durante a operação, a PF recolheu US$ 49 mil, equivalentes a cerca de R$ 253 mil, em um quarto do hotel Brasília Palace, onde Wagner costuma se hospedar na capital federal. Também foram apreendidos 33,5 mil euros e US$ 6,1 mil em um imóvel do parlamentar em Salvador.
“A origem dos valores é lícita e comprovada. Parte é proveniente de diárias publicamente declaradas pagas pelo Senado para missões no exterior, e outra parte foi adquirida por meio de operações oficiais junto a instituição financeira, com registro regular. Não há nada a ocultar”, afirmou a defesa do senador.