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Disputa

Eleições para o governo de Pernambuco em 2026 prometem duelo acirrado

Cientista político avalia que possível disputa entre João Campos e Raquel Lyra para o governo do estado nas eleições de 2026 vai ser "uma briga boa"

Cecilia Belo

Publicado: 11/01/2026 às 22:00

Prefeito João Campos (PSB) e governadora Raquel Lyra (PSD)/Foto: Reprodução/Blog Dantas Barreto

Prefeito João Campos (PSB) e governadora Raquel Lyra (PSD) (Foto: Reprodução/Blog Dantas Barreto)

Enquanto a pesquisa da Genial/Quaest, realizada em agosto de 2025, mostra João Campos com 55% das intenções de voto, o que lhe garantiria, em tese, uma vitória no primeiro turno, Raquel Lyra aparece na segunda colocação, com 24%.
Já no levantamento do Instituto Paraná Pesquisas, realizado no final de dezembro, no cenário 1, o prefeito aparece com 53,1% das intenções de votos, enquanto a governadora tem 31%. No comparativo com a pesquisa deste instituto realizada em agosto, Campos perdeu 3,9 pontos percentuais, enquanto Raquel cresceu 7 pontos percentuais.

Para o cientista político, o cenário para 2026 "está longe de ser uma vitória antecipada para qualquer um dos lados". Thales ainda avalia que as pesquisas iniciais mostram o prefeito competitivo, mas que a máquina estadual possui mecanismos de recuperação.

Além disso, segundo ele, a migração de Raquel do PSDB para o PSD, partido comandado nacionalmente por Gilberto Kassab, é vista como uma vantagem competitiva para o processo de reeleição. “Para ser qualificada como governadora, ela precisa ser uma excelente articuladora. Sendo uma articuladora, ela consegue trazer vantagens competitivas para o processo eleitoral dela. Assim, (outra) vantagem é muito clara para ela é no sentido de poder de caneta, de ter uma mídia consolidada e verba de receita". Além disso, Castro avalia que Raquel fez o "dever de casa" ao formar alianças com prefeituras importantes, conseguindo envolver com expressividade o Agreste Meridional e Central, valendo-se de sua trajetória política como ex-prefeita de Caruaru.

Por outro lado, o prefeito do Recife apresenta entre um dos pontos a seu favor, de acordo com Thales, o histórico político da família Arraes. "João Campos tem, além do carisma natural, o conhecimento do DNA histórico, familiar, da política, desde o doutor Miguel Arraes, passando pelo saudoso Eduardo Campos, falecido em 2014. Ele já recebe isso na formação dele. Além do carisma, ele apresenta grande penetração e capilaridade nas mídias sociais e a história da família com Pernambuco", afirma.

Principais desafios
Um ponto crítico na avaliação do governo Raquel Lyra diz respeito às entregas, ou à ausência delas, especialmente na Região Metropolitana do Recife (RMR). O cientista político observa que, "enquanto João Campos mantém uma hegemonia expressiva na capital, a gestão estadual enfrenta questionamentos sobre o andamento de obras estruturantes".

"Com relação a Raquel e as suas entregas, ou melhor, as suas ‘não entregas’, isso é um fator que tem pesado muito. Porque, pelo menos aqui na Região Metropolitana do Recife, existem lacunas visíveis, como a Escola de Gastronomia próxima ao Tacaruna e ao Centro de Convenções, além do Liceu de Artes e Ofícios da Universidade Católica, na Praça da República, onde se veem apenas tapumes".

Ainda no campo da infraestrutura, o analista recorda que uma das principais entregas no início do mandato de Raquel, "a triplicação da BR-232 até a entrada da BR-408, foi uma obra engendrada e iniciada na gestão anterior, de Paulo Câmara". Para Castro, a aposta da governadora para 2026 pode ser arriscada: "convencer o eleitorado de que sua recondução é necessária para finalizar essas promessas", já que o ano eleitoral impõe um rígido engessamento pelas normas vigentes, restando à gestora o primeiro semestre de 2026 para destravar os projetos.

Em contrapartida, segundo o cientista político, "João Campos também enfrenta seus próprios desafios estratégicos”. “Embora tenha consolidado alianças com cidades-chave da geoeconomia pernambucana, como Petrolina, o prefeito precisa lidar com a perda de força narrativa apontada pelas métricas digitais", considera ele.

De acordo com a pesquisa do Instituto de Inteligência, em parceria com a Ativaweb, divulgada em maio do ano passado, embora o prefeito mantenha uma base robusta de 2,932 milhões de seguidores, houve um recuo de 1,6% nesse total. Raquel Lyra, por sua vez, apresentou um avanço de 3,5% na base de seguidores, alcançando 1,118 milhão. Ainda conforme o levantamento, ambos os gestores disputam a atenção de um eleitorado específico: mulheres de 25 a 34 anos, faixa onde conquistaram maior fidelidade.


Palanque pode ser duplo
O cientista político Thales Castro aponta que Raquel Lyra encontra-se, em grande medida, "emparedada" politicamente, e que o presidente Lula(PT) pode optar por um "palanque duplo", ou seja, apoiar Raquel e Campos para o governo de Pernambuco.

Essa não seria a primeira vez que Lula teve palanque duplo no estado. O presidente, em 2006, apoiou o petista Jarbas Vasconcelos (então no PMDB) e o socialista Eduardo Campos (PSB).

“A redução de tarifas e vitórias internacionais do governo Lula beneficiam as cadeias produtivas de Pernambuco, e a governadora busca encontrar um centro gravitacional para capitalizar esses avanços, tentando suavizar o isolamento político imposto pela oposição", explica Castro.

O especialista ressalta que, por outro lado, "João Campos conseguiu formatar esse vínculo de aliança de maneira muito mais forte com o governo federal". Castro explica que "a gestão estadual apresenta hipertrofia do Governo Federal na alocação de recursos e investimentos”.

“A dependência que estados e municípios têm da União coloca Raquel em uma posição delicada, visto que o apoio do presidente Lula tende naturalmente ao PSB. As recentes visitas de Lula ao estado, embora tenham contado com o cerimonial da governadora, reforçam a identidade do campo progressista liderado pelos Campos", avalia o cientista político. Por isso, complementa Castro, Raquel ficou "emparedada" politicamente. "Essa é uma desvantagem para ela", finaliza.

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