Sumida dos palanques do governo Lula, Raquel se reaproxima do PL
Governo Lula desconversa afastamento da governadora Raquel Lyra; no último sábado (23), ela jantou com Anderson Ferreira e Eduardo da Fonte, que costura a reaproximação
Publicado: 28/08/2025 às 19:33

Eduardo da Fonte, Raquel Lyra e Anderson Ferreira jantaram na casa do secretário estadual da Casa Civil em Gravatá, no último sábado (23) (Foto: Reprodução/Instagram/Anderson Ferreira)
Ausente nas últimas agendas do governo Lula em Pernambuco, a governadora Raquel Lyra (PSD) tem se reaproximado do PL de Anderson Ferreira. Junto ao deputado federal Eduardo da Fonte (PP), eles jantaram na casa do secretário estadual da Casa Civil, Túlio Vilaça, em Gravatá, no último sábado (23). Ambos Ferreira e da Fonte são pré-candidatos ao Senado Federal em 2026.
Da Fonte seria o responsável por incitar a aproximação. Aliados desde 2022, o PL rompeu com o Palácio depois que eles perderam o comando do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) para o próprio ‘Dudu’, como é conhecido o deputado federal.
Apesar do racha, Ferreira já havia declarado interesse em reatar com Raquel. Ele participou dos eventos partidários do PSD e até filiou quadros do PL na sigla, como a primeira-dama de Jaboatão dos Guararapes, Andrea Medeiros, que também é sua cunhada. O único impeditivo para uma aliança seria Raquel dividir o palanque com Lula em 2026.
Na Assembleia Legislativa (Alepe), as relações da base com o PL também se estreitaram. O palácio recebeu quatro dos cinco deputados estaduais do partido para negociar a indicação de um parlamentar simpatizante de Raquel para tentar garantir a maioria governista na CPI da Publicidade.
Esse diálogo de Raquel com a centro-direita se alinha com o projeto nacional do PSD. O presidente do partido, Gilberto Kassab, quer o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) como candidato à presidência em 2026, o que pode ser um caminho para a pernambucana conseguir o voto conservador e afastar associações ao bolsonarismo.
O grupo político de Anderson Ferreira também disputa o controle da legenda com a corrente mais ligada a Bolsonaro no Estado. No início de agosto, o diretório do PL no Recife fez uma mudança brusca na liderança ao tirar a presidência de Gilson Machado e dar para o vereador Paulo Muniz.
Da Fonte mais próximo
Raquel “chegou junto” da bancada do PP após João Campos começar a se aproximar de Eduardo da Fonte, seu principal aliado político e presidente estadual da federação União Progressista (UB/PP).
Hoje, Dudu controla uma fatia importante do orçamento do Estado, mas estaria insatisfeito com a falta de reciprocidade da governadora e por não participar de decisões importantes. No entanto, ambos se reuniram recentemente para aparar arestas.
‘Dois palanques’ de Lula esfriando
Raquel alegou conflitos de agenda nos dois últimos compromissos do governo Lula no Estado. Na passagem do petista por Goiana, na Mata Norte, e pelo Recife no último dia 14, ela estava nos municípios de Petrolina e Ouricuri, no Sertão, inaugurando escutas populares do Ouvir Para Mudar. A gestão estadual foi representada na agenda presencial pela vice-governadora Priscila Krause (PSD).
Já na agenda do ministro da Educação, Camilo Santana, na capital pernambucana na última quarta-feira (27), a governadora viajou por várias cidades do interior para vistoriar estradas, inaugurar uma cozinha comunitária e iniciar novas etapas do programa de escutas. Desta vez, o primeiro escalão de Raquel não esteve representado ao lado do ministério.
Tanto a governadora quanto o governo Lula desconversaram a ideia de que a ausência dela nos eventos seria um sinal de distanciamento. “Não pode pernambucano querer desmanchar em Brasília o que fazemos aqui. Temos parceria com o Governo Lula, com a Presidência da República e com todos os ministros”, discursou Raquel, em Ouricuri.
Uma resposta similar foi dada por Camilo Santana na quarta, questionado se a governadora estaria se distanciando de Lula. “Ao contrário. A governadora é uma parceira importante, esteve recentemente na solenidade do prêmio nacional do MEC. Sei o que é a agenda de governador, às vezes acontecem contratempos, mas vamos remarcar. Já fiz várias agendas com Raquel e voltarei outras vezes aqui para construirmos agendas conjuntas”, afirmou.
Apesar de manter uma boa relação, as ausências indicam que dividir palanques com Lula deixou de ser uma prioridade para Raquel diante da aliança praticamente garantida entre o presidente e o prefeito do Recife, João Campos (PSB), candidato natural para o governo de Pernambuco em 2026.
Alguns petistas ainda não descartam a possibilidade de dois palanques, mas o cenário não agrada João. Presidente nacional do PSB, o recifense articula apoio exclusivo do petista em Pernambuco e a permanência de Geraldo Alckmin (PSB) na vice-presidência em troca de fortalecer as chapas do PT em outros estados.

