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Conflito

Brasileiros sofrem com efeitos do conflito entre Hamas e Israel

Brasileiro que vive em Harish, em Israel, ressalta que há receio de que a violência se alastre e se manifeste de outras formas internamente, com um possível crescimento da revolta contra os judeus por parte da população árabe muçulmana que mora dentro de Israel

Publicado em: 09/10/2023 16:50 | Atualizado em: 09/10/2023 17:36

O sucesso do ataque por parte do grupo extremista islâmico se deu após o Hamas passar a ideia de que estaria cansado dos conflitos (Foto: Mahmud Hams/AFP)
O sucesso do ataque por parte do grupo extremista islâmico se deu após o Hamas passar a ideia de que estaria cansado dos conflitos (Foto: Mahmud Hams/AFP)

"Tenho evitado ao máximo sair de casa, me mantendo informado sobre orientações do governo de Israel e trabalhando remotamente. E a qualquer sinal de perigo, a recomendação é se abrigar no bunker por alguns minutos, estocar água e alimentos na medida do possível". Esta é a atual rotina de Arthur Azoubel, um dos 14 mil brasileiros que vivem em Israel atualmente.
 
O conflito entre Israel e a Palestina já dura décadas e não é novidade para os judeus e palestinos. No entanto, o recente ataque do grupo palestino Hamas foi visto como inesperado pela comunidade judaica. 

O sucesso do ataque por parte do grupo extremista islâmico se deu após o Hamas passar a ideia de que estaria cansado dos conflitos, fazendo com que Israel abaixasse a guarda. O grupo aproveitou a brecha para invadir Israel, munido de escavadeiras, foguetes, asa-delta e motocicletas. 

Arthur Azoubel mora em Harish, cidade no centro/norte de Israel, e explica que os israelenses estão cientes de situações de risco como esta e que a população já é habituada com o cenário, sabendo como deve prosseguir. “Quando há um ataque aéreo direcionado a determinada área, as sirenes soam e toda a população tem aproximadamente um minuto e meio para se dirigir aos abrigos subterrâneos, e nesse caso do ataque de ontem não foi diferente”, completa.

O brasileiro ressalta que o agravante inédito é o fato de que há mais de 50 anos Israel não sofria um ataque do Hamas por terra através da fronteira com Gaza e que a quantidade de mísseis enviados em um curto período de tempo também chamou a atenção. Estima-se que foram lançados cerca de 5 mil foguetes a partir da Faixa de Gaza.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, decidiu revidar os ataques e afirmou que “o nosso inimigo pagará um preço que nunca conheceu”. O contra-ataque começou no sábado (7), mesmo dia em que o Hamas invadiu Israel. Até o momento, o conflito deixou ao menos 1.200 pessoas mortas e três brasileiros estão desaparecidos.
 
O recifense Nathan Rosenthal também é judeu e, apesar de reconhecer a violência do grupo Hamas, ressalta que Israel reage de uma forma violenta aos ataques.
 
“A guerra é ruim pra todo mundo. Em guerra não existem sobreviventes, não existem pessoas que saiam bem, não existe vantagem. Todo mundo é vítima. A gente viu aí uma carnificina perpetuada dentro de Israel por parte do terror provocado pelo Hamas. E a gente vai ver também, aliás, já estamos vendo uma resposta desproporcional, e eu ouso afirmar, até mesmo brutal por parte de Israel”, completa.

De acordo com Nathan, o ciclo de violência só será quebrado com as saídas do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu do poder e do Hamas da Faixa de Gaza.

Força Aérea do Brasil começa a resgatar brasileiros presos em Israel

O Brasil está enviando aviões para Tel Aviv, em Israel, a fim de resgatar os brasileiros que estão no país nesta segunda-feira (9). O primeiro, um Airbus A330-200 convertido em um KC-30 com capacidade para 230 passageiros, saiu nesta manhã. 

Outro KC-30 e dois KC-390, com capacidade para 80 passageiros cada, além de duas aeronaves da Presidência da República, com capacidade para transportar até 40 passageiros cada uma, serão enviados ao país. De acordo com a FAB, o segundo KC-30 partiu às 16h de hoje.

O Itamaraty estima que ao menos 30 brasileiros vivem na Faixa de Gaza e outros 60 em Ascalão e em localidades na zona de conflito. Já em Israel, a embaixada brasileira já tinha reunido, até este domingo, informações de cerca de mil brasileiros hospedados em Tel Aviv e em Jerusalém interessados em voltar ao Brasil. A maioria é de turistas que estão em Israel.

Com informações da Agência Brasil.

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