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GUERRA

Espanha se junta à queixa contra Israel no TIJ

Queixa foi apresentada no Tribunal Internacional de Justiça (TIJ) pela África do Sul, que acusa o país de genocídio na Faixa de Gaza

Publicado em: 06/06/2024 16:27 | Atualizado em: 06/06/2024 16:28

Espanha quer afirmar o compromisso com o direito internacional e fortalecer assim as Nações Unidas, disse ministro das Relações Exteriores do país (Foto: AFP/Arquivos/Gabriel Bouys
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Espanha quer afirmar o compromisso com o direito internacional e fortalecer assim as Nações Unidas, disse ministro das Relações Exteriores do país (Foto: AFP/Arquivos/Gabriel Bouys )
O governo espanhol anunciou que pretende se unir à queixa contra Israel apresentada no Tribunal Internacional de Justiça (TIJ) pela África do Sul, que acusa de genocídio na Faixa de Gaza. 
 
“A Espanha vai se juntar ao processo perante a situação em Gaza, a continuação da operação militar israelita neste território palestino e a extensão regional do conflito. A Espanha pretende com este passo o regresso da paz a Gaza e ao Oriente Médio. E para isso é urgente que todos apóiem o Tribunal Internacional de Justiça das Nações Unidas, como faz hoje Espanha, para que se respeitem as suas medidas cautelares", disse José Manuel Albares, ministro das Relações Exteriores espanhol.
 
O chanceler ainda declarou que seu país quer também afirmar o compromisso com o direito internacional e fortalecer assim as Nações Unidas. Albares afirmou que a Espanha pretende com este passo o regresso da paz em Gaza e no Oriente Médio, mas ressaltou que o governo espanhol não está se pronunciando sobre o delito em si porque cabe ao TIJ decidir se há um genocídio na Faixa de Gaza.
 
"O que vamos fazer é intervir nessa queixa apoiando o tribunal na sua interpretação", garantiu, sublinhando que apoia as medidas cautelares já adotadas pelo TIJ e que Israel não está cumprindo, acrescentando que a Espanha apoiará qualquer decisão que esta instância venha a tomar.

Com este novo anúncio de hoje, a Espanha se une a outros países e à Autoridade Nacional Palestina que já solicitaram ou disseram que vão solicitar, como a Bélgica e a Irlanda, ao TIJ se juntar ao processo iniciado pela queixa da África do Sul.
 
A África do Sul apresentou o caso ao TIJ no fim do ano passado, no qual acusou o governo de Tel Aviv de violar a Convenção sobre Genocídio na ofensiva militar que destruiu grandes áreas de Gaza. Por outro lado, Israel nega as acusações e diz exercer seu direito a defesa após o ataque do Hamas. 
 
O TIJ já emitiu três ordens preliminares no processo, instando Israel a fazer tudo o que estiver ao seu alcance para evitar mortes civis no enclave palestino, permitir a entrada de ajuda humanitária e, mais recentemente, pôr fim à ofensiva à cidade de Rafah, onde se encontravam concentrados mais de 1,4 milhões de palestinos deslocados pela guerra.
 
O conflito em Gaza que já causou uma catástrofe humanitária e que continua a ameaçar se alastrar pela região do Oriente Médio, fez até agora mais de 36 mil mortos, mais de 83 mil feridos e cerca de 10 mil desaparecidos, presumivelmente soterrados nos escombros, em sua maioria de civis.
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