Mídia revela que Houthis exigem US$ 51 bilhões da Arábia Saudita para encerrar às hostilidades
A Arábia Saudita tem enfrentado repetidos ataques do grupo, que é apoiado pelo Irã
Publicado: 05/11/2026 às 18:09
O grupo rebelde dos Houthis, apoiado pelo Irã, controla grande parte do Iêmen (Foto: AFP)
O jornal The Wall Street Journal noticiou hoje que o grupo rebelde iemenita Houthis exigiu US$ 51 bilhões da Arábia Saudita como compensação por anos de ataques aéreos sauditas e um bloqueio prolongado. Os Houthis ainda impuseram um reconhecimento formal do grupo como os governantes do Iêmen, em troca do fim das hostilidades.
A Arábia Saudita tem enfrentado repetidos ataques do grupo, apoiado pelo Irã, desde que os Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra o território iraniano em fevereiro, abrindo mais uma frente na guerra entre os EUA e o Irã. Em resposta, o governo de Riade busca fortalecer suas parcerias regionais de defesa, tendo assinado o Acordo Conjunto de Defesa de Meca com o Paquistão e a Turquia, em agosto, além de ontem ter firmado um acordo de cooperação em defesa com a Síria.
Nesta quinta-feira (05), as autoridades sauditas emitiram alerta sobre o potencial perigo em Yanbu, um dos seus principais centros de exportação de petróleo na costa do Mar Vermelho. Turki al Maliki, porta-voz da coalizão liderada pela Arábia Saudita, aliança militar que combate os rebeldes Houthis e visa restaurar ao poder o governo reconhecido internacionalmente do Iêmen, também comunicou que as defesas antiaéreas interceptaram e destruíram um míssil balístico lançado pela milícia em direção à região de Medina".
Por outro lado, o grupo rebelde iemenita negou o ataque à cidade considerada sagrada pelo Islã. “A alegação do inimigo saudita sobre a interceptação de um míssil no espaço aéreo de Medina constitui mais uma das suas grandes e flagrantes falsidades contra o seu povo muçulmano e as suas forças armadas", acusou Yahya Sarea, porta-voz militar dos Houthis.
Sarea sustentou que as operações dos Houthis têm como único alvo as instalações petrolíferas e as bases militares do inimigo e acrescentou que o Iêmen professa o máximo respeito pelos lugares sagrados.
A defesa civil saudita ainda emitiu alerta de emergência para a região sudeste de Sharurah, na fronteira com o Iêmen, e na cidade de Jazan, que abriga uma refinaria da gigante estatal petrolífera Aramco com uma capacidade de produzir 400 mil barris de petróleo bruto por dia.
Em contrapartida, as forças do governo do Iêmen informaram que travaram uma ofensiva em grande escala dos Houthis em Taiz, fazendo dezenas mortos ou feridos entre os combatentes rivais. Os confrontos começaram na frente de al-Aqrud e se alastraram em várias zonas e as forças governamentais dizeram que conseguiram avançar nas frentes de Kahlan e Sabr.
Por enquanto, os Houthis apenas confirmaram até o momento terem lançado um ataque na quarta-feira (04) ao aeroporto internacional de Riade. As autoridades sauditas não confirmaram esse ataque.
Esforços diplomáticos entre vizinhos da região
O ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, conversou hoje com os seus homólogos da Arábia Saudita e do Catar sobre os últimos progressos nos esforços diplomáticos destinados a garantir a estabilidade na região. As discussões decorrem num contexto de intensificação dos ataques dos Houthis, alinhados com Teerã, contra o reino saudita.
O Catar também desempenha um papel de mediador entre os Estados Unidos e o Irã, numa tentativa de pôr fim à guerra mais alargada.