Arábia Saudita lança coligação multinacional para proteger navegação no Mar Vermelho
Segundo o governo saudita, a coligação pretende proteger a liberdade de navegação e as vias de abastecimento energético através do estreito de Bab al-Mandeb, do Mar Vermelho e do golfo de Aden
Publicado: 31/07/2026 às 21:56
Mar Vermelho (KHALED ZIAD / AFP)
A Arábia Saudita anunciou uma nova coligação multinacional de defesa marítima, com a participação de 14 países, incluindo Paquistão, Turquia, Jordânia e Egito, que será desenvolvida para proteger o transporte no Mar Vermelho e travar o bloqueio e a campanha crescente do grupo iemenita dos Houthis, apoiado pelo Irã, na navegação desta rota.
Segundo o governo saudita, a coligação pretende proteger a liberdade de navegação e as vias de abastecimento energético através do estreito de Bab al-Mandeb, do Mar Vermelho e do golfo de Aden. A Arábia Saudita é o Estado fundador e líder, assim como acolherá a sede permanente, o comando conjunto e o centro operacional da coligação. O ministério da Defesa saudita assegurou também que a porta permanece aberta a que outros países se juntem após concluírem os respectivos procedimentos nacionais.
A União Europeia, que mantém no Mar Vermelho a missão militar naval de proteção Aspides, embora tenha enviado uma delegação para a reunião da criação da coligação, não assinou o acordo. Por isso, ainda não ficou claro como a nova coligação liderada pela Arábia Saudita irá se articular com a missão europeia já existente.
Segundo uma publicação do jornal britânico The Guardian, a Arábia Saudita também prepara uma ofensiva por mar, e talvez terrestre, contra áreas do Iêmen controladas pelos Houthis.
No entanto, o líder dos Houthis do Iêmen, Abdul-Malik al-Houthi, já ameaçou a Arábia Saudita com uma escalada total, poucas horas antes do governo de Riade anunciar a nova coligação de defesa marítima. Além disso, avisou que os aviões vendidos pela Turquia à Arábia Saudita se transformarão em material invendável assim que forem abatidos no Iêmen. “Riade já perdeu drones norte-americanos MQ-9 e aeronaves fornecidas pela China no conflito. Os indicadores mostram que a parte saudita caminha para uma escalada total e nós responderemos à sua escalada total com uma escalada total”, afirmou al-Houthi.
Al-Houthi ainda acusou a Arábia Saudita de manter o Iêmen num ciclo deliberado de crise econômica e política, descrevendo como uma agressão EUA-Arábia Saudita que decorre desde que a coligação liderada pelos sauditas interveio na guerra, em 2015. “O período de desescalada surgiu apenas depois de um claro fracasso saudita-americano em quebrar a resistência iemenita. E o nosso povo não está em disputa com o regime saudita por nada que lhe pertença, mas sim pela nossa terra, a defesa da soberania, pelos nossos recursos, pela nossa liberdade e pela nossa dignidade”, declarou o líder, negando que seja um intermediário do Irã ou de qualquer outra potência.
“Os houthis são xiitas aliados do Irã e chegaram ao poder no final de 2014 depois de tomarem à capital Sanaa e de ocuparem o palácio presidencial e posições militares estratégicas, forçando o governo iemenita ao exílio, integram o chamado Eixo da Resistência de Teerã. O Eixo é uma rede pouco estruturada de milícias em alguns países da região, incluindo o Hezbollah no Líbano, o Hamas em Gaza e grupos no Iraque, apoiados, treinados e equipados, em diferentes graus, pela Guarda Revolucionária do Irã.
A Arábia Saudita é uma das maiores aliadas dos Estados Unidos no Oriente Médio. Os sauditas e iranianos são comandados por regimes fundamentalistas, respectivamente sunitas e xiitas, e adversários históricos. A Arábia Saudita e os Houthis estão em guerra desde a tomada de poder destes, em 2014. No último dia 14, os sauditas atacaram com mísseis o aeroporto de Sanaa, retomando um conflito que se encontrava numa trégua informal desde 2022. Os houthis, por sua vez, retaliaram.
Bloqueio naval
Os Houthis anunciaram na semana passada um bloqueio naval contra a Arábia Saudita a partir do dia 20 de julho. O estreito de Bab al-Mandeb, que liga o sul do Mar Vermelho ao golfo de Aden e ao oceano Índico, concentra cerca de 12% do comércio marítimo mundial.
Mas, o movimento rebelde reivindicou um ataque contra um navio-tanque saudita ao largo do porto de Jazan, na costa sul do reino no Mar Vermelho. Desde então, o governo de Riade lançou ataques aéreos contra posições militares e infraestruturas houthis em Hodeida, o principal porto do Iêmen no Mar Vermelho.
Quanto ao ataque com drone contra o terminal de GNL de propriedade norte-americana no porto egípcio de Damietta, na quarta-feira, os houthis negaram categoricamente a participação. No entanto, a agência de noticias Saba, ligada ao grupo, citou um responsável que afirmou que as informações divulgadas sobre o ataque eram “incorretas” e que as operações do movimento estavam limitadas a atacar somente a Arábia Saudita em resposta ao cerco e à agressão contínua contra o povo iemenita.
O governo egípcio confirmou ontem que as investigações preliminares concluíram que um drone provocou o incêndio, sendo que nenhum grupo reivindicou a autoria.