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ELEIÇÕES 2026

Onda democrata pode dar ao partido maior força na Câmara em mais de três décadas

Partido já conquistou 228 cadeiras e ainda lidera dezenas de disputas. Se confirmar as projeções, a bancada democrata poderá alcançar seu melhor resultado desde 1990

Nilton Vilanova

Publicado: 04/11/2026 às 11:01

Na manhã desta quarta-feira (4), os democratas haviam conquistado 228 das 435 cadeiras, contra 139 dos republicanos/Jim Watson/AFP

Na manhã desta quarta-feira (4), os democratas haviam conquistado 228 das 435 cadeiras, contra 139 dos republicanos (Jim Watson/AFP)

O Partido Democrata caminha para terminar as eleições de meio de mandato dos Estados Unidos com sua maior bancada na Câmara dos Representantes em mais de três décadas. Na manhã desta quarta-feira (4), os democratas já haviam conquistado 228 das 435 cadeiras, contra 139 dos republicanos. Dezenas de disputas ainda não têm resultado definido, mas projeções de analistas e da imprensa americana apontam para um resultado final ainda mais vantajoso para os democratas.

O número conquistado nesta quarta já supera com folga os 212 deputados que os democratas tinham antes da eleição e representa uma virada de pelo menos 25 cadeiras em relação aos republicanos. Para controlar a Câmara, são necessários 218 assentos. A apuração, entretanto, sugere que a bancada democrata pode crescer bastante além desse número.

O partido lidera em outras dezenas de distritos e poderá ultrapassar as 260 cadeiras, o que colocaria seu desempenho no patamar mais alto desde 1990, quando os democratas elegeram 267 representantes.

A força da onda democrata aparece especialmente nas cadeiras tomadas de republicanos. A Pensilvânia foi um dos estados com maior número de viradas, enquanto Iowa e Wisconsin também registraram perdas importantes para o partido de Donald Trump.

Entre os resultados mais simbólicos está o Texas, onde o cantor de música tejana Bobby Pulido derrotou a republicana Monica De La Cruz no 15º distrito congressional. Pulido, um democrata que se apresenta como conservador, recuperou uma cadeira que os republicanos haviam conquistado em 2022, em uma região que durante décadas foi dominada pelo Partido Democrata.

A mudança na Câmara acontece ao mesmo tempo em que os democratas também retomam o Senado. A legenda chegou a 54 cadeiras na Câmara Alta, incluindo dois independentes que integram a bancada democrata, contra 44 republicanos, garantindo o controle das duas Casas do Congresso.

O resultado representa um revés direto para Donald Trump. O presidente iniciou seu segundo mandato com os republicanos controlando a Casa Branca, o Senado e a Câmara. 

A partir de janeiro, Trump terá de lidar com um Congresso dominado pela oposição, que poderá controlar a agenda legislativa, conduzir investigações sobre o governo e dificultar a aprovação de medidas orçamentárias. A liderança democrata na Câmara deverá ficar com Hakeem Jeffries, que, se confirmado como presidente da Casa, será o primeiro homem negro a ocupar o terceiro cargo mais importante na linha de sucessão presidencial.

A dimensão da derrota republicana também já começa a influenciar a disputa política para 2028. No Texas, James Talarico derrotou Ken Paxton e tornou-se o primeiro senador democrata eleito pelo estado desde 1993, interrompendo mais de três décadas de domínio republicano na Câmara Alta. Segundo analistas políticos, a vitória, somada ao avanço democrata em outros estados tradicionalmente conservadores, indica que o mapa político americano poderá sofrer mudanças importantes nos próximos dois anos.

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