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PROTESTOS NA FRANÇA

Protestos estudantis retornam às ruas na França nesta terça-feira (13)

Semana de mobilizações é anunciada como crucial e pode se somar aos protestos de sábado contra o alto custo de vida, neste conturbado último ano de mandato do presidente de centro-direita, Emmanuel Macron

AFP

Publicado: 13/10/2026 às 14:20

A França registra manifestações em todo o país em apoio a estudantes que protestam contra as más condições em sala de aula/SYLVAIN THOMAS / AFP

A França registra manifestações em todo o país em apoio a estudantes que protestam contra as más condições em sala de aula (SYLVAIN THOMAS / AFP)

Os estudantes de ensino médio voltaram às ruas da França nesta terça-feira (13), com apoio da ativista sueca Greta Thunberg, decididos a continuar sua luta por melhores condições na educação e considerando que receberam apenas "migalhas" do governo.

"Não vamos baixar os braços", afirmou Ryad Rani, líder da organização estudantil USL, que convocou a população a se juntar às manifestações de sábado, no início de uma marcha em Paris.

Esta semana de mobilizações é anunciada como crucial e pode se somar aos protestos de sábado contra o alto custo de vida, neste conturbado último ano de mandato do presidente de centro-direita, Emmanuel Macron.

Após bloqueios no início da manhã de terça, milhares de pessoas, sobretudo estudantes do ensino médio, universitários e professores, começaram a se manifestar em várias cidades francesas, com o apoio de sindicatos.

"Por que há tanto dinheiro para a defesa, mas não para a juventude?", questionou Jonas, de 17 anos, em Bordeaux.

"Nós somos o futuro!", entoavam manifestantes em Lens, onde, na semana passada, um jovem perdeu uma mão como consequência de uma granada de efeito moral utilizada pelas forças de segurança.

Cerca de 480.000 pessoas se manifestaram nesta terça-feira na França, segundo organizações estudantis em um comunicado à imprensa, enquanto as autoridades estimaram um número de 161.500 manifestantes.

Há uma semana, os protestos reuniram 450.000 pessoas, de acordo com os organizadores, número que foi rebaixado pelas autoridades para 266.000.

Os estudantes universitários também se juntaram aos protestos desta terça. Cerca de 90% das quase 70 universidades francesas estavam "bloqueadas" ou "fechadas" neste dia 13, segundo a União Estudantil, um número estimado em 35% pelas autoridades.

O ministro da Educação, Édouard Geffray, indicou uma "redução" do número de escolas de ensino médio fechadas preventivamente em comparação às semanas anteriores: cerca de 200 das 3.700 no país.

Thunberg "orgulhosa"

Em um dos centros da mobilização, a escola de ensino médio Paul Éluard de Saint-Denis, ao norte de Paris, os estudantes contaram com o apoio de Greta Thunberg, que afirmou estar "enormemente orgulhosa dos estudantes franceses".

"Estão roubando o nosso futuro e, como pudemos constatar aqui, as escolas não recebem os investimentos de que precisam. Isso envia uma mensagem aos jovens: 'Na nossa sociedade, vocês não são uma prioridade'", afirmou.

A maioria dos manifestantes têm entre 15 e 18 anos e suas reivindicações são variadas: a falta de professores substitutos, até dez horas de aulas por dia, salas deterioradas e inadequadas às mudanças climáticas e um sistema de acesso à universidade visto como pouco transparente.

No fim da semana passada, o ministro da Educação anunciou a rápida contratação de 3 mil professores substitutos, o que é considerado insuficiente pelas organizações estudantis, que reivindicam um plano de 10 bilhões de euros (56 bilhões de reais) para as instituições de ensino médio.

"Calma" e "ordem"

Esta mobilização, em sua maioria pacífica, foi marcada por confrontos entre policiais e manifestantes, que deixaram dezenas de feridos, entre eles 147 membros de funcionários da educação, segundo as autoridades.

As manifestações devem ocorrer "com calma, com ordem e respeitando tanto as pessoas quanto os bens", advertiu Macron na segunda-feira, acusando o partido de esquerda radical A França Insubmissa, de Jean-Luc Mélenchon, de querer "se aproveitar" da ira dos jovens.

A menos de sete meses da eleição presidencial para escolher o sucessor presidencial, em que a ultradireitista Marine Le Pen lidera as pesquisas, os protestos estudantis e a resposta policial dominam o debate político.

O primeiro-ministro anunciou que apresentará emendas para retomar "algumas das propostas formuladas" pelos estudantes em uma consulta on-line, que na sua maioria apontam os horários sobrecarregados e os problemas de infraestrutura.

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