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'Lutando por nosso futuro': estudantes convocam novos protestos na França

Falta de substitutos para professores ausentes e horários sobrecarregados estão entre as pautas das organizações estudantis

AFP

Publicado: 08/10/2026 às 17:22

Cerca de 71.500 pessoas voltaram às ruas de Paris, segundo autoridades/SIMON WOHLFAHRT / AFP

Cerca de 71.500 pessoas voltaram às ruas de Paris, segundo autoridades (SIMON WOHLFAHRT / AFP)

Organizações estudantis e sindicatos convocaram, nesta quinta-feira (8), uma grande manifestação para 13 de outubro, por considerarem insuficientes as respostas do governo francês às suas reivindicações de medidas concretas para melhorar as condições de aprendizagem nas escolas de ensino médio.

Cerca de 71.500 pessoas, segundo as autoridades, voltaram às ruas de Paris e de outras cidades para denunciar a falta de substitutos para professores ausentes e horários sobrecarregados, além de salas de aula deterioradas e incapazes de suportar o aumento das temperaturas.

Após se reunir com organizações estudantis, o ministro da Educação Nacional, Édouard Geffray, anunciou no telejornal noturno da TF1 que serão mobilizados até terça-feira 3.000 professores substitutos para cobrir as ausências em cerca de 500 escolas de ensino médio em situação crítica na França.

Mas essa é apenas uma das reivindicações. Desde o fim de setembro, os estudantes do ensino médio, em sua maioria entre 15 e 18 anos, também exigem melhorias nessa etapa do ensino e a suspensão ou mudanças no Parcoursup, um sistema de acesso ao ensino superior que consideram pouco transparente.

"Enquanto não houver 10 bilhões [de euros, R$ 56 bilhões] sobre a mesa, continuaremos nos mobilizando", afirmou horas antes Sabrine Kharbach, porta-voz da Union Étudiante, que convocou uma adesão "em massa" à mobilização de 13 de outubro. Na última terça-feira, entre 266.000 e 450.000 pessoas já haviam participado dos protestos.

Na praça da Bastilha, em Paris, dezenas de jovens escalaram nesta quinta-feira o famoso monumento situado no centro, alguns agitando a bandeira francesa e cantando o hino nacional, antes de a polícia começar a dispersar os manifestantes com investidas e gás lacrimogêneo.

Sentado com as pernas penduradas no alto de um ponto de ônibus, um estudante segurava um cartaz que dizia: "Motivo da ausência: ocupados demais lutando pelo nosso futuro".

O primeiro-ministro, de centro-direita, afirmou na noite de quarta-feira que "ninguém pode permanecer indiferente às angústias que expressam" os estudantes, mas adiou as "primeiras decisões" para o "fim de outubro", sem anunciar medidas concretas.

Os protestos ocorrem em um contexto de tensão para o governo, que busca aprovar no Parlamento um orçamento para 2027 com um forte ajuste fiscal de 60 bilhões de dólares (cerca de 300,7 bilhões de reais) para limitar o elevado déficit e uma dívida pública recorde.

Além disso, os franceses devem escolher no próximo ano o sucessor do presidente de centro-direita Emmanuel Macron. A ultradireitista Marine Le Pen, favorita nas pesquisas, acusou o atual presidente de se colocar "sempre do lado de quem ataca a polícia".

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