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ATAQUE

Drones ucranianos atacam maior depósito de combustível da Europa na Rússia

Ataques atingiram instalações do consórcio Transneft em Samara; em resposta, forças russas intensificaram bombardeios contra a infraestrutura de Kiev

Isabel Alvarez

Publicado: 02/10/2026 às 18:32

Ataques atingiram instalações do consórcio Transneft em Samara; em resposta, forças russas intensificaram bombardeios contra a infraestrutura de Kiev./Reprodução de vídeo

Ataques atingiram instalações do consórcio Transneft em Samara; em resposta, forças russas intensificaram bombardeios contra a infraestrutura de Kiev. (Reprodução de vídeo)

Nesta sexta-feira (2), um ataque em larga escala da Ucrânia atingiu uma refinaria e um grande depósito de combustível na região de Samara, localizada na parte sudeste da Rússia Europeia. A estrutura pertence ao consórcio russo Transneft, a maior empresa estatal de transporte por oleodutos do mundo.

Testemunhas relataram fortes explosões e incêndios nas instalações de armazenamento da Transneft no complexo LPDS Samara — o maior parque de tanques de combustível da Europa, com capacidade superior a 1,6 milhão de metros cúbicos de petróleo. A estatal sofre severas sanções econômicas impostas por Estados Unidos, União Europeia, Reino Unido e aliados ocidentais.

O Ministério da Defesa da Rússia confirmou apenas que Samara foi alvo de ataques com drones ucranianos, enquanto autoridades locais anunciaram o fechamento temporário do aeroporto regional.

Na região de Volgogrado, o governador Andrei Bocharov reportou um ataque maciço contra a infraestrutura industrial local, incluindo uma refinaria e a fábrica química Kaustik, onde eclodiram incêndios. Na véspera, o presidente russo, Vladimir Putin, afirmou que o país não enfrenta escassez de combustível, embora tenha proibido recentemente a divulgação de dados de exportação e processamento de refinarias pelos meios de comunicação.

Dezenas dessas instalações foram atacadas pelas forças ucranianas nos últimos meses, em uma estratégia que visa a pressionar a economia de guerra de Moscou. Na quinta-feira (1º), o líder russo admitiu que as investidas custaram à Rússia cerca de 1% do PIB nacional, reconhecendo que Kiev atingiu parcialmente seus objetivos.

Segundo o Ministério da Defesa russo, a defesa aérea abateu 646 drones durante a noite sobre 13 regiões europeias do país, além da península da Crimeia e dos mares Negro e de Azov.

Rússia intensifica ofensiva contra a infraestrutura ucraniana

Em contrapartida, as forças russas voltaram a atingir a ponte Pivdennyi, em Kiev, que permanece interditada. A estrutura vem sendo bombardeada desde a manhã de quinta-feira, quando drones atingiram seus pilares de sustentação, com novos ataques registrados durante a madrugada.

A interdição gera forte impacto logístico, por se tratar de uma das principais artérias de transporte sobre o rio Dnieper entre as margens leste e oeste da capital.

O prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, classificou a situação na capital como extremamente crítica. "O inimigo está destruindo Kiev: infraestrutura crítica, logística, habitação e serviços sociais. O agressor ataca, mais uma vez, o setor energético", declarou Klitschko em sua conta no Telegram.

Em Kharkiv, um prédio residencial desabou após bombardeios russos na tarde desta sexta-feira, deixando ao menos dois mortos e 36 feridos.

ONU alerta para escalada no número de vítimas civis

O Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, alertou que nos primeiros oito meses do ano cerca de 15.280 civis morreram ou ficaram feridos na guerra na Ucrânia — uma média superior a 400 vítimas por semana, representando um aumento de 55% em relação ao mesmo período de 2025.

“A escalada contínua cria uma espiral de vingança e represálias que terá consequências terríveis para a população durante décadas”, declarou Türk em debate no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas.

O comissário dirigiu-se ainda à população russa para pontuar que o conflito serve principalmente a uma elite no poder e a grupos com interesses financeiros no setor militar.

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