G7 vai liberar 100 milhões de barris de gasóleo das reservas emergenciais
Grupo é formado por Alemanha, Canadá, EUA, França, Itália, Reino Unido e Japão, além da União Europeia
Publicado: 02/10/2026 às 14:37
Lula falou após participar como convidado da cúpula do G7 na França (RICARDO STUCKERT / PR)
De acordo com um comunicado conjunto divulgado hoje pelo G7, os países do grupo planejam liberar, de forma coordenada, 100 milhões de barris de diesel e petróleo das reservas de emergência, através da Agência Internacional de Energia (AIE).
"Implementaremos os nossos compromissos com uma liberação coordenada, por meio da AIE, de 100 milhões de barris, com início imediato e duração de quatro meses, incluindo uma liberação substancial e antecipada de gasóleo nos primeiros 20 dias por parte dos membros e parceiros do G7. Nos reuniremos no âmbito da AIE nos próximos dias para discutir a possibilidade de liberações adicionais de gasóleo, conforme necessário", diz a nota do gabinete do presidente francês, Emmanuel Macron.
Macron, cujo país assume atualmente a presidência rotativa do G7, explicou que não há qualquer proibição às exportações de gasóleo entre os países que integram o grupo. Sobre esta questão, a Comissão Europeia avisou que uma proibição ou restrição da exportação de gasóleo, levantada pelos Estados Unidos, colocaria em causa o estatuto de Washington como parceiro confiável.
As medidas acordadas pelos sete países do grupo, formado pela Alemanha, Canadá, EUA, França, Itália, Reino Unido e Japão, além da União Europeia que também participa das reuniões do G7, deverão fazer baixar os preços dos combustíveis no mercado global e aliviar o sistema de abastecimento, afetado pela guerra no Oriente Médio.
Em relação ao anúncio do G7, a presidência irlandesa do Conselho da UE, também informou que será realizado um debate hoje para avaliar a atual situação energética.
Segundo a mídia, em discussão no G7 está à liberação de 50 milhões de barris de gasóleo por parte dos países europeus, o que equivale a 17 % das reservas totais de emergência da União Europeia, aponta os dados do Eurostat, o órgão oficial de estatísticas da UE. Os membros da AIE deverão ficar responsáveis pela outra metade.
A administração Trump pressionou essa semana a União Europeia para disponibilizar ao mercado global 120 milhões de barris de diesel ao longo dos próximos seis meses. As agências de notícias internacionais publicaram que Washington alertou que caso os países europeus não concordassem poderia decidir restringir as exportações do produto. Tal medida atingiria duramente o mercado europeu, dependente dos derivados dos EUA, especialmente após sanções à Rússia.
Em agosto, a AIE indicou que as reservas globais observadas tinham diminuído cerca de 410 milhões de barris desde o início da guerra EUA-Israel contra o Irã, enquanto a escassez de gasóleo e de combustível para aviões elevou as margens de refinação a níveis recorde.
As reservas de emergência da UE permanecem elevadas e estão disponíveis em caso de perturbações de mercado, apesar dos mercados de gasóleo e de combustível para aviões continuem sofrendo pressão e os preços estejam altos. A UE já participou de uma grande liberação coordenada em março, quando a AIE supervisionou a liberação de 400 milhões de barris.
Os países da UE contribuíram com cerca de 20% do total, embora uma parte significativa ainda não tivesse chegado ao mercado na semana passada. Por sua vez, o diretor-executivo da AIE, Fatih Birol, instou os países do bloco europeu a usar cotas de março ainda disponíveis numa reunião informal de ministros da Energia, realizada em Dublin no dia 29 de setembro.