Mulher que sobreviveu à execução nos EUA está em "condição crítica", diz advogado
Caso trouxe à tona novos apelos para que o estado do Tennessee elimine a pena de morte
Publicado: 01/10/2026 às 17:43
Christa Pike (HANDOUT/TENNESSEE DEPARTMENT OF CORRECTION/AFP)
Uma mulher do Tennessee que havia sido condenada à pena de morte por assassinato sobreviveu a duas injeções letais e foi hospitalizada nesta quinta-feira (1º), anunciaram seus advogados. "Disseram-nos que ela se encontra em estado crítico e está recebendo atendimento médico para salvar sua vida", afirmou Randy Spivey, um dos advogados de Christa Pike.
Christa, de 50 anos, que se tornaria a primeira mulher a ser submetida à pena de morte no estado do Sul dos Estados Unidos em 200 anos. Mas a execução não funcionou, sendo a segunda execução fracassada no estado em poucos meses.
O caso reacendeu os apelos para que o estado do Tennessee elimine a pena de morte. Nesta quinta, o alto comissário para os Direitos Humanos, Volker Türk, instou o estado do Tennessee a desistir de executar Pike.
"O caso de Christa Pike deixa em evidência múltiplas razões pelas quais a pena de morte deveria ser abolida", destacou em publicação no X. "O sofrimento prolongado - físico e mental - resultante de múltiplas tentativas fracassadas de execução é abominável e cruel. E seguem sem solução questões-chave sobre a equidade do julgamento", afirmou.
Robin Maher, diretora do observatório especializado Death Penalty Information Center (DPIC), referência nos Estados Unidos, declarou à imprensa que "não há precedentes" de um caso assim.
Os advogados de Pike disseram, em um comunicado, que foram registrados todos os riscos sobre os quais tinham advertido antes da execução: "Dificuldade para acessar as veias, veias danificadas, pentobarbital degradado e falta de atendimento médico de emergência". O pentobarbital, um poderoso barbitúrico, é utilizado na assistência ao suicídio nos países onde esta prática é legal e em procedimentos de eutanásia veterinária.