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VIOLÊNCIA

ONU documenta mais de mil casos de violência sexual na guerra da Ucrânia

O número conhecido representa apenas uma fração da realidade

Isabel Alvarez

Publicado: 18/09/2026 às 15:28

 Volker Türk,  alto comissário da ONU para os Direitos Humanos./ Foto: Jean Marc Ferré/UNHCR

Volker Türk, alto comissário da ONU para os Direitos Humanos. ( Foto: Jean Marc Ferré/UNHCR)

O Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volver Turk, anunciou hoje que mais de mil casos de violência sexual foi documentado desde o início da invasão russa da Ucrânia o final de julho deste ano, sendo quase 90% atribuído a parte russa.

No entanto, segundo Danielle Bell, chefe da Missão de Monitorização dos Direitos Humanos da ONU na Ucrânia, o número conhecido representa apenas uma fração da realidade.

"Estou profundamente alarmado com a prevalência destes atos hediondos e temo que continuem no contexto da violência incessante a que assistimos todos os dias na Ucrânia", lamentou Turk.

A investigação do órgão se baseou em entrevistas confidenciais a centenas de vítimas de atos cometidos pelos dois lados, além de documentos judiciais e registros oficiais. “Os investigadores conseguiram entrevistar apenas cerca de 10% dos prisioneiros libertados por ambos os lados e não tiveram acesso aos territórios ucranianos atualmente controlados pela Rússia”, explicou Bell.

Do total de casos documentados, 89% foram atribuídos ao lado russo, incluindo membros das Forças Armadas, do sistema prisional e dos serviços de segurança, e 11% ao lado ucraniano.

De acordo com o Alto-Comissariado, estes atos se inserem num padrão chocante de tortura, intimidação e coação registrado desde o início da guerra. A maioria das vítimas são homens, principalmente em locais de detenção, apesar de mulheres e crianças terem também sido alvo de violência sexual, sobretudo nos territórios ucranianos ocupados.

"As violações cometidas incluem violações coletivas, violações, mutilações genitais, choques elétricos e golpes nos órgãos genitais, assim como outros atos degradantes de natureza sexual", detalhou o organismo das Nações Unidas.

A vítima de violação mais nova documentada tinha 04 anos e a mais velha 82 anos, sendo ambos os casos atribuídos pelas Nações Unidas às autoridades russas. “Vários homens relataram ter sofrido choques elétricos nos órgãos genitais e um prisioneiro de guerra ucraniano afirmou ter sido violado com um bastão. Outro relatou ter sido submetido a penetração forçada com chaves de uma cela”, cita o relatório.

Uma mulher afirmou que um soldado russo se instalou na sua casa, na região de Zaporijia, e a violou várias vezes por semana durante um mês, prometendo em troca garantir um melhor tratamento ao marido, que se encontrava detido. Entre os casos atribuídos às autoridades ucranianas contra prisioneiros de guerra russos ou cidadãos de países terceiros, cerca de metade consistiu em ameaças de violência sexual.

Os restantes incluíram casos de nudez forçada, choques elétricos e golpes nos órgãos genitais, tratamentos sexualmente degradantes, duas agressões sexuais e duas tentativas de violação.

"Tanto a Rússia como a Ucrânia devem investigar todas as alegações credíveis de violência sexual de modo rápido, minucioso e imparcial e garantir que os responsáveis sejam plenamente levados à justiça", defendeu Turk.

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