Repórter relembra a cobertura dos atentados de 11 de setembro quando estava na redação do Diario
A jornalista Ana Nogueira trabalhava no jornal quando ocorreram os atentados e registrou o clima de medo que chegou aos recifenses
Publicado: 11/09/2026 às 17:01
Ana Nogueira escreveu sobre o clima no Recife no dia dos atentados (Foto: Acervo pessoal)
"Nesse dia o mundo parou", recorda a jornalista Ana Nogueira, 59. Naquele dia, 11 de setembro de 2001, a então repórter da editoria de Vida Urbana, do Diario de Pernambuco, bateu o ponto às 11h. Desde às 10h, o atentado era transmitido em todas as emissoras de TV. Àquela altura, apenas uma das torres do World Trade Center havia sido atingida em Nova York. "Estava todo mundo em pé. Aquele clima de fim do mundo", recorda.
Ana, que até ali não conhecia um dos maiores monumentos dos Estados Unidos (EUA), o descobriu. Assistiu ao vivo ao segundo ataque e foi a escalada para verificar o impacto nas ruas do Recife do início do Século 21. O fim do mundo não era apenas um clima, mas uma convicção. "Parecia que aquelas coisas ali iriam avançar. Não apenas contra bin Laden. Parecia que o negócio iria explodir de vez", conta.
À preocupação de uma retaliação ostensiva dos Estados Unidos e dos aliados europeus, instaurou-se uma expectativa. No dia 12 de setembro, o Diario publicou um especial intítulado "Terror". Dentre as reportagens e outros desdobramentos na capital pernambucana, a matéria de Ana Nogueira: "Recifenses temem início da 3ª guerra".
Os consulados dos Estados Unidos no Brasil, dentre eles o do Recife, tiveram o expediente reduzido e os prédios, evacuados; agências de turismo locais previam a queda na venda de pacotes de viagens aos "States"; técnicos norte-americanos, que estavam no Mosteiro de São Bento para a embalagem de uma peça que seria exibida no Museu Guggenheim, em Nova York, foram liberados para falar com familiares; e a comunidade judaica local recebeu o apoio das polícias Federal e Militar.
A repórter se tornaria uma espécie de setorista sobre o tema, no jornal, até 2002. Mas também escrevia percepções em uma caderneta. "Agora, fico apreensiva quando escuto barulhos de avião", assinalou à época.
"Eu li muito sobre isso. Devo ter entrado muito nessas histórias", fala à reportagem. O 11 de setembro foi um episódio que mudou aquele mundo. A imprensa mundial repercutiu à exaustão cada desdobramento. Anos depois, em agosto de 2004, diante da reabertura ao público da Estátua da Liberdade - fechada desde o atentado -, a repórter escreveu: "O 11 de setembro não acaba".