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Limpeza étnica

Doze países anunciam restrições comerciais a assentamentos israelenses na Cisjordânia

Canadá, Dinamarca, Finlândia, França, Islândia, Irlanda, Noruega, Polônia, Portugal, Espanha, Suécia e Reino Unido confirmaram intenção de introduzir restrições comerciais

Isabel Alvarez

Publicado: 08/09/2026 às 13:52

Israel devolverá aos palestinos o controle de uma zona onde estava instalado um assentamento israelense na Cisjordânia. O anúncio foi feito pela organização israelense de direitos humanos Yesh Din. A área foi confiscada há 30 anos. Foto: AFP/ Hazem Bader/

Israel devolverá aos palestinos o controle de uma zona onde estava instalado um assentamento israelense na Cisjordânia. O anúncio foi feito pela organização israelense de direitos humanos Yesh Din. A área foi confiscada há 30 anos. Foto: AFP/ Hazem Bader ()

Nesta terça-feira (8), os ministros das Relações Exteriores de 12 países declararam que vão apoiar restrições ao comércio de bens produzidos em assentamentos israelenses na Cisjordânia, considerados ilegais sob o direito internacional.

"Hoje, Canadá, Dinamarca, Finlândia, França, Islândia, Irlanda, Noruega, Polônia, Portugal, Espanha, Suécia e Reino Unido confirmam sua intenção de introduzir restrições nacionais e/ou apoiar restrições europeias ao comércio de bens com os assentamentos ilegais, ou de considerar ativamente estas e outras medidas, de acordo com seus procedimentos nacionais. As ações do governo de Israel na Cisjordânia estão comprometendo a possibilidade de uma solução de dois Estados", afirma o comunicado conjunto.

Sanções e proibições

O chanceler do Reino Unido, Ed Miliband, já anunciou a proibição total do comércio de bens e serviços com as colônias israelenses na Cisjordânia ocupada.

"Hoje anuncio que a posição oficial do governo britânico é a de que a ocupação é ilegal devido ao reforço do seu controle, à sua intenção de alargar a soberania permanente e à sua agenda expansionista por meio de assentamentos ilegais. O governo britânico reconhece que está ocorrendo uma limpeza étnica dos palestinos em zonas da Cisjordânia, perpetrada por colonos extremistas, e que, com frequência, o governo de Israel tem fechado os olhos para essa situação", disse Miliband, criticando ministros israelenses que dão declarações e atuam para apoiar o deslocamento forçado de palestinos.

O ministro das Relações Exteriores britânico acrescentou que também serão adotadas medidas contra empresas e indivíduos específicos que prestem serviços de construção, infraestrutura, financiamento ou mercado imobiliário para a expansão dos assentamentos, em particular na zona E1. “O regime de sanções terá como alvo os assentamentos ilegais e sua expansão, e não o Estado de Israel”, explicou Miliband, ressaltando suas raízes como judeu britânico cujos familiares foram mortos pelo nazismo.

A França também confirmou que iniciará o processo para banir produtos provenientes dessas áreas. De acordo com o ministro das Relações Exteriores francês, Jean-Noël Barrot, o aumento da violência compromete ainda mais as perspectivas de paz. “Por que estamos fazendo isso? Porque a Cisjordânia está perto de explodir — há uma expansão desenfreada dos assentamentos, um recrudescimento da violência contra os palestinos e atos de terror que foram condenados pelas próprias autoridades israelenses”, pontuou Barrot.

Israel critica medidas

Por outro lado, o presidente de Israel, Isaac Herzog, afirmou que os países que aderirem às sanções cometerão um grave erro de cálculo e ficarão do lado errado da história. "As sanções não são a solução. Precisamos de diálogo. Digo a todos os governos estrangeiros: parem! Não embarquem no caminho sem saída das sanções e dos boicotes", declarou Herzog.

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