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Nações Unidas pedem a Israel que cesse ataques na Síria

"Trata-se de outra violação muito preocupante da integridade territorial e do espaço aéreo da Síria. Estes ataques aéreos devem cessar e, obviamente, nos opomos a eles", declarou Stéphane Dujarric, porta-voz do secretário-geral da ONU

Isabel Alvarez

Publicado: 19/08/2026 às 16:23

Esta foto tirada de uma posição na fronteira de Israel com a Faixa de Gaza mostra unidades de artilharia móvel israelenses posicionadas perto da cerca da fronteira com o território palestino sitiado em 17 de setembro de 2025. Israel lançou seu ataque terrestre à Cidade de Gaza antes do amanhecer de 16 de setembro, logo após a visita do Secretário de Estado dos EUA, que expressou forte apoio à ofensiva, enquanto uma investigação das Nações Unidas acusava Israel de cometer "genocídio" no território palestino e acusava seu primeiro-ministro e outras autoridades de alto escalão de incitação. (Foto de Jack GUEZ / AFP)/ AFP

Esta foto tirada de uma posição na fronteira de Israel com a Faixa de Gaza mostra unidades de artilharia móvel israelenses posicionadas perto da cerca da fronteira com o território palestino sitiado em 17 de setembro de 2025. Israel lançou seu ataque terrestre à Cidade de Gaza antes do amanhecer de 16 de setembro, logo após a visita do Secretário de Estado dos EUA, que expressou forte apoio à ofensiva, enquanto uma investigação das Nações Unidas acusava Israel de cometer "genocídio" no território palestino e acusava seu primeiro-ministro e outras autoridades de alto escalão de incitação. (Foto de Jack GUEZ / AFP) ( AFP)

A Organização das Nações Unidas pediu hoje a Israel para que interrompa a sua ofensiva na Síria, após o governo israelense ter confirmado ter atacado um aeroporto militar no noroeste do território sírio, alegando que a base aérea iria receber forças turcas.

"Trata-se de outra violação muito preocupante da integridade territorial e do espaço aéreo da Síria. Estes ataques aéreos devem cessar e, obviamente, nos opomos a eles", declarou Stéphane Dujarric, porta-voz do secretário-geral da ONU.

Segundo Tel Aviv, o ataque na terça-feira (18) ao aeroporto militar da Síria ocorreu porque o governo de Damasco esteve prestes a quebrar o acordo de statu quo de segurança entre ambos os países, ao permitir que tropas turcas se deslocassem para a base, que fica situada nos arredores da cidade de Idlib.

Israel, que bombardeou na madrugada de ontem com aviões de guerra a pista do aeroporto, afirmou ter avisado repetidamente a Síria de que esta deslocação de tropas poria em risco a segurança do país. “A Síria optou por ignorar esses avisos", declarou o gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

A televisão estatal síria noticiou que a ofensiva causou graves danos materiais, mas não houve vítimas.

O governo sírio expressou que a continuidade dos ataques de Israel desde dezembro de 2024, quando o presidente Bashar al-Assad foi derrubado, até hoje revela mais uma vez as tentativas da ocupação israelense de minar estes esforços e arrastar a região para uma maior tensão e instabilidade. Damasco responsabilizou Israel por esta escalada e fez um apelo à comunidade internacional e ao Conselho de Segurança da ONU para que condenem claramente esta agressão e adotem uma postura firme contra as reiteradas violações israelense da soberania síria.

Por outro lado, destacou que o Estado sírio está comprometido com a contenção e trabalha para consolidar a estabilidade e evitar uma escalada. “Condenamos veementemente a agressão como uma violação flagrante da soberania territorial síria”, diz o comunicado do Ministério das Relações Exteriores da Síria.

Mas, Israel ainda acusou a Turquia de representar uma ameaça ao seu país por ter se preparado para enviar forças para a base na Síria. O novo governo sírio liderado por Ahmed al-Sharaa mantém fortes laços de cooperação e aliança estratégica com a Turquia, especialmente após a queda do regime de Bashar al-Assad. Ancara apoia o processo de transição e a reconstrução síria, assim como os Estados Unidos, que inclusive condenou o ataque israelense.

Turquia rejeita acusações de Israel

A Turquia rejeitou hoje as alegações israelenses de que estava ou está se preparando para enviar tropas para uma base na Síria. Ancara classificou as acusações de falsas e também criticou o fato de Israel visar legitimar os ataques aéreos ilegais contra a soberania e integridade territorial da Síria.

O país mediterrânico tem sido um dos menos atingidos do Médio Oriente pela guerra iniciada pelos Estados Unidos e Israel no Irão a 28 de fevereiro, embora tenha sido afetado economicamente.

Sob a presidência de Ahmed al-Sharaa, a Síria evita a participação direta nos combates, ao mesmo tempo que mantém uma atividade diplomática e de segurança que tem permitido a Damasco aproveitar a crise regional para consolidar a sua nova posição na região após a queda de Al-Assad.

Turquia rejeita alegações de Israel sobre envio de tropas para Síria

A Turquia rejeitou hoje as alegações de Israel de que Ancara está a preparar-se para enviar tropas para uma base na Síria, bombardeada por Telavive no dia anterior.

A direção de Comunicações da Presidência da Turquia classificou as acusações de Israel como falsas e criticou o facto de visarem "legitimar os ataques aéreos ilegais de Israel contra a soberania e integridade territorial da Síria".

Na madrugada de terça-feira, aviões de guerra israelitas atacaram um aeroporto militar nos arredores de Idlib, no noroeste da Síria, causando danos na infraestrutura, mas sem provocar vítimas, informou a televisão estatal síria.

Posteriormente, o gabinete do Primeiro-Ministro israelita, Benjamin Netanyahu, considerou que o ataque foi justificado, por considerar que a Síria tinha permitido a deslocação de tropas turcas para a base aérea, o que teria suposto uma "rutura do status quo" militar entre ambos os países.

Ancara assegurou que as "acusações derivam da intenção de Netanyahu de dar continuidade às suas políticas expansionistas e desestabilizadoras" na região, com vista às eleições parlamentares marcadas para outubro em Israel.

Além disso, a Turquia reiterou a vontade de trabalhar em prol de uma "paz duradoura" e insistiu que "jamais permitirá a desestabilização da Síria", com quem "continuará a cooperar".

Complementando este cenário, o alvo específico do bombardeamento foi a base aérea de Abu Duhur, no leste da província de Idlib, tendo a imprensa regional registado até oito incursões aéreos contra as pistas e instalações do local.

O ataque ocorreu poucas horas após a visita de uma delegação militar turca que inspecionava a infraestrutura para planejar a reativação da base.

A ação israelita gerou também uma reação de Washington, com o enviado especial dos Estados Unidos para a Síria, Tom Barrack, a classificar o bombardeamento como uma "escalada desnecessária que em nada favorece a estabilidade regional".

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