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Agente do ICE aponta arma e xinga mulher nos EUA: "Vou te prender"

Filha de imigrantes salvadorenhos, Carolina disse ao jornal que entende o que a sua comunidade está enfrentando. Ela conhece pessoas que foram deportadas e outras cujos pais estão em situação migratória irregular

Estadão Conteúdo

Publicado: 13/08/2026 às 16:28

Porta-voz disse que os  agentes do ICE pararam o veículo

Porta-voz disse que os agentes do ICE pararam o veículo "temendo por sua segurança" (Reprodução/X)

Uma mulher da Virgínia afirmou na quarta-feira (12) que um agente federal de imigração do Serviço de Imigração e Fiscalização Aduaneira dos Estados Unidos (ICE na sigla em inglês) apontou uma arma para sua cabeça e alegou falsamente que ela havia tentado atropelar agentes durante um encontro ocorrido no início da semana na cidade de Falls Church, informou a ABC News.

Segundo a emissora, Carolina Molina, de 36 anos, disse durante uma entrevista coletiva organizada por grupos de defesa dos imigrantes que percebeu os veículos sem identificação e agentes federais realizando prisões.

Ela visitava escritórios de advocacia locais para fazer contatos profissionais e distribuir cartões de visita.

Carolina afirmou que passou de carro por um agente do ICE e gritou um insulto pela janela, disse à ABC News. "Como cidadã americana, sinto que tenho direito à Primeira Emenda."

A mulher fez referência ao dispositivo da constituição dos Estados Unidos que protege, entre outros direitos, a liberdade de expressão.

A ABC News também informou que ela relatou que um agente do ICE bloqueou o seu veículo e depois apontou uma arma para a sua cabeça enquanto perguntava por que ela estava seguindo ele. Quando pegou o celular para gravar a interação, a situação "mudou", disse Carolina.

"Foi aí que senti que a situação mudou", afirmou a mulher. "Parecia que ele começou a criar a ideia de: 'Você está tentando nos atropelar. Ela estava tentando nos atropelar', e assim por diante. E não foi isso que aconteceu", explicou, na coletiva.

A ABC News informou que a mulher disse ter ficado "chocada", ao ver o agente apontar a arma para ela. "Eu disse: 'Você está mesmo fazendo isso?'", afirmou. "Quer dizer, você está realmente fazendo isso? Eu não conseguia acreditar, e foi aí que as coisas aconteceram."

Ela disse ao jornal The Washington Post que antes de entrar no complexo de escritórios, viu dois agentes do ICE detendo dois homens que pareciam latinos nas proximidades da via Columbia Pike. Segundo ela, os detidos caíram no chão, e ela gritou com os agentes.

Filha de imigrantes salvadorenhos, Carolina disse ao jornal que entende o que a sua comunidade está enfrentando. Ela conhece pessoas que foram deportadas e outras cujos pais estão em situação migratória irregular. Seus pais obtiveram a cidadania durante o governo de Bill Clinton, quando a fiscalização migratória era "muito diferente do que está acontecendo agora", afirmou.

Em comunicado à ABC News, o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) afirmou que Carolina "começou a dirigir em círculos ao redor de nossos agentes do ICE e depois tentou ferir os agentes usando seu veículo como arma - tudo na tentativa de ajudar imigrantes em situação ilegal a fugir".

"Temendo por sua segurança, os agentes do ICE pararam o veículo da motorista", disse um porta-voz. "As informações necessárias sobre a motorista foram coletadas, e ela pode responder criminalmente por suas ações."

Na segunda-feira (10) o DHS divulgou que os agentes do ICE poderão receber luvas capazes de aplicar choques elétricos dolorosos para conter pessoas que resistam às abordagens. A agência planeja gastar até US$ 20 milhões (cerca de R$ 103 milhões) na compra de milhares de dispositivos.

Chamadas de G.L.O.V.E. (Generated Low Output Voltage Emitter), as luvas são fabricadas pela Compliant Technologies LLC, empresa de Lexington, no estado do Kentucky.

O equipamento já é utilizado por algumas penitenciárias e departamentos de polícia nos Estados Unidos.

*Com informações da AP

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