Professor de jiu-jítsu brasileiro é detido pelo ICE; alunos fazem vaquinha para pagar defesa
Brasileiro dava aula há mais de dez anos em academia e está preso há 11 dias
Publicado: 04/08/2026 às 16:40
O brasileiro Thiago Brito é professor jiu-jítsu em Fairless Hills (Reprodução/Redes sociais)
O professor brasileiro de jiu-jítsu Thiago Brito, de 34 anos, foi preso há 11 dias pelo Serviço de Imigração e Fiscalização Aduaneira dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês) em um aeroporto na Filadélfia, na Pensilvânia.
A academia Tri State Kickboxing e MMA, em Fairless Hills, onde Thiago dá aulas há mais de dez anos, afirmou em uma publicação nas redes sociais que ele foi preso no Aeroporto Internacional da Filadélfia em 24 de julho, quando tentava embarcar para a Flórida, onde seus alunos participariam de um torneio de jiu-jítsu.
"Seja como treinador, parceiro de treino, mentor ou amigo, você provavelmente já experimentou sua generosidade, paciência e comprometimento em ajudar os outros a se tornarem melhores - dentro e fora dos tatames", escreveu a Tri State Kickboxing e MMA.
"Ele agora enfrenta uma difícil batalha legal que exigirá representação jurídica especializada em imigração e custos legais significativos", afirmou. Questionado sobre o que motivou a prisão do brasileiro, o ICE não respondeu à tentativa de contato do Estadão.
Para ajudar a custear a defesa jurídica de Thiago, que inclui honorários de advogado de imigração, despesas judiciais e taxas de processos, a academia organizou uma vaquinha. A meta é arrecadar US$ 35 mil (cerca de R$ 179 mil na cotação atual) e, até esta terça-feira, 4, já haviam sido arrecadados US$ 28,8 mil (R$ 147 mil).
A academia também pediu que as pessoas escrevessem cartas de apoio ao professor, nas quais deveriam falar sobre a importância dele para a comunidade e o que ele representa para elas. O material será utilizado no processo de imigração, em uma tentativa de evitar que Thiago seja deportado.
A Tri State Kickboxing e MMA compartilhou depoimentos de alguns alunos. Liam Karas, de 14 anos, afirmou em uma carta que Thiago era como "um terceiro pai" para ele.
"Viajei, competi e treinei com ele por 7 anos. Eu não gostaria que ninguém mais fosse meu treinador. Ele não apenas me aprimorou fisicamente, mas também mentalmente, ensinando-me muitas lições de vida que nunca esquecerei e que levarei comigo pelo resto da minha vida", escreveu o adolescente.
O organizador da vaquinha, Jeffrey Jones, afirmou que conseguiu visitar o professor no centro de detenção na segunda-feira (3). "Embora tenha sido incrivelmente difícil vê-lo nessa situação e nesse ambiente, também foi muito bom poder vê-lo, passar um tempo com ele e lembrá-lo de que ele não está sozinho", escreveu.
"Estamos fazendo tudo o que podemos para preparar e apresentar o caso mais forte possível para a audiência de fiança e estamos rezando para que ela seja marcada o mais rápido possível. Continuamos lutando a cada passo do caminho para trazê-lo para casa", acrescentou.