Arábia Saudita, Turquia e Paquistão assinam pacto de defesa mútua
O acordo de cooperação militar determina que um ataque armado contra qualquer um dos três signatários do denominado Acordo de Defesa Conjunta de Meca será considerado um ataque contra todos
Publicado: 07/08/2026 às 13:34
Muçulmanos xiitas gritam palavras de ordem durante um protesto contra a onda de ataques israelenses contra o Irã, em Skardu, na região montanhosa de Gilgit-Baltistan, no Paquistão, em 13 de junho de 2025. O Paquistão, o único país islâmico com armas nucleares, "condenou veementemente" em 13 de junho uma onda de ataques israelenses contra seu vizinho Irã. (Foto de Manzoor BALTI / AFP) ( AFP)
Após um ano de negociações, autoridades da Arábia Saudita, da Turquia e do Paquistão assinaram, nesta sexta-feira (7), em Meca, um acordo de cooperação militar que inclui uma cláusula de defesa e proteção coletiva e mútua.
O documento determina que um ataque armado contra qualquer um dos três signatários do denominado Acordo de Defesa Conjunta de Meca será considerado um ataque contra todos. No entanto, não foram divulgados detalhes sobre o alcance dos compromissos assumidos por cada um dos países.
O pacto também tem como objetivo reforçar a dissuasão contra agressões externas, além de fortalecer a promoção da paz, da segurança coletiva e da estabilidade no Oriente Médio. O acordo de proteção mútua também guarda semelhanças com o princípio estabelecido no artigo 5º do Tratado do Atlântico Norte, documento fundador da OTAN.
Além disso, o Acordo de Meca mantém em aberto a adesão de outras nações da região e não anula acordos bilaterais ou multilaterais firmados anteriormente.
"O simbolismo político do encontro é significativo. Três dos Estados mais influentes do mundo muçulmano se reúnem em um momento de grande incerteza, demonstrando uma disposição crescente entre potências regionais e médias para uma coordenação mais estreita em questões de segurança", afirmou o empresário saudita Dr. Abdulaziz Sager, presidente do think tank Gulf Research Center, com sede em Jeddah.
Sager ainda comenta que a cooperação entre os três países poderia fortalecer sua influência diplomática e impulsionar uma arquitetura regional de segurança.
"Se institucionalizada e traduzida em cooperação concreta, a estrutura trilateral poderá fortalecer o peso diplomático e de defesa coletiva dos três países, ao mesmo tempo em que contribuirá para o surgimento de uma arquitetura de segurança mais orientada pela dinâmica regional", conclui.