Ministros da UE se reuniram para avaliar a crise em Ceuta
Após o término do encontro, os ministros mostraram unidade, apoio e elogios a resposta da Espanha à crise
Publicado: 04/08/2026 às 19:36
Grupo de imigrantes marroquinos (Foto por HENRY NICHOLLS / AFP)
Os ministros do Interior da União Europeia se reuniram hoje por videoconferência para tratar da crise migratória que decorreu em Ceuta após milhares de imigrantes terem entrado na cidade autônoma espanhola, localizada no norte da África, através da fronteira com o Marrocos.
Também participaram da reunião extraordinária os ministros dos países que integram o Acordo do Espaço Schengen, entre os quais, Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein, assim como representantes da agência policial da UE (Europol), da Agência Europeia da Guarda de Fronteiras e Costeira (Frontex) e da Agência da União Europeia para o Asilo.
Após o término do encontro, os ministros mostraram unidade, apoio e elogios a resposta da Espanha à crise. Além disso, se comprometeram ainda a reforçar as fronteiras externas da União Europeia, aprimorar os sistemas de alerta antecipado, os mecanismos de regresso de migrantes em situação irregular e o combate às redes de tráfico humano.
A situação em Ceuta desencadeou divergências e trocas de acusações entre alguns países europeus. A Itália, Dinamarca e Finlândia chegaram a defender a suspensão da Espanha do Acordo do Espaço Schengen. O acordo é um tratado europeu que extinguiu os controles de imigração nas fronteiras internas entre os países membros e criou uma grande zona de livre circulação de pessoas. Ele engloba várias nações e exige regras unificadas para vistos e seguro de viagem.
Mas, o comissário europeu para as Migrações, Magnus Brunner, afirmou hoje ao fim da reunião ministerial que o tema não motivou críticas ao governo de Madrid na gestão da crise no enclave espanhol. No entanto, reconheceu que a regularização de cerca de um milhão de imigrantes não é um bom sinal para a Europa, em referência à política migratória espanhola que decidiu recentemente regularizar 500 mil imigrantes que se encontravam em situação irregular no país.
Entretanto, a Comissão Europeia afastou uma ligação direta entre a regularização extraordinária de imigrantes na Espanha e a crise migratória em Ceuta.
O ministro do Interior espanhol, Fernando Grande-Marlaska, também declarou que os parceiros europeus reconheceram a resposta eficaz de Madrid à crise e manifestaram total solidariedade para com Espanha. “O espaço Schengen não foi colocado em causa, apesar da dimensão da crise”, destacou.
Grande-Marlaska disse que mais de 72 mil pessoas entraram em Ceuta nos últimos dias e que cerca de 70 mil já regressaram a Marrocos.
A Espanha comunicou que o número de migrantes mortos na região autônoma subiu para 75, após terem sido encontrados mais três corpos.