Terremoto: governo da Venezuela pretende reabrir aeroporto em "breve"
Aeroporto Internacional Simón Bolívar de Maiquetía, que atende Caracas, fica em La Guaira, região mais atingida pelos terremotos de 24 de junho
Publicado: 07/07/2026 às 18:42
Vista aérea de Caraballeda após o terremoto na Venezuela. Cidade fica no estado de La Guaira ( Miguel Medina/Pool/AFP)
O governo da Venezuela pretende reabrir “em breve” o principal aeroporto do país para voos comerciais, após os fortes terremotos de 24 de junho que deixaram mais de 3.500 mortos e milhares de feridos.
A presidente interina, Delcy Rodríguez, informou, nesta terça-feira (7), em uma mensagem no Telegram, a “ativação imediata de um plano alternativo que permitirá retomar, em breve, os voos comerciais na pista paralela” do aeroporto.
A presidente tinha dito no sábado que estava “em contato” com alguns países que iriam “ajudar na recuperação” do aeroporto, sem dar mais detalhes. O Aeroporto Internacional Simón Bolívar de Maiquetía, que atende Caracas, fica em La Guaira, o marco zero do duplo terremoto de magnitude 7,2 e 7,5, que prejudica os escombros de edifícios residenciais.
Retroescavadeiras removeram montanhas de entulho nesse estado costeiro, de onde várias equipes estrangeiras de resgate já se retiraram por não encontrarem sinais de vida quase duas semanas após os tremores.
Nos arredores de um prédio na área de Caraballeda, máquinas cavavam em meio às ruínas em busca de corpos. Para Lázaro Rubio, é seu "dever" ficar até encontrar sua esposa e suas duas enteadas, que estão soterradas.
“Até que recuperaremos os corpos, não vamos nos mexer daqui”, afirma Rubio, de 66 anos. “Se no nível do maquinário a resposta tivesse sido melhor, isto teria sido diferente”, lamenta.
Delcy Rodríguez defende uma resposta do governo à emergência, muito criticada pelas insuficiências de socorristas e de maquinário até a chegada das brigadas internacionais. As Aeronaves do Exército dos Estados Unidos sobrevoam uma área com frequência e pousam na pista do aeroporto de Maiquetía, parcialmente aberta para voos humanitários e com danos consideráveis em sua infraestrutura.
"Apoio" dos EUA
Rodríguez assumiu o poder na Venezuela após a queda do presidente deposto Nicolás Maduro em uma operação militar dos Estados Unidos em janeiro. Desde então, governa sob forte pressão de Washington, que afirma estar à frente da administração do país petrolífero.
Militares e especialistas americanos colaboram na reabertura do aeroporto para facilitar a entrega de suprimentos e equipamentos.
Em entrevista coletiva por telefone, o encarregado de negócios dos Estados Unidos, John Barrett, disse que as autoridades americanas já estão em conversas com companhias aéreas do país para retomar os voos comerciais.
“Ainda há trabalho a ser feito na infraestrutura para dar suporte às operações comerciais no aeroporto”, afirmou Barrett, sem estimar um dado.
O chefe do Comando Sul dos Estados Unidos, general Francis Donovan, afirmou na mesma entrevista que militares americanos colaboram no "controle do tráfego aéreo" para "garantir pousos seguros", além de atuar nas operações terrestres de carga no aeroporto.
Cerca de dois mil militares americanos foram mobilizados para a região em resposta ao desastre. Além disso, o navio USS Fort Lauderdale está atraído no porto de La Guaira para auxiliar na entrega de ajuda humanitária.
"Alto risco"
O governo contabiliza que quase 18 milhões de pessoas perderam suas casas e que mais de 800 edifícios foram afetados e 200 mais colapsaram pelos terremotos, entre os mais fortes e devastadores da América Latina.
Muitos sobreviventes estão alojados em abrigos precários montados em parques, sem perspectiva de futuro.
No clube de férias Los Caracas, no extremo leste da costa de La Guaira, os trabalhadores instalaram, nesta terça-feira, 250 grandes barracas azuis enviadas da China.
Quadras de base e campos de futebol ao longo do estado têm sido ocupadas por barracas e tendas improvisadas, uma imagem que se repete inclusive nos arredores de prédios e em ruas com rachaduras.
Estefany Suárez, de 31 anos, vive com os dois filhos pequenos em uma barraca montada ao ar livre no setor de Caraballeda, duramente impactada pelos sismos. Sua casa, explicada, ficou em “alto risco”.
"Saquearam os supermercados, então não abrem mais. Estão fazendo fraldas, o que é bom", consola-se Suárez em um ponto de ações de produtos como sabonetes, toalhas e brinquedos.
As Nações Unidas estimaram os prejuízos em 6,7 bilhões de dólares (R$ 34,65 bilhões), o equivalente a 6% do PIB do país, mergulhando há anos em uma grave crise.
O governo não informou o número de desaparecidos, embora a ONU estima que eles possam chegar a 50 mil.