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Israel corta relações com chefe da diplomacia da UE

Kaja Kallas diz que bloco segue comprometido com relação construtiva e defende solução de dois Estados

Isabel Alvarez

Publicado: 18/06/2026 às 17:30

 Chefe da política externa e diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas/Nicolas TUCAT / AFP

Chefe da política externa e diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas (Nicolas TUCAT / AFP)

A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, reagiu após o ministro israelense das Relações Exteriores, Gideon Sa'ar, ter afirmado que não tinha alternativa senão romper todo o contato com ela, depois do seu comentário de comparar a gestão de Israel ao ex-regime racista de apartheid da África do Sul. Segundo noticiado pela mídia, Kallas teria feito esta declaração durante uma viagem ao México, em maio, onde se reuniu com autoridades do governo mexicano.

“Valorizo o diálogo e o envolvimento com Israel e a União Europeia continua empenhada numa relação construtiva com o país”, respondeu Kallas, mas sem fazer referência ao alegado comentário sobre o apartheid.

Em uma publicação nas redes sociais, Kallas ainda acrescentou que a posição da UE é firme: a solução de dois Estados continua a ser o único caminho viável para a paz no Oriente Médio. "A UE condenou os assentamentos israelenses ilegais na Cisjordânia, que tornam cada vez mais difícil alcançar esse objetivo", enfatizou.

"Até ao momento, ela não emitiu qualquer desmentido, esclarecimento ou resposta a esta declaração grave. Mesmo nestas suas palavras, evita negar ou condenar o que lhe é atribuído e foi divulgado publicamente. Se de fato disse essas coisas vergonhosas e caluniosas, assuma-as. Se não as disse, desminta-as. Por isso, enquanto ministro das Relações Exteriores do Estado de Israel, não tenho alternativa senão cortar todo o contato com a Sra. Kallas até que ela retire a calúnia de derramamento de sangue que dirigiu ao único Estado judaico do mundo", disse Sa'ar.

A solução de dois Estados é defendida pela maioria da comunidade internacional e prevê a criação de dois Estados soberanos e democráticos no território da antiga Palestina sob Mandato, com Jerusalém como capital de ambos. Também em setembro passado, 142 países votaram a favor de uma solução de dois Estados na Assembleia-Geral das Nações Unidas. Israel, Argentina, Hungria, Micronésia, Nauru, Palau, Papua-Nova Guiné, Paraguai, Tonga e os Estados Unidos votaram contra, enquanto 12 países se abstiveram.

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