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PRESIDENTE DOS EUA

Trump critica resposta de Israel ao Hezbollah

O presidente americano indicou que aconselhou o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu a adotar uma abordagem mais moderada no Líbano

Isabel Alvarez

Publicado: 17/06/2026 às 16:09

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump/Foto: SAUL LOEB / AFP

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Foto: SAUL LOEB / AFP)

O presidente norte-americano Donald Trump afirmou que Israel tem sido um bom parceiro dos Estados Unidos, mas considerou que poderia fazer mais no que diz respeito ao grupo xiita libanês Hezbollah. Uma vez que os combates entre ambos os lados no sul do Líbano ainda continuam.

Mas, Trump garantiu que os EUA têm uma enorme capacidade de influência para impedir que Israel ou o Hezbollah violem o cessar-fogo firmado com o governo iraniano. "Acho que temos capacidade simplesmente pelo fato de o Irão agora ter de se comportar. Têm de agir corretamente. Temos uma enorme capacidade de influência. Temos a força da economia, por exemplo. Vamos resolver isto. Mas trata-se de um conflito menor", concluiu.

Embora considere o conflito entre Israel e o Hezbollah como muito menor, se diz surpreendido por não ter terminado. Trump indicou que aconselhou o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu a adotar uma abordagem mais moderada no Líbano.

"Ele se entusiasma um pouco às vezes, mas é um homem muito competente. Tivemos uma parceria extraordinária. Foi um primeiro-ministro fantástico. Foi uma parceria incrível. Ele dirá que nós somos o grande parceiro e que ele é um pequeno parceiro. E isso é verdade. Mas, lhe digo, pode ter uma abordagem mais suave. Talvez não seja necessário destruir um edifício sempre que alguém do Hezbollah entra nele. Não estou dizendo que não devam se proteger. Estou a dizer que, quando dois drones são abatidos no deserto e caem sem causar danos, não é necessário destruir prédios em Beirute. Podiam agir melhor. E, francamente, podiam fazer um trabalho melhor em relação ao Hezbollah. Não acho que estejam a fazer um bom trabalho. E sinto muito pelo Líbano", declarou.

Trump ainda elogiou a grande cultura do Líbano. "Era uma cultura incrível, talvez a mais elevada do Oriente Médio durante anos e anos. E, nos últimos 50 ou 60 anos, foi devastada. Têm vivido num inferno”, disse.

Enquanto isso, o líder do Hezbollah, Naim Qassem, defendeu hoje que o limite das negociações entre o Líbano e Israel deve ser uma situação de segurança recíproca. Qassem apontou que o grupo rejeita as zonas-piloto acordadas nas negociações mediadas pelos Estados Unidos entre Beirute e Tel Aviv.

 

Confrontos entre Israel e Hezbollah no sul do Líbano não cessam

As forças de Israel atacaram mais uma vez o sul do Líbano por diversas vezes na manhã desta quarta-feira (17), apesar do memorando de entendimento entre Teerã e Washington. Israel disse ter interceptado foguetes lançados pelo grupo Hezbollah numa zona do sul do Líbano onde soldados israelenses realizavam operações.

A Agência Nacional de Notícias do Líbano (NNA) comunicou que as ofensivas atingiram, sobretudo, as regiões de Nabatieh e Kfartebnit.

Por outro lado, o Hezbollah afirmou ter disparado drones e mísseis contra veículos militares israelenses que, segundo o grupo, tentavam avançar para o sul do território libanês, no seu primeiro ataque desde o acordo preliminar.

Os combates no Líbano entre Israel e o Hezbollah, apoiado pelo Irã, abrandaram, mas não cessaram completamente após o anúncio do acordo de paz provisório entre os Estados Unidos e o Irã. As tropas israelenses prosseguem na ocupação de grandes áreas do sul do Líbano e já destruíram dezenas de aldeias na região, tendo também ordenado a evacuação dos seus residentes. Israel alega que agem contra os militantes do Hezbollah infiltrados em zonas civis da região predominantemente xiita.

Já o Irã tem alertado desde o anúncio do acordo com os Estados Unidos que a administração Trump deve incluir a cessação das hostilidades no Líbano. Na noite de segunda-feira, os militares iranianos até ameaçaram com uma resposta severa caso os bombardeios continuassem.

Desde então cinco pessoas morreram, segundo a NNA. O Líbano sofreu o efeito mais mortal do conflito entre os EUA e o Irã, com quase 3.800 mortos até o momento, milhares de feridos e cerca de 1,2 milhões de civis libaneses desalojados. Além de a guerra ter agravado profundamente a crise econômica do país.

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