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OMS alerta sobre o risco elevado do ebola se propagar na África

A OMS considera elevado o risco de propagação do surto na RDCongo devido a violência local

Ester Marques

Publicado: 25/05/2026 às 15:16

Um católico reza usando máscara, seguindo as instruções das autoridades locais para limitar a propagação do surto de Ebola no leste da República Democrática do Congo, durante uma missa na Catedral de Bunia, em Bunia, em 24 de maio de 2026. / AFP

Um católico reza usando máscara, seguindo as instruções das autoridades locais para limitar a propagação do surto de Ebola no leste da República Democrática do Congo, durante uma missa na Catedral de Bunia, em Bunia, em 24 de maio de 2026. ( AFP)

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, advertiu hoje sobre os problemas em lidar com a epidemia do vírus ebola, da cepa Bundibugyo, na cidade de Ituri, epicentro da crise, na República Democrática do Congo (RDCongo).

A OMS considera elevado o risco de propagação do surto na RDCongo devido a violência local, além do fato da sua localização no centro do continente favorecer a forte mobilidade regional, uma vez que faz fronteira com 9 países, sendo um dos países com mais vizinhos na África.

“O atraso na detecção dos casos fez com que as equipes de resposta estejam agora correndo atrás do prejuízo. Estamos ampliando urgentemente as operações, mas, neste momento, a epidemia está nos ultrapassando. Uma em cada quatro pessoas necessita de assistência humanitária e uma em cada cinco é deslocada interna. A violência está obrigando as pessoas a fugir, incluindo profissionais de saúde e humanitários, o que está dificultando gravemente os esforços para expandir o rastreio de contatos do ebola e identificar as infecções com antecedência suficiente para prestar apoio", explicou Tedros, acrescentando que os países vizinhos da RDCongo precisam agir imediatamente.

Os casos suspeitos ou confirmados de ebola na RDCongo superam até o momento mais de 900, incluindo 101 em que a presença do vírus foi identificada em laboratório, alertou a OMS, que já elevou o risco da propagação para muito elevado a nível nacional e regional. Segundo o governo congolês, foram registradas 204 mortes prováveis devido à epidemia decretada em 15 de maio.

O Centro Africano de Controle e Prevenção de Doença, agência de saúde pública da União Africana, apontou que Angola, que faz fronteira com a RDCongo, está entre os 10 países africanos que correm o risco de ser afetados pelo vírus, além de Uganda, que notificou mais dois casos, elevando para sete o total de casos confirmados no país

Na ausência de vacina e de tratamento aprovado contra a rara estirpe Bundibugyo, as diretrizes de contenção se concentram, sobretudo no cumprimento das medidas de prevenção sanitária e na detecção rápida dos casos.

As crises de longa data no leste da RDCongo, que tornaram a região palco de um dos piores desastres humanitários do mundo, afetam a resposta ao ebola por diversos motivos. Por um lado, a região enfrenta uma ameaça constante de violência, onde o leste do país sofre com frequentes episódios de violência de grupos rebeldes, muito deles com ligações a países estrangeiros ou ao Estado Islâmico (EI). Além disso, o grupo armado Movimento 23 de Março (M23), supostamente apoiado pelo Ruanda, controlam partes do território congolês.

O vírus Ébola é transmitido por meio do contato direto com sangue ou outros fluidos corporais de pessoas infetadas ou animais infetados e provoca febre hemorrágica grave, dores musculares, fraqueza, dores de cabeça, irritação da garganta, febre, vômitos, diarréia e hemorragias internas. A atual epidemia corresponde a uma nova estirpe do Ébola, para a qual não existe vacina e cuja taxa de mortalidade varia entre 30% e 50%, segundo a OMS.

Medidas internacionais

O Brasil estabeleceu protocolos de prontidão coordenados pelo Ministério da Saúde e pela Anvisa , focados em vigilância ativa nos portos e aeroportos. Como não há vacinas ou terapias específicas aprovadas para a cepa Bundibugyo, as medidas se baseiam na contenção e prevenção primária.

Enquanto isso, os Estados Unidos reforçaram os procedimentos de rastreio de ebola no aeroporto de Atlanta para passageiros provenientes da RDCongo, Uganda e Sudão do Sul. As autoridades norte-americanas adotaram ainda medidas adicionais, incluindo restrições de entrada no país, redirecionamento de voos para aeroportos específicos e triagem obrigatória em vários pontos de entrada.

Na Europa não existem ações uniformes de restrição, mas sim vigilância reforçada, triagem em aeroportos e protocolos hospitalares de detecção precoce. As ações são coordenadas, principalmente pelo Centro Europeu de Prevenção e Controle das Doenças e por autoridades nacionais de saúde.

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