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Rússia reage ao envio de militares europeus a Groenlândia

O comunicado da diplomacia da Rússia acontece após a Alemanha e a França terem confirmado a participação na missão militar europeia na ilha ártica, juntamente com a Noruega e a Suécia

Isabel Alavarez

Publicado: 15/01/2026 às 14:21

Groenlândia /Olivier MORIN/AFP

Groenlândia (Olivier MORIN/AFP)

Nesta quinta-feira (15), a embaixada russa em Bruxelas, na Bélgica, onde se encontra a sede da Aliança Atlântica, declarou estar seriamente preocupada com o anúncio do envio de tropas europeias de membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) para a Groenlândia. O comunicado da diplomacia da Rússia acontece após a Alemanha e a França terem confirmado a participação na missão militar europeia na ilha ártica, juntamente com a Noruega e a Suécia. 

"Em vez de realizar um trabalho construtivo no âmbito das instituições existentes, em particular o Conselho do Ártico, a OTAN optou por uma militarização acelerada do Norte, reforçando a sua presença militar na região sob o pretexto imaginário de uma ameaça crescente de Moscou e Pequim", diz trecho de nota emitida pela embaixada da Rússia, que ainda denunciou uma retórica agressiva.

Ainda de acordo com a fala da embaixada russa, "as fortes declarações de Washington sobre a Groenlândia estão sendo usadas pela Aliança exclusivamente para promover a sua agenda antirussa e antichinesa. O Ártico deve permanecer como um território de paz, com diálogo e colaboração equitativa", afirma.

A porta-voz da chancelaria russa, Maria Zakharova, também declarou nesta quinta-feira que nem a Rússia nem a China alguma vez afirmaram ter planos para ocupar a Groenlândia. “Não há fatos que indiquem planos agressivos da Rússia e da China, nem pode haver”, enfatizou.

Alemanha e França confirmam participação na missão militar

A Defesa da Alemanha informou que o seu exército já enviou 13 militares nesta manhã a ilha, explicando se tratar de uma equipe de reconhecimento para explorar as condições estruturais das possíveis contribuições em apoio à Copenhagen na garantia da segurança na região, como, por exemplo, às capacidades de vigilância marítima.

Enquanto isso, a França avisou que cerca de 15 militares franceses já se encontram na Groenlândia. Segundo o embaixador francês dos polos e oceanos, Olivier Poivre d'Arvor, a missão visa melhorar a vigilância da ilha, em cooperação com outros militares europeus. "É um primeiro exercício para mostrar aos Estados Unidos que a OTAN está presente", pontuou.

Poivre d'Arvor acrescentou que a França decidiu ainda abrir um consulado na Groenlândia no começo de fevereiro. "Trata-se de um ato político forte. Este consulado será a manifestação política de uma bandeira francesa que será colocada na ilha a pedido das autoridades dinamarquesas. Não se trata apenas de um pequeno símbolo", frisou.

"A pedido da Dinamarca, decidi que a França participará nos exercícios conjuntos organizados pela Dinamarca na Groenlândia, a Operação Arctic Endurance", já havia adiantado ontem o presidente francês Emmanuel Macron na rede social X.

Reforço militar

O anúncio do envio de militares destes quatro países da Europa para a Groenlândia, território autônomo dinamarquês, é um destacamento organizado a convite da Dinamarca, e que faz parte da operação Arctic Endurance com o objetivo de tranquilizar os norte-americanos quanto à segurança da ilha, assim como também impedir qualquer interferência.

Vale destacar que o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaça anexá-la e tem criticado o governo de Copenhagen, afirmando que não era capaz de garantir a segurança da ilha, que, segundo suas palavras, esta repleta de navios russos e chineses na sua costa e arredores.

Mas, o ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen, informou, além disso, sobre a criação de um grupo de trabalho de alto nível para tentar conciliar as exigências de segurança norte-americanas com a integridade territorial do Reino da Dinamarca. O ministro da Defesa, Troels Lund Poulsen, também disse que está sendo considerada uma presença militar dinamarquesa mais forte na Groenlândia.

Já a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, reconheceu que houve um desacordo total com os EUA sobre a Groenlândia, após a reunião da véspera entre representantes de ambas as partes na Casa Branca.

“Washington e Copenhagen decidiram criar um grupo de trabalho, mas isso não muda o fato de que existe um desacordo total, pois a ambição americana de controlar a Groenlândia continua intacta. Trata-se obviamente de uma questão séria e, por isso, continuamos os nossos esforços para impedir que este cenário se torne realidade. Há o consenso dentro da aliança da OTAN de que uma presença reforçada no Ártico é crucial para a segurança europeia e norte-americana. A defesa e a proteção da Groenlândia são uma preocupação comum de toda a Aliança Atlântica", destacou.

Além disso, a Dinamarca afirma que "investiu significativamente em novas capacidades no Ártico e vários aliados estão atualmente contribuindo para atividades de exercícios conjuntos na Groenlândia”, destacou.

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