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Rubio e JDVance se reúnem com os ministros da Dinamarca e da Groenlândia

Segundo noticiado, o governo dos EUA levanta inclusive a possibilidade de oferecer pagamentos diretos aos residentes groenlandeses com valores que podem chegar a 100 mil dólares por pessoa

Isabel Alvarez

Publicado: 13/01/2026 às 14:16



 Chefe da diplomacia americana, Marco Rubio/DREW ANGERER/AFP

Chefe da diplomacia americana, Marco Rubio (DREW ANGERER/AFP)

Uma reunião do Secretário de Estado norte-americano Marco Rubio e do vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, ocorre hoje em Washington com os ministros das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen, e da Groenlândia, Vivian Motzfeldt, que pediram o encontro com urgência para tratativas sobre o insistente interesse e ameaça de Donald Trump de anexar a ilha ártica.

"O motivo pelo qual solicitamos esta reunião foi para levar toda esta discussão a uma sala de reuniões onde possamos, olhos nos olhos, conversarmos sobre estes assuntos", disse Rasmussen.

Mas, para Trump existe o perigo de outros países anexarem à ilha, caso os EUA não o façam. “Neste momento, a Groenlândia está repleta de navios russos e chineses. Se não tomarmos a Groenlândia, a Rússia ou a China vão fazê-lo, e eu não vou deixar que isso aconteça”, alertou o presidente norte-americano, desvalorizando o impacto que tal situação teria na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).
Por sua vez, diplomatas nórdicos contestaram a versão de Trump e disseram em entrevista ao jornal britânico Financial Times, no domingo, que tal afirmação não corresponde à realidade. “Os únicos navios e submarinos russos existentes no Ártico encontram-se no lado russo, ao largo da Noruega”, garantiam.

“A aquisição da Groenlândia será da maneira mais fácil ou mais difícil”, avisou recentemente Trump, que alega precisar do território autônomo dinamarquês por uma questão de segurança nacional.

Segundo noticiado, o governo dos EUA levanta inclusive a possibilidade de oferecer pagamentos diretos aos residentes groenlandeses com valores que podem chegar a 100 mil dólares por pessoa. A Groenlândia tem cerca de 57 mil habitantes.

Por outro lado, o governo da Groenlândia e sua população já manifestaram que não querem ser controlados e governados pelos EUA. "A Groenlândia não está à venda. Além disso, uma possível anexação teria como consequência o fim da Aliança Atlântica", reafirmou Mette Frederiksen, primeira-ministra da Dinamarca. O primeiro-ministro da ilha do Ártico, Jans-Frederik Nielsen, enfatizou esta posição e reforçou que o território pertence aos groenlandeses. "É também essa a mensagem que levaremos para os EUA", apontou.

Nielsen destacou ainda que a Groenlândia faz parte do Reino da Dinamarca e parte da OTAN através da Commonwealth. “Isto significa que a nossa segurança e defesa pertencem à OTAN. É uma linha básica e fixa. O nosso país tem importância estratégica, e a nossa segurança é importante. Para nós. Pelos nossos aliados. E pela estabilidade no Ártico. O governo da ilha irá trabalhar para garantir que o desenvolvimento da defesa na Groenlândia e nos arredores aconteça em estreita cooperação com a aliança militar ocidental. Em diálogo com nossos aliados, incluindo os EUA. E em colaboração com a Dinamarca. Trata-se de uma sociedade democrática que toma as suas próprias decisões e as nossas ações são baseadas no direito internacional”, declarou.

Além disso, também esta agendada para a próxima segunda-feira (19) uma reunião, em Bruxelas, entre o ministro da Defesa dinamarquês, Troels Lund Poulsen, o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, e a chefe da diplomacia groenlandesa, Vivian Motzfeldt, que visa discutir a segurança do Ártico.

Diversos líderes europeus já fizeram uma declaração em conjunto em apoio a Dinamarca, afirmando que a Groenlândia pertence ao seu povo.

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