Governo do Irã bloqueia internet para conter avanço de manifestações nacionais
Agências de noticias internacionais publicaram que o corte da comunicação com o exterior se estendeu a telefonia e ao cancelamento de voos
Publicado: 09/01/2026 às 13:49
Na quarta-feira (7), os protestos já atingiram cidades rurais e grandes centros urbanos de todas as províncias do Irã. (AFP)
Segundo a ONG de monitorização de cibersegurança Netblocks, o acesso à internet no Irã está bloqueado desde a noite de quinta-feira (7). O objetivo é reprimir a onda de protestos no país e dificultar os relatos de violência das forças de segurança do regime.
Canais iranianos com sede fora do Irã e outros meios de comunicação independentes têm publicado vídeos das manifestações contra a crise econômica que se espalhou pelo país e são fortemente reprimidas pelas autoridades.
Contudo, agências de noticias internacionais publicaram que o corte da comunicação com o exterior se estendeu a telefonia e ao cancelamento de voos.
Onda de protestos
Os protestos no território iraniano tiveram inicio em 28 de dezembro com mais uma queda da moeda rial em paridade com o dólar, assim como uma taxa de inflação acima dos 40% e o aumento do preço dos combustíveis. De acordo com o diretor da ONG Iran Human Rights, Mahmood Amiry-Moghaddam, a repressão do regime já causou pelo menos 45 mortos e mais de duas mil pessoas foram detidas.
Mahmood contou que os protestos têm sido pacíficos, mas há relatos de atos mais violentos, como o bloqueio de ruas e o incêndio de edifícios na capital Teerã. Outras ONGs também denunciam o governo de ordenar o uso gás lacrimogêneo e balas para conter a população.
Em contrapartida, o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, acusa os manifestantes de servirem aos Estados Unidos. Khamenei prometeu mandar reforçar a repressão aos manifestantes, chamando-os de mercenários, além de apelar à unidade dos iranianos contra as ações que classificou de terrorista.
Enquanto isso, o presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, pediu máxima moderação para com os manifestantes, assim como ouvir as reivindicações do povo.
Estas atuais manifestações são as maiores no Irã desde a morte de Mahsa Amini, em 2022, após ter sido acusada e presa pela chamada "polícia da moralidade" por não usar corretamente o véu islâmico.