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COLUNA BETO LAGO

Beto Lago: "Título não pode esconder que Sport está em construção"

O Sport foi o campeão Pernambucano deste ano, mas ainda precisa melhorar muito teu

Beto Lago

Publicado: 10/03/2026 às 08:07

Chrystian Barletta, Gustavo Maia e Yago Felipe em comemoração de gol do Sport contra o Retrô no Campeonato Pernambucano/Paulo Paiva/Sport Recife

Chrystian Barletta, Gustavo Maia e Yago Felipe em comemoração de gol do Sport contra o Retrô no Campeonato Pernambucano (Paulo Paiva/Sport Recife)

Em construção
A segunda-feira foi de festa para o torcedor do Sport. O título estadual ratifica a hegemonia no futebol local. Mas passada a comemoração, é hora de colocar a cabeça no lugar. Porque o Sport campeão está longe de ser um time pronto para encarar o desafio da Série B. A atuação intensa na final não pode virar muleta para esconder problemas que ficaram evidentes ao longo do Pernambucano. Parte desses problemas, inclusive, nasceu das próprias escolhas de Roger Silva. O treinador demorou para corrigir algumas decisões. Insistiu por tempo excessivo com Halls no gol, até ficar evidente que Thiago Couto oferecia mais segurança, algo que ficou claro principalmente no primeiro jogo da final. Na defesa, Marcelo Ajul se afirma como peça de confiança, transmitindo a estabilidade que o setor tanto precisava. E no meio, a volta do sopro de personalidade com Zé Lucas, garoto que joga com uma maturidade incomum, refletindo a experiência recente como capitão da Seleção Brasileira Sub-17. Ainda assim, o retrato do Sport hoje é o de uma equipe em construção. E isso precisa ser dito sem rodeios. O problema é que a Série B não costuma esperar ninguém se organizar. É um campeonato duro, de margem mínima para erros e praticamente nenhum espaço para experiências prolongadas ou invenções táticas. Se por um lado o estadual não muda o patamar do clube nacionalmente, por outro pode cumprir um papel importante: dar tranquilidade política e emocional para que o trabalho avance com menos turbulência. O título veio. Agora começa o verdadeiro teste. Porque na Série B, taça estadual não ganha jogo e muito menos garante acesso.

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Responsabilidade no banco
A derrota do Náutico dentro dos Aflitos não foi um simples acidente de percurso. Há responsabilidades claras, e passam diretamente pela comissão técnica. Hélio e Guilherme dos Anjos precisam ser cobrados não apenas pelas escolhas em campo e postura do time, mas pelo controle total do futebol do clube. Ser o comandante do time não deveria garantir a “chave” do departamento. Hélio e Guilherme seguem com a confiança de grande parte da torcida, mas será preciso corrigir o rumo e a direção alvirrubra precisa assumir seu papel.

Dominado dentro de casa
Sobre o jogo, o que mais chamou atenção foi a forma como o Náutico foi dominado. Perdeu todas as disputas de bola, foi superado fisicamente e emocionalmente, sem conseguir se impor a pressão do Sport. Até fora das quatro linhas o Timbu foi nulo: nas discussões à beira do campo, o banco alvirrubro foi engolido pela intensidade do rival. E digo mais: vai ser preciso uma reformulação de parte do elenco. Qualificar e trazer mais experiência para esse grupo.

A festa nos estádios
Por mais que tentem sustentar o discurso do medo, as duas finais mostraram o contrário: decisões com duas torcidas e clima de futebol de verdade. Poucos registros de violência fora dos estádios e, dentro deles, apenas festas – primeiro na Ilha, depois nos Aflitos. Que esse exemplo sirva para desmontar de vez a lógica preguiçosa da torcida única, uma medida que pune quem vai para torcer e não resolve o problema de quem vai para brigar.

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