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Guia da Copa 2026: como chega a Seleção Brasileira de Ancelotti para buscar o Hexa

ob o comando de Carlo Ancelotti, equipe aposta em zaga forte e ataque estrelado para espantar a desconfiança

Por Igor Fonseca

Guia da Copa 2026: como chega a Seleção Brasileira de Ancelotti para buscar o Hexa.

Desacreditado. É assim que chega o Brasil para a Copa do Mundo de 2026.

Depois de um ciclo conturbado, com quatro treinadores e a pior campanha da Seleção Brasileira na história das Eliminatórias, a Amarelinha tenta se encontrar em busca do hexacampeonato na América do Norte.

Com Carlo Ancelotti há um ano no comando da Seleção, os brasileiros notaram uma evolução em comparação aos períodos com Ramon Menezes, Fernando Diniz e Dorival Júnior — ainda que sutil.

A equipe parece mais coesa, distanciando-se de atuações desastrosas como a goleada histórica por 4x1 sofrida diante da rival Argentina, no Monumental de Núñez — que sequer contava com sua grande estrela, Lionel Messi.

DISPUTA DEBAIXO DAS TRAVES

Os problemas da geração, por outro lado, seguem vivos. Para a Copa, o Brasil aposta em Alisson na meta, mas o número 1 da Seleção e do Liverpool não atuava desde março devido a uma lesão muscular, tendo retornado aos gramados ingleses apenas na última rodada da Premier League.

Os reservas, Ederson e Weverton, pouco inspiram confiança no momento, e o goleiro Bento, que esteve em todas as convocações do técnico italiano, ficou de fora da lista final após falhas em amistoso contra a Croácia e pelo seu clube, o Al-Nassr, na Liga Saudita.

INCÓGNITA NAS LATERAIS

Nas laterais reside o grande ponto de interrogação desta Seleção Brasileira. As posições, que já foram dominadas por lendas como Branco, Cafu, Carlos Alberto Torres, Djalma Santos, Júnior, Jorginho, Roberto Carlos e tantos outros, sofrem com a carência de referências no elenco atual.

Na direita, a esperança do Brasil era Éder Militão que, mesmo improvisado, inspirava maior solidez defensiva, mas acabou cortado da Copa por lesão muscular. Assim, Ancelotti aposta em Ibañez que, embora também seja zagueiro de origem, deve assumir a titularidade à frente de Wesley.

Na esquerda, indo para sua segunda Copa do Mundo, a experiência é o trunfo de Alex Sandro. Surgido na base do Santos, o lateral participou da fase áurea da Juventus (Itália), onde conquistou cinco títulos do Campeonato Italiano, e retornou ao Brasil para defender o Flamengo, onde também já é bem-sucedido.

Douglas Santos, ex-Náutico e atualmente no Zenit (Rússia), deve ser a opção no banco. O lateral cumpre o papel defensivo sem comprometer, mas oferece pouca qualidade no terço final do campo na atualidade.

SOLIDEZ NO MIOLO DE ZAGA

A dupla de zaga talvez seja o pilar mais forte da Seleção de Ancelotti. Formada por dois finalistas de Champions League, Gabriel Magalhães (Arsenal) e Marquinhos (PSG), o par de defensores está entre os melhores do mundo na atualidade.

O Arsenal de Gabriel Magalhães foi, inclusive, campeão do Campeonato Inglês nesta temporada, encerrando um jejum de 22 anos sem levantar o troféu. O PSG de Marquinhos, por sua vez, mantém o domínio no Campeonato Francês e segue consolidado entre as principais forças do continente.

 

 

SUSTENTAÇÃO NO MEIO-CAMPO

No meio de campo, a sustentação da equipe está em Casemiro e Bruno Guimarães. No Manchester United, Casemiro teve uma de suas melhores temporadas recentes desde que deixou o Real Madrid e tenta carregar o bom momento para o Mundial.

Bruno Guimarães, do Newcastle, que foi cobiçado por gigantes como Manchester City, Arsenal, Real Madrid, PSG e Manchester United, encontrou sua melhor forma com a camisa da Seleção Brasileira sob o comando de Ancelotti, transformando-se no motorzinho da equipe.

O banco conta com opções como Danilo Santos (Botafogo), que teve boas atuações nos amistosos contra França e Croácia, e Lucas Paquetá (Flamengo), que recupera o ritmo desde o retorno ao futebol brasileiro. A principal preocupação fica por conta do reserva imediato de Casemiro, Fabinho, que, atuando na Arábia Saudita, está distante de seu auge técnico e físico.

FARTURA E COBRANÇA NO ATAQUE

No ataque, não faltam estrelas. Nem mesmo as lesões de Rodrygo e Estêvão diminuem a força do poderio ofensivo da Seleção Brasileira. Nas pontas, Raphinha e Vinícius Júnior figuram entre os melhores jogadores do mundo na atualidade, enquanto Matheus Cunha foi um dos destaques do Manchester United na campanha da temporada 2025/26, sendo peça-chave para recolocar o clube inglês na Champions League. Esse trio deve formar a base titular, restando uma vaga que será disputada por nomes como Endrick, Gabriel Martinelli, Igor Thiago, Luiz Henrique, Rayan e Neymar.

Com a camisa canarinho, no entanto, Raphinha e, especialmente, Vinícius Júnior precisam replicar os desempenhos dominantes que apresentam por Barcelona e Real Madrid, respectivamente.

A maior cobrança recai sobre Vinícius, eleito o melhor do mundo pela Fifa em 2025, mas que ainda busca sua afirmação definitiva na Seleção.Raphinha consolidou-se, ao lado de Lamine Yamal, como o principal protagonista do Barcelona na conquista do Campeonato Espanhol nesta última temporada.

Apesar de o Brasil ainda possuir dois compromissos antes da estreia contra o Marrocos, marcada para o dia 13 de junho, a expectativa é de que Ancelotti opte por Luiz Henrique para fechar o setor ofensivo. O ponta, campeão da Libertadores e do Campeonato Brasileiro com o Botafogo em 2024, funcionou como válvula de escape no amistoso contra a França, destacando-se ao entrar em campo, e repetiu a boa atuação na vitória diante da Croácia.

Endrick, por sua vez, pode surgir como surpresa na escalação do treinador italiano. O jovem atacante chega embalado pela excelente metade de temporada que viveu no Lyon, na França, neste início de 2026, além de ter mudado o ritmo da partida no triunfo contra os croatas.

Igor Thiago, do Brentford, também ganha força como opção. O centroavante terminou como vice-artilheiro do Campeonato Inglês, ficando atrás apenas de Erling Haaland, e surge como uma aposta de ofício para o esquema de Ancelotti.

Correndo por fora na ponta direita está Rayan. Negociado pelo Vasco com o Bournemouth em janeiro, o atacante chamou a atenção em seus primeiros meses nos gramados ingleses e se tornou uma alternativa válida.

Gabriel Martinelli, peça importante na campanha que encerrou o longo jejum de títulos do Arsenal na Premier League, é tido como um homem de confiança da comissão técnica, graças à sua polivalência e capacidade de atuar em diferentes faixas do ataque.

O FATOR NEYMAR 

O nome mais controverso da convocação, no entanto, atende por Neymar.

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Com uma legião de defensores fiéis, mas também lidando com uma forte ala de torcedores contrários à sua presença, a decisão de Carlo Ancelotti de levar o camisa 10 do Santos dividiu o país.

De acordo com apuração do ge, o treinador italianoavisou ao craque que ele será "mais um dos 26" no elenco, deixando claro que a reserva é uma possibilidade real.

Envolvido em polêmicas dentro e fora de campo, o atacante não conseguiu engatar uma sequência que convencesse a totalidade dos brasileiros nesta temporada. Com 11 gols e quatro assistências em 18 partidas, Neymar teve um ano discreto com a camisa do Peixe.

Para agravar o cenário, o atleta sofreu uma lesão de grau dois na panturrilha antes de se apresentar à Seleção Brasileira e fica de fora dos amistosos preparatórios, além do jogo de estreia, no dia 13 de junho. Desde a última quarta-feira, quando se juntou ao elenco, ele passa por tratamento diário com a equipe médica da CBF.

Apesar do peso histórico de seu nome, a ideia de um Neymar titular incontestável na equipe de Ancelotti parece distante da realidade atual. Há espaço para que ele conquiste uma vaga entre os 11 iniciais ao longo da competição, mas, dadas as suas recentes condições físicas e o ritmo de jogo, o cenário mais provável é que o seu papel seja o de uma arma vinda do banco de reservas.

Ainda assim, tanto os companheiros de elenco quanto uma parcela expressiva da torcida continuam enxergando o camisa 10 como a grande bússola técnica do Brasil. É essa mística de referência técnica e emocional que sustentou o forte apelo para que seu nome estivesse entre os escolhidos para a jornada na América do Norte.