Neymar em Copas: relembre a trajetória do camisa 10 que vai para o seu 4º Mundial
Em busca do sonho do hexacampeonato, Neymar vai para sua 4ª Copa do Mundo com a Seleção Brasileira
Publicado: 19/05/2026 às 13:11
Neymar em Copas: relembre a trajetória do camisa 10 que vai para o seu 4º Mundial. (Fotos: Divulgação/FIFA)
2014, 2018, 2022 e, agora, 2026. Neymar vai para sua 4ª Copa do Mundo representando a Seleção Brasileira após ser selecionado por Carlo Ancelotti entre os 26 convocados para o Mundial que será disputado no Canadá, Estados Unidos e México.
Com o passaporte carimbado para a América do Norte, o camisa 10 carrega, no entanto, uma bagagem pesada no seu histórico dos torneios. Para Neymar, a Copa do Mundo nunca foi um torneio regular. Ele viveu extremos carregados de decepções, lesões e críticas do público.
O retrato de 2026 é parecido. Neymar lutou contra problemas físicos e extracampo para estar na lista final de Ancelotti, mesmo após ficar de fora de todas as convocações do treinador.
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COPA DE 2014
Em 2014, a estreia não poderia ter sido melhor. Jogando em casa, na Arena Corinthians, em São Paulo, o Brasil de Neymar venceu a Croácia por 3x1, com dois gols do craque.
A Seleção passaria uma fase de grupos com tranquilidade, mas logo se assustaria nas oitavas de final, quando ficou perto de ser eliminada nos pênaltis contra o Chile.
Já nas quartas, contra a Colômbia, veio a primeira queda de Neymar. Uma dura entrada, no fim da partida, do lateral Zúñiga tirava o sonho do camisa 10 de levantar a taça da Copa do Mundo dentro do seu país.
Neymar sofreu uma lesão na coluna que o tiraria do resto do torneio e, por consequência, desfalcou o Brasil no vexame do 7x1 diante da Alemanha, na semifinal disputada no Mineirão. O Brasil acabaria aquela Copa em 4º lugar, perdendo a disputa de 3º colocado para a Holanda.
COPA DE 2018
Depois da Copa de 2014, Neymar teve uma ascensão meteórica no Barcelona. Parte do trio 'MSN' — ao lado de Messi e Suárez —, ele ganhou troféus como Liga dos Campeões, Mundial de Clubes e Campeonato Espanhol (duas vezes).
Antes de ir para a Rússia com o Brasil, no entanto, o brasileiro se tornaria a transferência mais cara do mundo, custando 222 milhões de euros (cerca de R$ 1,3 bilhão na cotação atual) ao Paris Saint-Germain, da França.
Em 2018, o craque que havia encantado o mundo ao lado de Messi e Suárez no Barcelona ficaria marcado por ser 'cai-cai' durante a Copa da Rússia. Neymar virou alvo de críticos, torcedores adversários e da mídia devido às suas atuações com a Amarelinha.
Desta vez, a Bélgica de Thibaut Courtois, Kevin de Bruyne e Hazard viraria a pedra no sapato do Brasil na Copa de 2018. Nas quartas de final, com atuação de gala do goleiro belga, a Seleção de Tite foi eliminada após perder por 2x1.
COPA DE 2022
Já em 2022, o craque chegava com condição de estrela mundial e, nos seis meses que antecederam o torneio do Catar — entre agosto e dezembro de 2022 —, voltou a brilhar ao lado de Messi e, desta vez, também com Mbappé, no PSG.
A Seleção Brasileira, ainda sob o comando de Tite, era vista como uma das grandes favoritas após quatro anos sólidos com o treinador e por estar no topo do ranking da Fifa antes do Mundial do Catar.
A história, no entanto, demorou apenas 79 minutos para mudar. Logo na estreia, contra a Sérvia, Neymar machucou o tornozelo ao sofrer uma falta do defensor Nikola Milenkovi. A Copa dele no Catar se tornaria uma luta contra o tempo para se recuperar.
O camisa 10 fazia fisioterapia dia e noite no hotel da Seleção, enquanto seus companheiros garantiam a classificação em primeiro lugar na fase de grupos após vencer a Suíça, com um gol de Casemiro, e avançar mesmo com a derrota para Camarões no último jogo, disputado com time alternativo.
Nas oitavas de final, contra a Coreia do Sul, Neymar voltava aos gramados — no sacrifício — para ajudar a Seleção Brasileira a avançar com uma vitória sonora por 4x1, em uma atuação que empolgou os torcedores.
O sonho estava vivo e o atacante parecia finalmente capaz de levar o Brasil de volta ao topo do mundo. Contra a Croácia, na fase seguinte, Neymar fez o impossível.
Em uma jogada de gênio, o camisa 10 passou pelos adversários croatas tabelando com Paquetá e Rodrygo, driblou o goleiro Livakovic e estufou a rede adversária. O gol, marcado no segundo tempo da prorrogação, colocou a Seleção na frente do placar deixou o Brasil em êxtase. A partida, no entanto, não acabou ali.
A Croácia empatou com o atacante Petkovic nos minutos finais, levando a decisão para os pênaltis. Na disputa, a Seleção de Tite acabou eliminada sem que Neymar tivesse a chance de fazer a sua cobrança.
NEYMAR NA COPA DE 2026
A ida para a Copa da América do Norte se torna a convocação mais contestada da história de Neymar com a camisa da Amarelinha. De referência técnica incontestável, o camisa 10 passou a ser dúvida e ainda não havia sido chamado por Carlo Ancelotti desde que o italiano assumiu o comando do Brasil.
O cenário se desenhou devido aos recorrentes problemas físicos e extracampo vividos pelo craque.
Após o Mundial do Catar, Neymar se transferiu para o Al-Hilal, da Arábia Saudita. Logo no início de sua trajetória pelo clube asiático, em outubro de 2023, sofreu uma grave lesão durante a partida da Seleção Brasileira contra o Uruguai, pelas Eliminatórias. A ruptura do Ligamento Cruzado Anterior (LCA) e do menisco do joelho esquerdo afastou o camisa 10 dos gramados por quase um ano.
Desde o retorno, o atacante enfrentou sérios problemas para recuperar a melhor forma física. Em busca de ritmo de jogo para cavar sua vaga no Mundial de 2026, o craque selou o retorno ao Santos em janeiro de 2025.
A realidade na Vila Belmiro, no entanto, foi mais complexa do que o sonhado. Neymar encontrou um Santos recém-retornado à Série A e imerso em problemas estruturais e de elenco. Sobrecarregado, o astro enfrentou um enorme desgaste físico na temporada passada para evitar um novo rebaixamento do clube paulista.
Novamente no sacrifício, o camisa 10 foi a campo em partidas decisivas contra Sport, Juventude e Cruzeiro para garantir a permanência do Peixe na elite.
O preço do esforço foi ficar de fora de todas as listas de Carlo Ancelotti até o anúncio dos 26 nomes finais.
Mas por que o treinador demorou tanto para chamar o principal astro do país?
Os números justificam a cautela. No período entre a eliminação diante da Croácia, no Catar, e a convocação nesta segunda-feira (18), Neymar passou 817 dos 1.256 dias no departamento médico. Isso significa que, em cerca de 65% de todo o ciclo para a Copa do Mundo, o craque esteve fora de combate.
Agora, pela primeira vez contestado na Seleção, Neymar tenta reassumir o protagonismo, embalado pelos pedidos de jogadores como Raphinha e Casemiro, dois dos principais jogadores do time de Ancelotti.
Se o ciclo foi marcado por ausências e sacrifícios, a Copa de 2026 surge como a última página de uma história intensa. Cabe a Carlo Ancelotti e ao próprio Neymar provarem que os 35% de tempo que lhe restaram em campo serão suficientes para conduzir o Brasil ao tão sonhado hexacampeonato.