Seleção Brasileira
COPA DO MUNDO

Uma novela chamada Neymar Jr

A convocação do camisa 10 virou final de capítulo, daqueles com sabor de vitória

Ricardo Novelino

Publicado: 18/05/2026 às 19:15

Neymar, camisa 10 da Seleção Brasileira/Vitor Silva/CBF

Neymar, camisa 10 da Seleção Brasileira (Vitor Silva/CBF)

O Brasil parou hoje. Parou como se fosse o final de uma novela de TV, como antigamente. Aqui no Recife, teve até fogos e buzinaço.

O país parou para acompanhar o desfecho de um personagem, que pode ser vilão ou mocinho da teledramaturgia: Neymar Jr.

Uma novela que se arrastou desde a volta do jogador ao Santos Futebol Clube, time que o revelou e o ajudou a se tornar um craque. Com conjugação do verbo no passado.

Um fenômeno fresquinho na memória, mas que virou uma mera idealização e longe de uma realidade das quatro linhas.

A convocação de Neymar Jr virou final de capítulo, daqueles com sabor de vitória. Com direito a casamentos e felicidades múltiplas. Pareceu mesmo uma novela. E daquelas bem longas.

Como um folhetim dos anos 60, exibido na extinta TV Excelsior, chamada “A Redenção”. Parece até uma mentira, mas o nome é esse mesmo. E o enredo dela não tem relação nenhuma com futebol. Mas o nome é bem bom para essa história.

A redenção foi exibida entre 16 de maio de 1966 e 2 de dezembro de 1968, às 19h, em 596 capítulos. A sinopse mostra um jovem que chegou a uma cidade (Redenção) e provocou intrigas, envolvendo mulheres. E o povo tinha dúvidas sobre o seu passado. Dele. Será que não tem mesmo relação com Neymar?

Dramas novelísticos à parte, a confirmação de que Neymar Jr estará na Copa 2026 está longe de um final feliz. A inclusão do camisa 10 nos últimos três mundiais, nos quais o Brasil nada ganhou, é apenas o início de uma nova temporada do folhetim. E, venhamos, uma história que está bem arrastada e deveras chata.

Tudo bem, os fãs e a poderosa máquina de marketing do jogador estão sorrindo. Mas essa história, com toque de encontro amoroso entre mocinho e mocinha (Neymar Jr e a seleção), ainda pode terminar com cara de Sexta-Feira 13.

É preciso ter em mente que, de fato, ele não é qualquer um. Muito pelo contrário. Tem fama, jatinho, bilhões de dólares no banco e uma vontade insuperável de aparecer a qualquer custo.

Desde 2022, quando o Brasil perdeu da Croácia, nos pênaltis, no Catar, Neymar Jr pouco jogou. Teve muita contusão, brilhou nas páginas de fofocas, fez time de Kings League, uma pelada classe A, e deleitou-se no pôquer.

A novela foi se arrastando até que a pressão surtiu efeito, com a divulgação do seu nome entre os 26 que tentarão o Hexa, nos Estados Unidos, México e Canadá.

Mas atenção, fãs de novela: vêm aí, cenas dos próximos capítulos. Afinal, Neymar Jr vai ser titular? Ele é de grupo, como bradam alguns, e vai se contentar em ficar no banco para entrar nos últimos 15 minutos de um “jogo difícil”?

E se entrar, vai ficar quieto? Vai xingar juiz ou coçar as orelhas para atacar torcedores que contestam suas atitudes em campo, como viralizou recentemente? Vai pintar cabelo de rosa ou verde?

Com certeza, ele foi o protagonista das últimas copas e levou os holofotes sempre para a sua figura, seja fazendo gols, sofrendo com contusões, ou rolando na grama. Isso até vale a pena ver de novo.

Agora, vai surgir, pela primeira vez, um Neymar Jr com pinta de galã em fase questionável de carreira. Um jogador que vai se desdobrar para ter o direito a mais do que uma simples “pontinha” nos capítulos marcados da Copa que começa dia 11.

E será que ele aguenta? O jeito é assistir tudo e até o fim.

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