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Do retorno à Série B à nova SAF: os próximos passos da reconstrução do Santa Cruz

Após anos de negociações e reviravoltas, Tricolor avançou com a Matix e reuniu investidores nacionais e internacionais

Ivan Mota

Publicado: 04/10/2026 às 16:21

Coletiva com investidores da nova SAF do Santa Cruz /Foto: Maurício Ferry/DP Foto

Coletiva com investidores da nova SAF do Santa Cruz (Foto: Maurício Ferry/DP Foto)

O acesso à Série B de 2027 marca não apenas o retorno do Santa Cruz à Segunda Divisão, mas também um momento importante fora das quatro linhas. Depois de anos de negociações, mudanças de grupos e propostas que não saíram do papel, a SAF Coral está nos últimos passos para ser oficialmente consolidada sob o comando da Matix Capital.

Neste conteúdo, o Diario de Pernambuco relembra o começo das negociações e detalha os próximos passos para o futuro do Tricolor.

Quatro anos de espera

As discussões sobre a criação da SAF do Santa Cruz ganharam força em 2022, em meio à grave crise financeira e institucional vivida pelo clube.

Naquele ano, diferentes grupos demonstraram interesse, mas nenhum projeto avançou até a conclusão. Em dezembro, os sócios aprovaram a criação da SAF, estabelecendo as bases para a transformação do clube.

A situação se arrastou durante 2023 e 2024, com novas negociações e diferentes nomes surgindo como possíveis investidores.

O cenário mudou em 2025, quando um grupo de empresários mineiros apresentou uma proposta que previa cerca de R$ 1 bilhão em investimentos ao longo de 15 anos. A expectativa, porém, novamente não se concretizou.

Frustração com o antigo grupo

A proposta anterior tinha como principal estrutura a Cobra Coral Participações S.A., que chegou a firmar contrato com o Santa Cruz.

O projeto, entretanto, sofreu mudanças internas e perdeu integrantes importantes ao longo de 2025. Em abril de 2026, a atual direção confirmou a saída do grupo, alegando que os investidores não conseguiram garantir o lastro financeiro necessário para a operação.

A ruptura abriu caminho para uma nova negociação. Em vez de começar todo o processo do zero, a solução encontrada foi a transferência dos direitos e obrigações da operação para a Matix Capital, que assumiu o projeto com novos investidores e novos responsáveis pela condução da SAF.

A chegada da Matix

A nova estrutura foi apresentada oficialmente em setembro. O Conselho Deliberativo ratificou a operação, que prevê a transferência de 90% das ações da Cobra Coral S.A. para a Matix, enquanto os 10% restantes permanecem com o Santa Cruz, conforme determina a legislação.

O acordo mantém a projeção de até R$ 1 bilhão em receitas e investimentos ao longo de 15 anos.

Uma das principais mudanças em relação ao projeto anterior está no Arruda. Em vez da transferência definitiva do estádio para a SAF, como previsto anteriormente, o novo acordo estabelece um comodato por 35 anos.

A Matix também assumiu a estrutura contratual relacionada à operação original de compra e venda das ações.

Quem está por trás do projeto

Thairo Arruda foi escolhido para ser o CEO da SAF e também integra o grupo de investidores. O executivo ganhou projeção nacional durante sua passagem pelo Botafogo, onde participou da estruturação da SAF alvinegra e ocupou o cargo de CEO.

No Santa Cruz, ele afirma que a prioridade inicial será reorganizar financeiramente o clube, que possui um passivo estimado em cerca de R$ 350 milhões.

Entre os investidores apresentados está Paraj Tyle, empresário norte-americano de origem indiana, formado em Economia pela Carnegie Mellon University e com estudos na Yale School of Management.

Depois dele, o grupo ganhou outros nomes internacionais, como o italiano Gianpaolo Callioni, radicado nos Estados Unidos, e o colombiano Carlos Garcia, fundador e CEO da LogistiX.

Aporte já começou

A nova SAF também começou a colocar recursos no clube antes mesmo da conclusão definitiva da operação. Em agosto, R$ 500 mil foram adiantados e, posteriormente, a Justiça autorizou um financiamento DIP de até R$ 6,5 milhões. Os R$ 6 milhões restantes foram destinados ao pagamento dos débitos com o elenco profissional.

Além do recurso destinado ao futebol, a projeção apresentada pelo presidente Bruno Rodrigues prevê outros R$ 5 milhões para obras emergenciais no Arruda.

O plano dos investidores também inclui uma reforma mais ampla do estádio, com o objetivo de viabilizar o retorno do Santa Cruz para sua casa com público.

Uma nova etapa

Depois de quatro anos marcados por expectativas, mudanças de grupos e negociações interrompidas, o Santa Cruz chega ao momento mais próximo da conclusão de sua SAF.

A transformação ainda depende da conclusão das etapas formais, mas a Matix já assumiu a operação, os novos investidores começaram a ser apresentados e recursos já foram destinados ao clube.

Com o retorno à Série B confirmado dentro de campo, o próximo capítulo da reconstrução coral passa agora pela consolidação da estrutura empresarial.

A expectativa é que a SAF deixe de ser apenas um projeto em negociação e passe a comandar oficialmente o futebol do Santa Cruz, dando início a uma nova fase administrativa, financeira e esportiva do clube.

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