Beto Lago: "Correção de rumo no Santa Cruz foi tardia, mas necessária"
Marcelo Cabo foi demitido do comando do Santa Cruz na última segunda-feira (26)
Publicado: 27/01/2026 às 08:52
Marcelo Cabo, técnico do Santa Cruz (Rafael Vieira)
Fim da era Cabo
Chegou ao fim a passagem de Marcelo Cabo pelo Santa Cruz. E não havia mais como sustentar sua permanência. Os números, frios e objetivos, até tentam oferecer um argumento: em 29 jogos, 13 vitórias, nove empates e sete derrotas, com aproveitamento de 55%. O time marcou 33 gols (média de 1,14 por jogo) e sofreu 23. Mas futebol não se resume a estatística. E o que ficou na memória do torcedor coral foi o que se viu – ou deixou de se ver – dentro de campo. Os sinais de alerta surgiram ainda no mata-mata de 2025. O acesso à Série C veio muito mais pela inspiração individual de alguns jogadores do que por méritos coletivos ou organização tática. Esperava-se evolução. Não houve. A diretoria e os investidores optaram por bancar Marcelo Cabo, seja por convicção no “projeto”, seja por limitações financeiras. O resultado, neste início de Estadual, beira o constrangedor. Em vez de um time mais sólido, o Santa Cruz apresentou uma equipe perdida e com problemas em todos os setores. Não há padrão, não há identidade, não há evolução. A montagem do elenco para 2026 foi a pior possível e essa responsabilidade ainda recai sobre o executivo Harlei Menezes. O presidente Bruno Rodrigues, sua diretoria e, principalmente, os investidores da SAF precisam assumir o peso desse momento. A correção de rumo veio, ao menos, antes do clássico contra o Sport, sábado, na Ilha do Retiro. Tardia, mas necessária.
A saída de Marcelo Cabo escancara o contraste entre o Santa Cruz de 2025 e deste ano. Hoje, o Tricolor é o quarto colocado, com sete pontos e duas derrotas consecutivas. Em cinco jogos, marcou cinco gols e sofreu seis. Campanha sofrível, distante em futebol e em espírito daquele time que encerrou a primeira fase do Estadual do ano passado como líder, com quatro pontos para o Náutico e cinco para o Sport. A queda de rendimento não é circunstancial. É estrutural.
Canteiro de obras incertas
Amanhã, o Santa Cruz enfrenta o Jaguar com o Arruda fechado. Um retrato vergonhoso da realidade atual. Um amigo resumiu com precisão: o José do Rego Maciel virou a imagem de um gigante adormecido sob o peso da negligência e do silêncio institucional. “Desde o ano passado, o estádio deixou de ser o caldeirão coral para se transformar em um canteiro de obras incertas, sem laudos técnicos atualizados e sem prazos claros”, disse. O palco histórico virou problema. E ninguém parece disposto a encará-lo de frente.
A paralisia que destrói a alma do torcedor
A crítica vai além do campo e atinge em cheio a postura do clube e dos investidores da SAF, especialmente pela resistência em divulgar auditorias independentes, detalhadas e transparentes. “O Santa Cruz está, hoje, órfão da própria casa, sem um plano de engenharia sério, comprometido com a segurança de quem ocupa os degraus de concreto do Arruda. O estádio permanece como um monumento ao passado; incapaz de abrigar o presente; e com um futuro que depende de uma coragem técnica e financeira que, até agora, não se manifestou de forma clara”, afirmou. Essa paralisia institucional não é apenas administrativa. Ela corrói, dia após dia, a alma de cada torcedor tricolor.