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OSCAR SCHMIDT

Oscar Schmidt e Pernambuco: memórias, encontros e legado do "Mão Santa"

Técnico Rildo Accioly relembra encontros com o ídolo e o "Ultimate Game" no Geraldão.

Gabriel Farias

Publicado: 18/04/2026 às 09:00

Oscar Schmidt na abertura das Olimpíadas do Colégio Atual, no Recife/Cortesia

Oscar Schmidt na abertura das Olimpíadas do Colégio Atual, no Recife (Cortesia)

A morte de Oscar Schmidt, confirmada nesta sexta-feira (17), além da comoção dos fãs, resgatou memórias marcantes da relação do ídolo com diferentes estados do país, entre elas Pernambuco. No Recife, o legado do “Mão Santa” atravessa gerações e se conecta diretamente com personagens locais do basquete, como o técnico Rildo Accioly, que relembrou encontros, bastidores e a admiração construída ao longo de décadas.“Uma perda muito grande para o esporte”, definiu Rildo, ao comentar a morte do ex-jogador.

A ligação entre Oscar e a capital pernambucana passa por momentos emblemáticos, como a participação do craque na abertura das Olimpíadas do Colégio Atual, nos anos 1990. À época, era tradição da instituição convidar grandes nomes do esporte para eventos no Geraldão, sempre com grande público. “O Atual fazia as aberturas no Geraldão e ficava lotado. Sempre vinha um atleta desse nível, inclusive a Hortência”, recordou Rildo.

Oscar x Magic Johnson no Geraldão

Outro capítulo importante dessa relação aconteceu em 1997, quando o Recife recebeu um dos jogos do “Ultimate Game”, série de amistosos que colocou frente a frente o time liderado por Oscar e uma equipe comandada por Magic Johnson. A partida, disputada no Geraldão no dia 8 de outubro, reuniu nomes com passagem pela NBA e ídolos da geração brasileira campeã do Pan-Americano de 1987.

O time de Magic levou a melhor em quadra, mas o espetáculo ficou marcado pela atmosfera e pela presença massiva do público. Rildo Accioly esteve diretamente envolvido nos bastidores daquele evento e guarda lembranças detalhadas.

“O público? Foi casa cheia no Geraldão. Desde o aeroporto já era uma movimentação enorme. Lembro quando o ônibus da delegação de Magic chegou, tinha gente querendo entrar junto”, contou, relembrando também o assédio no hotel. “Era uma loucura ver Magic Johnson pela primeira vez”.

 

Referência técnica e humana

Além da quadra, o treinador teve a oportunidade de conviver de perto com Oscar em momentos casuais. Um deles foi um almoço com o jogador e sua esposa durante a passagem pelo Recife. “Tive o prazer de conversar com o Oscar. Sentamos, comemos uma carne de sol e conversamos”, disse.

A admiração de Rildo por Oscar não se limita aos encontros pontuais. O treinador acompanhou praticamente toda a trajetória do ídolo com a Seleção Brasileira.

“Acompanhei desde o início, quando ele estava saindo do juvenil. Foram pelo menos 20 anos vendo ele jogar pela seleção. Lembro bem do Pan de 87”, destacou, em referência ao histórico título conquistado sobre os Estados Unidos, em Indianápolis.

Para ele, o legado deixado por Oscar vai além dos números e recordes. Trata-se de um exemplo de postura e mentalidade dentro do esporte. “Oscar representa determinação. Se você quiser alguma coisa como atleta, precisa ter resiliência”, afirmou.

A relação afetiva também se materializou em objetos. Rildo chegou a possuir uma camisa utilizada por Oscar, inclusive uma da partida contra o time de Magic Johnson, no Recife. O item, no entanto, ganhou outro destino.

“Presenteei um atleta por merecimento. Para ele, aquilo seria muito importante naquele momento”, contou.

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Um legado que ultrapassa gerações

A trajetória de Oscar Schmidt, marcada por mais de 50 mil pontos na carreira e feitos históricos com a Seleção Brasileira, encontrou em Pernambuco um palco relevante para reforçar sua conexão com o público. Seja em eventos escolares, jogos internacionais ou encontros informais, o impacto do “Mão Santa” permanece vivo na memória de quem acompanhou de perto sua passagem.

Oscar estava internado no hospital Municipal Santa Ana, em Santana de Parnaíba, na Grande São Paulo. Havia sido levado às pressas ao hospital depois de sofrer um mal-estar em sua casa, em Alphaville. A morte foi confirmada nesta sexta-feira (17) pela família, em comunicado, horas depois da internação. Ele deixa a mulher, Maria Cristina, e os filhos Felipe e Stephanie.

Oscar passou 15 anos lutando contra um câncer no cérebro, descoberto em 2011. Ele passou por duas cirurgias para retirada de dois tumores na região, além de várias sessões de quimioterapia.

Em 2022, ele anunciou a interrupção do tratamento depois de afirmar estar curado da doença. "Eu venci essa batalha", disse ele naquela ocasião.

A morte do maior nome da história do basquete brasileiro encerra uma era, mas, como reforça quem conviveu com ele, não apaga sua influência. Em quadra ou fora dela, Oscar deixa um legado.

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