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SUTENTABILIDADE

Coleção usa resíduos têxteis para resgatar a história da moda em Santa Cruz do Capibaribe

Projeto Memórias Costuradas foi idealizado pela estilista, modelista e pesquisadora Fátima Nunes

Marlon Júlio

Publicado: 25/09/2026 às 20:11

Fátima Nunes (no centro) com as irmãs Marisa Paulino (às esquerda) e Ana Nunes (à direita)/Arnaldo Félix/Divulgação

Fátima Nunes (no centro) com as irmãs Marisa Paulino (às esquerda) e Ana Nunes (à direita) (Arnaldo Félix/Divulgação)

Pensando em resgatar a história da sua cidade natal e trazer luz para o reaproveitamento de resíduos têxteis, a estilista, modelista e pesquisadora Fátima Nunes, de 70 anos, idealizou o projeto "Memórias Costuradas" em Santa Cruz do Capibaribe. Além de dar origem a uma coleção especial, a iniciativa inclui ainda palestras nas escolas públicas municipais sobre o tema.

Um desfile com os 14 looks resultantes do projeto ocorreu na quarta-feira (23) no Centro de Eventos do Moda Center. A narrativa visual da coleção revive a década de 1950, período em que as mulheres da região transformaram sobras de tecidos de fábricas do Recife em roupas e cobertas. O excedente dessa produção caseira, comercializado em calçadas e canteiros centrais, deu origem ao polo de confecções que hoje abastece o mercado nacional.

"Os mais novos não conhecem essa história e como surgiu. Só sabem que, hoje, Santa Cruz é um grande polo de confecções. Essa cidade foi quem deu origem a essa atividade na região, que exportou esse modelo para várias cidades ao redor, como Caruaru, Toritama e Surubim", explica a também cientista social.

Para Fátima, a etapa mais desafiadora foi construir as peças a partir de retalhos. "Trabalhar com resíduo é difícil, principalmente quando se trata de uma coleção. Usei resíduos de tecidos bem pequenos, que praticamente são considerados como lixo. Eu pesquisei muito, tanto a partir dos recursos, quanto da matéria-prima. Expliquei a proposta para os produtores, mas eles não entendiam, e por isso não queriam doar o material. Precisei conversar com muita gente para realizar esse trabalho", relata.

A estilista tem expectativas de que a coleção aumente a visibilidade sobre a reutilização dos resíduos entre os produtores, para que moda, economia e sustentabilidade possam caminhar juntos.

“O objetivo do projeto é despertar para um debate nesse sentido, de começar a ver o destino desses resíduos e ampliar essas informações. Por isso fui em duas escolas públicas. De 130 alunos, apenas dois já tinham escutado sobre o tema”, conta.


Setor têxtil

A produção em Santa Cruz do Capibaribe passa por um momento que exige cautela. De acordo com a pesquisa do Índice de Confiança do Empresário do Setor Têxtil e de Confecções (ICETEC) para o mês de agosto, o cenário evidencia estoques e inadimplência de clientes, que deve ser compensado por uma projeção de forte recuperação nos próximos meses.

O presidente da Associação Empresarial de Santa Cruz do Capibaribe (ASCAP), Diego Barbosa de Moura, avalia que as circunstâncias exigem cuidado e planejamento. "O momento está associado à macroeconomia. O caminho para esta reta final do ano é acompanhar os pedidos, produzir com planejamento e preservar a rentabilidade das confecções", analisa.

Diego afirma que o maior desafio que produtores têm enfrentado atualmente é manter o preço competitivo sem comprometer a qualidade e a margem de lucro. Além disso, ele cita a concorrência dos importados, a necessidade de capital de giro e a preparação para a reforma tributária. "O empresário tem que ter muita flexibilidade para lidar com essas situações. Precisamos melhorar a gestão, ampliar o acesso à qualificação e, principalmente, o acesso a crédito dessas empresas", explica.

No último ano, Santa Cruz do Capibaribe atingiu um faturamento de aproximadamente R$ 7 bilhões na comercialização do setor têxtil, de acordo com dados da Secretaria da Fazenda de Pernambuco (Sefaz-PE).

Em relação às expectativas para as vendas do final de ano, 77% dos empresários esperam resultados superiores às registradas no mesmo período do ano anterior, segundo levantamento realizado pelo Núcleo Gestor da Cadeia Têxtil e de Confecções em Pernambuco (NTCPE).

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