Brasil e EUA retomam negociações comerciais na próxima segunda-feira (31)
Reunião teria sido acordada pelos presidentes Lula e Donald Trump em conversa telefônica na última semana, quando o brasileiro questionou a motivação das tarifas e disse ao americano que os dos países saem prejudicados
Publicado: 26/08/2026 às 12:14
Novo diálogo poderia reabrir as negociações frustradas entre Washington e Brasília (Ricardo Stuckert)
Os governos do Brasil e dos Estados Unidos concordaram em retomar o diálogo por meio de uma reunião virtual que será realizada na próxima segunda-feira (31) entre o ministro brasileiro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e o Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), Jamieson Greer.
A reunião teria sido acordada pelos presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e dos Estados Unidos, Donald Trump, em uma conversa telefônica realizada na última sexta-feira , segundo informaram a agência Brasil e o jornal "Folha".
Nessa conversa, o chefe do Palácio do Planalto afirmou que as tarifas prejudicam tanto o Brasil quanto os Estados Unidos e reiterou que, na opinião do Executivo brasileiro, as justificativas apresentadas pela Casa Branca para a adoção das novas tarifas carecem de fundamento, segundo a agência Brasil.
O novo diálogo poderia reabrir as negociações frustradas entre Washington e Brasília, depois que, em julho, o gabinete do USTR impôs uma sobretaxa de 25% a vários produtos brasileiros, após aproximadamente um ano de investigações.
Entre os motivos alegados estavam uma suposta falta de "boa-fé" de Brasília na hora de negociar com Washington; a proteção, por parte das autoridades brasileiras, do serviço de pagamentos eletrônicos Pix que, segundo a Casa Branca, prejudica "injustamente" os fornecedores norte-americanos, e também uma suposta punição "a empresas de tecnologia americanas por se recusarem a censurar o discurso político", em alusão à multa imposta à rede social X, de propriedade do magnata sul-africano Elon Musk, por não cumprir a ordem de excluir perfis de pessoas investigadas por publicarem mensagens consideradas antidemocráticas.
A essas tarifas somaram-se as decretadas pela Casa Branca contra vários países e contra a União Europeia por, segundo o governo Trump, não adotarem mecanismos eficazes para impedir a importação de bens produzidos com trabalho forçado.
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