Tarifa de 25% dos EUA entra em vigor e afeta setores exportadores brasileiros
Levantamento da Fiemg aponta que os 15 principais produtos atingidos movimentaram cerca de US$ 2,5 bilhões em exportações ao mercado norte-americano em 2025
Fernanda Strickland - Correio Braziliense
Publicado: 22/07/2026 às 12:15
Produtos que iniciaram o transporte antes de 22 de julho poderão ser dispensados da nova cobrança, desde que ingressem no mercado americano até 29 de julho (Fibra)
Entrou em vigor nesta quarta-feira (22/7) a tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre uma série de produtos brasileiros. A medida amplia a pressão sobre segmentos exportadores e eleva as preocupações do setor produtivo em relação à competitividade das empresas nacionais.
A medida foi adotada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), após investigação baseada na Seção 301 da legislação comercial norte-americana. Embora a decisão tenha estabelecido a cobrança para mercadorias originárias do Brasil, alguns produtos considerados estratégicos para a economia e o abastecimento dos EUA ficaram de fora da nova taxação.
Levantamento do Centro Internacional de Negócios da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (CIN/Fiemg) mostra que os principais grupos afetados incluem sebo não comestível, produtos de madeira, peptídeos e outras matérias proteicas, tabaco em bruto, rochas ornamentais, etanol, calçados de couro e determinados insumos bélicos.
Entre os itens mais impactados em valor exportado, o sebo de bovinos, ovinos ou caprinos lidera a lista, com aproximadamente US$ 427 milhões em vendas aos Estados Unidos em 2025. Em seguida aparecem portas, caixilhos e soleiras de madeira, com quase US$ 248 milhões; madeira de coníferas perfilada, com cerca de US$ 234 milhões; e madeiras compensadas, que somaram aproximadamente US$ 220 milhões.
Segundo a entidade, os 15 principais produtos alcançados pela tarifa movimentaram cerca de US$ 2,5 bilhões em exportações brasileiras neste ano. O montante não representa a totalidade da pauta sujeita à cobrança, mas dimensiona os segmentos de maior relevância econômica entre os itens afetados.
O ato de Washington também prevê um período de transição para mercadorias já embarcadas. Produtos que iniciaram o transporte antes de 22 de julho poderão ser dispensados da nova cobrança, desde que ingressem no mercado americano até 29 de julho.
Produtos estratégicos ficam de fora
Entre os produtos que ficaram de fora da sobretaxa de 25% estão petróleo, café verde, ferro-gusa, minério de ferro, aeronaves, carne bovina, celulose tratada, sucos de laranja e óxidos de alumínio.
O ferro-gusa, apontado anteriormente como um dos setores mais vulneráveis, acabou incluído na lista de exceções. Apenas esse produto respondeu por aproximadamente US$ 1,4 bilhão em exportações brasileiras aos Estados Unidos em 2025.
De acordo com a Fiemg, entre os principais itens monitorados, os produtos isentos representaram cerca de US$ 17,7 bilhões em exportações brasileiras neste ano, valor significativamente superior aos US$ 2,5 bilhões registrados pelos principais produtos atingidos.
Apesar das exceções, a entidade avalia que a nova tarifa tende a reduzir a competitividade dos produtos brasileiros em mercados nos quais existem fornecedores alternativos. O cenário pode estimular a substituição de fornecedores, pressionar preços e levar à renegociação de contratos e condições comerciais.
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