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Economia
Novo tarifaço

Governo Lula começa a ouvir setores afetados pelo tarifaço dos EUA nesta semana

Empresários defendem que governo brasileiro retalie medidas norte-americanas após nova ofensiva

Estadão Conteúdo

Publicado: 20/07/2026 às 16:44

Ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), Márcio Elias Rosa/Tomaz Silva/Agência Brasil

Ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), Márcio Elias Rosa (Tomaz Silva/Agência Brasil)

O governo Lula vai começar a ouvir, a partir desta terça-feira (21) os setores afetados pelo tarifaço de 25% que será aplicado pelo governo dos Estados Unidos aos produtos brasileiros. A tarifa adicional deverá entrar em vigor nesta quarta-feira (22).

Nesta terça, pelo menos três associações deverão se reunir com ministros de Estado: a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) e a Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast).

Além do ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias, principal responsável pelas conversas, deverão participar dessas agendas o ministro da Fazenda, Dario Durigan, e o vice-presidente Geraldo Alckmin — este último ex-ministro do MDIC, que atuou durante o primeiro tarifaço, em meados de 2025.

Como mostrado pelo Estadão, empresários defendem que o governo brasileiro retalie as medidas norte-americanas após a nova ofensiva e pedem a aplicação da Lei de Reciprocidade, aprovada no ano passado pelo Congresso Nacional. Essa legislação autoriza o Brasil a adotar contramedidas comerciais em resposta a ações unilaterais de países ou blocos econômicos que "prejudiquem a competitividade internacional do País".

Parte dos setores prejudicados defende, ainda, que o Brasil acione a Organização Mundial do Comércio (OMC) e prepare uma retaliação escalonada.

O titular do MDIC disse na semana passada que o processo de reciprocidade aos EUA é uma medida que exige cautela, com "forma e intensidade adequada". O ministro frisou que, mesmo com a tarifa já confirmada, o governo federal não sairá da mesa de negociação com os EUA e não "abandonará o multilateralismo".

Por sua vez, o ministro da Fazenda adiantou que haverá uma recalibragem do chamado plano Brasil Soberano, que prevê apoio às empresas exportadoras de bens industriais diante de medidas como o tarifaço dos EUA. Sem citar números, Durigan disse ser possível que, no mês que vem, os efeitos deste plano de apoio já possam ser verificados.

Em junho deste ano, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) propôs uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros após investigação sobre temas como desmatamento ilegal, pirataria e o sistema de pagamentos PIX. A confirmação da sobretaxa foi anunciada na última quarta-feira (15) após audiências públicas promovidas pelo USTR.

A investigação foi conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que permite aos EUA retaliar práticas consideradas prejudiciais às empresas americanas.

Além dessa tarifa de 25%, os EUA já anunciaram uma sobretaxa adicional de 12,5% para países, entre eles o Brasil, sob a justificativa de falhas no combate ao trabalho forçado. O cenário mais provável é a confirmação dessa medida ainda nesta semana.

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