° / °
Economia
CARNAVAL 2026

Carnaval 2026: Buscas por aluguel no Recife cresceram 20% em relação a 2025

Já em Olinda, com alta procura por imóveis, proprietários chegam a faturar R$ 25 mil em seis dias em uma casa que tem aluguel mensal de R$ 4 mil fora da folia

Cecilia Belo

Publicado: 01/02/2026 às 22:00

Morador de Olinda deixa sua residência para alugá-la integralmente no carnaval/SANDY JAMES/DP FOTO

Morador de Olinda deixa sua residência para alugá-la integralmente no carnaval (SANDY JAMES/DP FOTO)

O mercado imobiliário de curta temporada em Pernambuco registra um aquecimento expressivo para o Carnaval 2026. A capital, Recife, e o Sítio Histórico de Olinda consolidam-se como destinos prioritários, impulsionando os preços e alterando a dinâmica de locação residencial meses antes do início oficial da folia.

De acordo com dados recentes da plataforma Airbnb, as buscas por acomodações na capital pernambucana apresentaram um crescimento de quase 20% em comparação com o mesmo período do ano anterior. O fluxo de turistas é composto majoritariamente por visitantes vindos de São Paulo, Natal, Fortaleza e Brasília, com uma tendência marcante de viagens coletivas: cerca de metade das reservas é destinada a grupos de três ou mais pessoas.

Esse cenário de valorização reflete-se diretamente no faturamento de proprietários locais, que adaptam seus modelos de negócio para maximizar os ganhos durante os dias de festa. Em Olinda, a rentabilidade dos imóveis situados nas áreas mais disputadas da cidade atinge patamares que superam largamente os rendimentos de aluguéis convencionais. Para garantir a segurança jurídica e a flexibilidade, investidores têm optado por formatos específicos de contrato, como o de hospedagem temporária, que permite a rotatividade sazonal e a desocupação imediata para o período carnavalesco.

Estratégia contratual
Um proprietário de imóveis no Sítio Histórico, que preferiu não ser identificado, detalha como gere suas duas unidades para conciliar a moradia regular com o pico financeiro do feriado. Ele utiliza contratos de hospedagem limitados a 90 dias.

"Eu faço termos aditivos. No longo prazo de três meses, ficam sendo repetidos os termos até o momento da pessoa sair. Quando o Carnaval cai no meio de um período desse, eu encerro o termo aditivo, porque está previsto que pode ser encerrado a qualquer momento com aviso prévio de 48 horas", explica. Essa manobra permite que o imóvel seja liberado na quinta-feira pré-carnavalesca para dar lugar aos foliões.

A diferença entre o valor mensal e o pacote de Carnaval impressiona pela disparidade. Uma das casas geridas pelo entrevistado, com três quartos e piscina, é alugada rotineiramente por R$ 4 mil mensais; no entanto, para os seis dias de folia em 2026, o valor fechado foi de R$ 25 mil.

Outra unidade menor, sem piscina, que tem aluguel mensal de R$ 2,8 mil, foi locada para a temporada por R$ 15 mil. "Eu me surpreendi com o aumento do preço no último ano. Tanto é que eu vi uma casa inferior a uma das minhas, próxima, que foi alugada até mais caro", afirma o anfitrião.

O proprietário revela que, embora o perfil comum de seus clientes seja de grupos executivos de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, este ano uma das casas foi sublocada pelo próprio morador fixo, que optou por pagar o valor sazonal para garantir a permanência no local.

Valores recordes
Outro perfil comum no mercado olindense é o do morador que deixa sua residência para alugá-la integralmente. É o caso de Altair Paixão, jornalista e pizzaiolo, residente há quase 30 anos na Rua da Boa Hora, um dos eixos mais procurados da folia.

Diferente do sistema de seis dias, Altair opta por uma semana completa de locação, de quinta a quinta, para oferecer mais conforto aos hóspedes. "Na quinta-feira (antes do carnaval), a pessoa pode trazer uma compra para casa, tem mais conforto para não estar alugando no tumulto", diz.

Este ano, o valor de sua residência subiu para R$ 16 mil, após três anos estabilizado em R$ 12 mil. Altair destaca que o serviço oferecido vai além da estrutura física, incluindo itens como água mineral, gás, freezer de grande capacidade e até a indicação de serviços domésticos.

"Há uns três anos a minha secretária também é incluída. O serviço dela é oferecido por fora, ela ganha a grana dela. Ela limpa, cozinha, faz todo tipo de serviço. O pessoal acaba adorando ela, tanto que o grupo do ano passado a contratou de novo", relata o proprietário, que este ano receberá um grupo de oito arquitetas de Recife e Rio Doce que planejavam a estadia há anos.

 


Hospedagem seletiva
A escolha dos inquilinos é rigorosa, baseada em indicações e no perfil dos grupos, visando a preservação do patrimônio. Altair Paixão reforça que não utiliza plataformas digitais como Airbnb ou OLX, preferindo o contato direto acumulado ao longo de décadas.

"A gente quer saber quem está vindo. Não queremos que banalizem ou depredem. A gente estuda muito bem as pessoas", pontua. A demanda é tão alta que, logo após o período de São João, as procuras para o carnaval já começam, obrigando-o a indicar contatos de vizinhos para interessados que ficam sem vaga.

Patrimônio histórico
O impacto econômico desse modelo de locação é vital para a manutenção das residências seculares de Olinda. O lucro obtido no carnaval é frequentemente revertido para a infraestrutura dos casarões, custeando impostos e reformas estruturais.

"A gente investe quase todo o dinheiro na própria casa. Como é casa antiga, sempre tem alguma coisa para fazer: pintura, telhado. É uma renda extra boa que, se você souber trabalhar, você mantém o imóvel para o próximo ano", conclui Altair.

Mais de Economia

Últimas

WhatsApp DP
Mais Lidas