Eleições 2026: Carnaval projeta os caminhos políticos de candidatos
Especialista analisa que a folia deste ano, por conta das eleições, irá se tornar uma oportunidade para demonstrar os possíveis apoios
Publicado: 01/02/2026 às 22:00
Raquel Lyra e João Campos se manifestaram sobre morte do papa. (Foto: Yacy Ribeiro/Secom e Edson Holanda/PCR)
Faltando duas semanas para o carnaval e cinco meses para o início das campanhas oficiais das Eleições Gerais de 2026, a governadora do estado, Raquel Lyra (PSD) e o prefeito do Recife, João Campos (PSB), dão os primeiros passos à frente dos seus projetos de candidatura para o governo de Pernambuco. A festa popular demarca um momento crucial para a cultura pernambucana, sendo o primeiro grande evento festivo do ano no estado, momento que também simboliza a projeção de caminhos políticos para 2026.
Em meio a incerteza de apoio aos palanques pernambucanos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que é candidato à reeleição, ainda é esperado para participar do desfile do Galo da Madrugada no sábado de Zé Pereira. A vinda do presidente não está confirmada pelo Planalto, mas a paternidade do convite evidencia a antecipação da disputa eleitoral e o uso político do carnaval.
A vinda do presidente foi confirmada pelo presidente estadual do PT, deputado federal Carlos Veras, mas o convite já havia sido feito por João Campos. E ainda é provável que o presidente esteja no camarote do governo do estado. Mesmo assim, na última sexta-feira, o prefeito do Recife rechaçou a conotação política da participação de Lula: “Eu acho que é um gesto de carinho para nossa cidade, o nosso estado, mas não vejo que seja um movimento ligado diretamente à política nesse momento”.
“Em 2025 a gente já viu um ano com alguns palanques armados, mas sem sombra de dúvida esse carnaval vai ser uma grande oportunidade para visibilidade e para demonstração de apoios. As pessoas vão estar ao lado dessas lideranças, vão demonstrar ali como é que vai ser o desenho dessas alianças. Não vão desperdiçar essa oportunidade”, explica a cientista política Priscila Lapa.
Segundo a especialista, “a instrumentalização de festejos populares, como o Carnaval, tem dois lados”. “Tem um lado, obviamente, dessa associação positiva que o eleitor poderia fazer de enxergar o político como gente que também festeja, que também está ali colocado numa festa que é tão popular que abrange todas as classes sociais. Quando passa essa aura festiva, as pessoas podem fazer um tipo de julgamento de que o político não está cuidando do que tem que cuidar. Festejando, não administrando os problemas da cidade ou do estado”, complementa.
Apesar do viés político e de propaganda, o pesquisador em comunicação Thiago Diniz também fala sobre uma certa independência do festejo referente à gestão. “O carnaval é um ativo do estado, ele não é um ativo do governo. Essa instrumentalização do carnaval sempre foi algo muito presente. Pernambuco é um estado de carnaval”, avalia.
As redes sociais como palanque político
No carnaval de 2024, o prefeito João Campos já havia protagonizado o episódio de platinar o cabelo, o “nevou”, agitando as redes sociais e se aproximando ainda mais do público enquanto um “prefeito celebridade”. A avaliação é do pesquisador em comunicação Thiago Diniz, relembrando a trajetória de Campos durante festas passadas.
O pesquisador também comenta sobre Lyra no ambiente digital: “O que a gente tá observando do ano passado para cá é um crescimento muito importante de Raquel Lyra na perspectiva da rede social de ‘governador celebridade’”. “Ela parece ter entendido como funciona isso e se transmutou em um outro personagem. Não é aquela Raquel que passava despercebida pelas pessoas", explica.
O uso de “personas digitais" e vídeos de depoimentos já são uma realidade nas práticas políticas, mobilizando os debates também fora das ruas. “Os políticos hoje se utilizam de ferramentas de comunicação que estão à disposição de todo mundo, eles se outorgam nessa perspectiva da celebridade, porque estão enquadrados numa tela, como o exemplo de Nikolas Ferreira (PL) na sua caminhada que viralizou bastante”, complementa Diniz.
Diretrizes de propaganda do TSE para o ano eleitoral
O período de propaganda eleitoral e de palanque, presencial ou digital, é um momento cheio de nuances, por isso as resoluções do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ainda estão em aberto para as eleições de 2026 e devem ser publicadas até o mês de março. As orientações serão também embasadas em audiências públicas realizadas pelo Tribunal, momento em que a sociedade pode debater as propostas de mudanças.
Já as diretrizes sobre propaganda eleitoral e o uso da máquina pública já estão disponíveis no Código Eleitoral e na Legislação Específica da lei das eleições, que podem ser acessados por todos nos canais oficiais do governo.